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Trip Start Nov 14, 2007
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Monday, January 14, 2008

'Cause it's in our hands
It always was
It's in our hands

Palmeira dos Índios, terra de Graciliano Ramos, de palmeiras que quase todas virararm casas e de índios que não são mais, mas tiveram a grande honra de se transformarem em peças de museu. Ou talvez eu devesse dizer em tabuleta de museu, porque quando se entra na igreja do rosário, que anuncia pelo lado de fora a guarda da história dos índios, dá-se logo de cara com bonecos representando personagens (históricos ou folclóricos, não sei) negros. Nada contra esses, mas pelo que me consta negros não são índios e índios não são negros, ao menos no sentido americano do termo. Prosseguindo dentro do museu, encontram-se vários objetos que naturalmente são de uso e fabrico tradicional indígena, como por exemplo os relógios de bolso, as armas de fogo, as máquinas de escrever e até as moedas e cédulas de vários países do mundo (a globalização deve ser bem mais antiga do que se pensa).  Quem então procurar com afinco, aí sim vai encontrar um cantinho que diz 'armas indígenas' e tem pendurados na parede alguns arcos e mais não sei o quê. Poderia bem ser em vez dessas armas um desenho de criança, daqueles que me pediam na escola para representar as diferenças enttre os índios e os 'colonizadores' que chegavam aqui. Quem quiser saber sobre a história dos índios xucurus-cariris (ou o contrário) não venha à terra de origem deles, antes pesquise no google.
Mas até que gostei da cidade, tirando esse ponto dos índios. Ela tem pelo menos a grande vantagem de ser suficientemente pequena para ser inteiramente explorável a pé, sem necessidade de mapas, guias, ou outro tipo de truque. Com um dia de caminhada a esmo já descobri todos os lugares que eu ia querer visitar no dia seguinte: um ou dois pontos de cuja vista gostei e queria tirar uma foto, o museu da tabuleta dos índios e o Cristo do Goiti, que fica no alto de um morro com uma bela vista da cidade. E se a estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro é a sétima maravilha do mundo, a do Cristo do Goiti em Palmeira dos Índios há de ser a oitava, já que é bastante semelhante. Esqueçam Alhambra, Angkor Wat, Timbuktu, Moai e todos esses nomes difíceis de pronunciar. O Cristo do Goiti é a verdadeira maravliha!

No meu último dia em Palmeira, estava almoçando num bar que me fez um 'pf' gigantesco (na verdade comida suficiente para dois pratos no estilo montanha) quando veio um garoto me pedir para deixar comida para ele. Quando consenti, a garçonete veio me dizer que não gostava de dar comida a esses garotos porque ficavam 'viciados'. Então fiquei pensando nesse argumento, que já estou cansado de ouvir. Exatamente em quê os garotos ficam viciados? Em comida? Em pedir? Será que eles têm comida em casa e preferem pedir? Será que são hiper gulosos e almoçam em casa para depois pedir mais comida nos bares? O que se espera que eles façam se não têm comida? Que vão trabalhar? Fazer malabarismo no sinal? Em que ponto teria sido melhor jogar o resto da comida fora do que dar à criança que tinha fome? Esse tipo de argumento é muito bom para resolver a dissonância cognitiva, mas quase nunca vejo a pessoa que o usa sugerir uma alternativa melhor, ou nos casos raros em que sugere, nunca vejo ela efetivamente fazer o que diz ser bom. É um argumento usado principalmente para se desresponsabilizar. Está aí uma coisa sobre que preciso pensar melhor: boas formas de assumir mais responsabilidade, já que não quero esperar que deus resolva as coisas.
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Comments

babsy
babsy on

Pf é que nem coração de mãe!
Que sorte que esse garoto deu de encontrar um eremita vegetariano caridoso pelo caminho... assim ele fica com a carne e vc com os acompanhamentos :)

Mas essa questão 'dar ou não dar' (sem ser no sentido figurado, não vão entender mal) é discussão polêmica, daquelas que assim como política, futebol e religião podem destruir as maiores amizades... dependendo da circunstância, ocasião e do humor no momento, o coração amolece. Mas o hábito banaliza tudo, não tem jeito. O seu ponto de vista de quem se sentou ali pra comer pela 1a vez é provavelmente bem diferente do da garçonete que trabalha ali todo dia e vê vários meninos pedindo comida pra vários clientes. Não é que ela seja uma pessoa melhor nem pior por isso, apenas as circunstâncias são diferentes. Ah, e sim, se eu estivesse no seu lugar, eu dividiria meu pf com ele também :)

ganesha_v
ganesha_v on

É bizarro...
Não sei, mas é vício de pedir mesmo desde pequeno. Eu até entendo o que ela quis dizer. Eles têm que entender que a vida não é pedir, creio eu. Que é preciso batalhar/trabalhar pra conseguir as coisas, etc...coisas que todos sabemos. Mas como 'babsy' disse aqui, isso é um assunto que não se esgota.
Outro dia mesmo quando retornava do trabalho, um menino de rua foi tão insistente comigo que me deu vontade de jogar ele longe (que Deus me perdoe). Ele estava cheirado, morto de fome, louco. Daí pensei 'poxa, será que o pouco que eu desse de comida a ele ia garantir seu futuro?' Eles não têm futuro, vivem à base do imediatismo, e isso é bizarro.

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