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Trip Start Nov 14, 2007
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Tuesday, January 8, 2008

I'm the traveler that never settles down
I'm a visitor
I'm the stranger that always hangs around

Finalmente consegui chegar a Maceió e, como não tinha encontrado onde ficar, resolvi me infiltrar no hotel onde estavam hospedados André e companhia. Na verdade vim para Maceió por causa deles, essa seria a terceira virada de ano seguida que eu passaria com o André e achei uma pena quebrar a tradição estando tão perto. Fiquei esperando na rodoviária até uma hora razoável, porque eu havia chegado às quatro da manhã, liguei para o pessoal e fui ao hotel.
Os dois primeiros dias passei com eles e nesses me senti meio estranho. André é dos meus amigos de faculdade, que fiz quando tinha objetivos bem definidos de vida e nem sonhava em mudá-los. Depois descobri que os objetivos não tinham nada de meus, eram só trilhos que eu segui por serem o padrão. Às vezes tenho a impressão de que quando escolhi sair dos trilhos acabei também me afastando irremediavelmente dos meus amigos antigos, que são os que continuaram nesses trilhos. Às vezes quando estou com eles não consigo me livrar da sensação de 'stranger that always hangs around'. Uma pessoa que conheci em Maceió achou que essa história de deixar a barba e viajar sem rumo só podia significar que eu estava fugindo de algo. Adoro essas conclusões instantâneas que as pessoas tiram, mas de certa forma até que essa estava certa - talvez não seja a palavra mais adequada, mas se pode dizer que estou fugindo de meus antigos padrões. Parte do problema acho que está exatamente aí - fica difícil até encontrar assunto para falar com meus amigos quando eles representam o que estou evitando.
Outra parte do problema é que estávamos completamente fora de fase. Eles estavam viajando para se divertirem de uma rotina à qual voltarão, eu estava viajando para me divertir de ter rotina; eles tinham pouquíssimo tempo para passar em Maceió e precisavam aproveitar cada segundo para conhecer o lugar, eu tinha todo o tempo do mundo e não dava a mínima para ter impressões parciais dos locais que visito; eles tinham passado 2007 inteiro trabalhando e estudando e as férias eram o momento de fazer o que queriam fazer o ano todo, eu não lembrava um só dia de 2007 em que eu não tivesse feito exatamente o que queria fazer; eles estavam vivendo segundo um calendário e a passagem de ano era um momento importante de festa, eu estava vivendo sem contar os dias e a passagem de ano não tinha nenhum significado especial.
À altura do ano novo eu já tinha conseguido hospedagem com um membro do CS chamado Alexandre, e no dia primeiro fui a casa dele. Que diferença que é conviver com gente do CS e do HC, parece que as coisas fluem meio magicamente. Eu nunca fui de ter grande facilidade para conversar com as pessoas em geral, mas quase sempre que me encontro com gente desse site as coisas correm de forma excelente. Acho que é porque sempre suponho que as pessoas que participam dessas coisas são pessoas inteiramente abertas, então mesmo que não sejam fica muito mais fácil puxar assunto. Eu sempre sei, ou assumo, que estão todos dispostos a conversar sobre qualquer coisa, a ouvir qualquer história, a entender qualquer projeto de vida novo que alguém lhes apresente. Num dos dias em que passei na casa de Alexandre, ele convidou também outra pessoa do site a sua casa. Apesar de eu estar doente, passamos a noite toda conversando e rindo, até bem depois do sol, e foi facilmente uma noite melhor que a festa de ano novo... Antes de mudar de assunto, aliás, quero agradecer a Alexandre por ter me recebido tão bem, inclusive recrutando seu irmão para me guiar pela cidade quando ele mesmo não pôde (obrigado também ao irmão, Salatiel).
Felizmente aconteceu de Alexandre não poder me hospedar em minha última noite em Maceió, então voltei a dividir hotel com meus amigos. Eles iam embora ainda no início da madrugada, mas houve tempo pelo menos para eu fazer uma caminhada pela praia com o André. Nesse momento, sim, achei que nos comunicamos - ele estava lá e era ele, e eu também estava lá e era eu. Conseguimos nos entender, e eu consegui entender que da mesma forma que vários de meus amigos não me compreendem muito bem eu também não os compreendo. Foi nesse momento também que cheguei a uma conclusão sobre uma questão que já apareceu aqui no blog antes - a da estatística e do preconceito. Concluí que, embora a estatística bem feita não minta nunca, ela só fala sobre grupos e, portanto, nunca pode dizer nada sobre um indivíduo - aplicar a estatística a qualquer pessoa específica torna-se preconceito. Eu gosto muito de me dizer (e de me sentir) mais vivo que os outros porque saí dos trilhos e eles não. Faltava completar o pensamento, reconhecer que, embora a maioria das pessoas escolher caminhos muito semelhantes indique claramente (considerando que há infinitas possibilidades) que muitos estão no caminho errado, seguindo-o automaticamente por não enxergar outros, sempre pode haver aqueles para quem o caminho mais seguido é o certo. Faltava reconhecer que, embora estatisticamente seja muito provável que uma determinada pessoa que segue o caminho comum esteja errada, eu não posso simplesmente supor que aquela pessoa específica está errada. Não quero carregar esse tipo de preconceito, que nivela as pessoas por baixo. Prefiro superestimar mil pessoas que subestimar uma só.
Que bom que cumpri o terceiro ano da tradição!
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Comments

ganesha_v
ganesha_v on

Estática
Esse foi a maior viagem imaginária que fiz até agora...
Viajei profundamente, mas sem mais, nem menos...Somente estática, pensando nos trilhos da vida. Reprovando certos pré-conceitos.

blanchedubois
blanchedubois on

Sei bem como é isso!
Henrique:

Claro que as formas de absorver as experiências são pessoais e intransferíveis, mas essa parte bem que podia ter sido escrita por mim : ' ...é dos meus amigos de faculdade, que fiz quando tinha objetivos bem definidos de vida e nem sonhava em mudá-los. Depois descobri que os objetivos não tinham nada de meus, eram só trilhos que eu segui por serem o padrão. Às vezes tenho a impressão de que quando escolhi sair dos trilhos acabei também me afastando irremediavelmente dos meus amigos antigos, que são os que continuaram nesses trilhos.'

Isso é muito parecido com a questão das ' fases opostas' : seus amigos antigos curtindo avidamente as férias e vc praticamente numa outra dimensão pq resolveu questionar suas certezas de outrora e mandá-las pro espaço.

Tenho poucas certezas atualmente, dentre elas a certeza de que nunca vou deixar crescer a minha barba,hehe, mas em certos aspectos me identifico totalmente com vc.

Bjs

Analu

erikapessoa
erikapessoa on

=)
Acredito que não agir no 'automático' baseando-se nos nossos preconceitos e estatísticas requer esforço e atenção da nossa parte. Talvez devesse ser um exercício diário.

Que bom que você está fazendo o seu =)

Xero

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