Riacho do Navio

Trip Start Nov 14, 2007
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Thursday, January 10, 2008

Nur der verdient sich Freiheit wie das Leben, der täglich sie erobern muß.

É difícil acreditar que já quase se passaram dois meses desde que comecei a viajar. Perguntaram-me sobre a percepção do tempo quando se está viajando (ou pelo menso foi assim que entendi a pergunta :) e notei que acontecem várias coisas estranhas. A primeira coisa que percebo é que os dias e as semanas parecem ficar muito mais longos, o que tem até fácil explicação: quando se tem uma rotina de trabalho ou de estudos os dias tendem a ser razoavelmente repetitivos, por mais que sejam diferentes as tarefas a cumprir, é mais ou menos o mesmo conjunto de habilidades que precisa ser usado, e isso com o tempo gera hábito, e o hábito encurta o tempo. Porque a repetição de padrões aprendidos previamente dispensa a atenção, e sem atenção não se forma memória, e sem memória do tempo que passou... não sei. Em que sentido se pode dizer que um evento que não formou memória foi realmente vivido? De certa forma, ter consciência do presente significa viver, mas esse não é um significado mais fraco do verbo do que ter consciência também do passado?

Apenas merece a vida, assim como a liberdade, quem tem de diariamente lutar por elas.

Faz tempo que tropecei nessa frase, e o significado que finalmente dei a ela diz respeito justamente ao hábito. Porque é inevitável que, sem que se lute ativamente contra isso, o hábito se estabeleça e, embora eu conceda que o hábito pode ser bom em certos casos, para diminuir o tempo necessário à execução de uma tarefa, ele tenha esse efeito colateral de encurtar a vida. Afinal, se uma pessoa está apenas executando um trabalho mecanicamente (com base no hábito), ela está sendo humana? Não poderia ser substituída por um robô-formiga? Já ouvi muitos questionamentos sobre a validade de se manter em mudança constante, mas para mim se manter em mudança é o mesmo que se manter livre. Livre pelo menos da formação de hábitos que empurram a pessoa ao formigueiro, e se manter livre é o mesmo que se manter vivo. Claro que não estou defendendo o caos absoluto de uma revolução a cada esquina, mas acho que algo tem de mudar sempre, que sejam apenas mudanças pequenas na forma de ver ou fazer as mesmas coisas.

Mudei de assunto e não completei o primeiro - já se passaram quase dois meses desde que saí do Rio de Janeiro, e por algum motivo parece a mim que foi menos tempo, embora cada dia pareça ser extra-longo. De qualquer forma, dois meses já são tempo mais do que suficiente para fazer desvios a fim de encontrar pessoas, para ficar nas capitais, para visitar os lugares mais visitados da costa, para fazer o contrário do que eu tinha dito na abertura do blog.  Agora é que começa a viagem de verdade, e começa por Penedo, que tem por principal atrativo... as igrejas e o casario colonial, perfeitamente semelhantes aos de Porto Seguro, Olinda, Salvador, etc. O mesmo caso das catedrais góticas européias - muito interessantes, mas cadê a mudança? Passei só um dia em Penedo, no outro tomei um ônibus a Piaçabuçu para ir de barco ver a foz do São Francisco, que divide Alagoas de Sergipe. O barco atracou lá num pontal arenoso que separa o rio do mar e fui explorar a região a pé, seguindo até a parte onde o pontal acaba e fica difícil saber de quem é que água a não ser pelo gosto. A logística é que estava meio complicada - eu tinha deixado minha mochila na recepção do hotel a vinte quilômetros de distância, mas preferi levar as coisas mais importantes. Mas na hora não quis muito saber, não havia muitas pessoas e larguei tudo lá na areia: roupas (não todas, fiquei de sunga), câmara, dinheiro, cartão de banco, passaportes... virei-lhes as costas e fui nadar, lá aonde o rio São Francisco vai bater no meio do mar.
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Comments

ganesha_v
ganesha_v on

Nem sei o título.... sem rotina
Repetição, rotina...caos completo. Aaaaaaaaahhhh... Socorro! Acho que na verdade podem existir graus diferenciados de rotina. E aí o bom é poder ter livre arbítrio para a escolha. Quando não há,conforme-se e viva mudando pequenas coisas diárias.

Acho que não há como fugir muito disso quando se precisa ganhar a vida de alguma forma... Mesmo que se venda brincos na praia, a rotina vai existir. Trabalho gera rotina...porém nessa altura do séc. XXI vivermos como se ainda estivéssemos na Rev. Industrial (no caso de serv. público)... É penoso...

Adorou as formigas...

renard
renard on

Re: Nem sei o título.... sem rotina
Sim, rotina é necessária sempre em alguma medida. Não vejo problema nenhum nisso, acho que pequenas mudanças de pensamento podem ser tão importantes quanto grandes mudanças de comportamento.

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