Espírito natalino, parte 2

Trip Start Nov 14, 2007
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Friday, December 28, 2007

C'est ce que tu donne qui t'appartient, ce que tu garde... c'est perdu à jamais...

Lembrei que a família de Portugal talvez passasse o natal no Brasil, e como eu estava viajando por perto do lugar onde têm casa, resolvi perguntar a Patricia se estavam por aqui. Até hoje ainda não consegui entender direito os portugueses, que parecem em geral tão fechados com os estranhos mas foram (pelo menos esses) tão abertos comigo porque sou da 'família'. Pensando bem, o fato de uma frase grande como 'filha da mulher do primo do pai da minha mãe' caber numa palavra pequena como 'família' já diz algo importante sobre os portugueses.
Então fui a Salvador, soube que no dia seguinte a minha chegada Edgar e Helena iam até lá de sua casa em Guarajuba/Itacimirim/Praia do Forte/sei lá e marquei um encontro com eles ali em frente ao mercado modelo. Eu tinha planejado apenas um encontro, mas uma das primeiras coisas que me disseram foi 'Então, vens conosco hoje? Já mandamos preparar tua cama.' Eu nunca soube e talvez nunca saiba responder a eles com algo além de um sorriso sem graça, ainda acho extremamente difícil reagir a essa recepção. É mais fácil aceitar isso de quem é assim com todo o mundo, de quem se abre indiscriminadamente para todos, mas como eu disse antes, tenho a impressão de ser tratado assim por ser da família. O problema é que, apesar de ser da família, sou também um estranho (interagi com eles pela primeira vez esse ano), mas me tratam como se eu sempre tivesse estado lá. Não aprendi ainda a lidar com isso.
Passei quatro dias em casa deles, incluindo o dia de natal, quando fui recrutado para representar o Papai Noel com disfarce completo... queimei feio a língua por ter falado mal dele em Aracaju. Queimei a língua em vários outros pontos na verdade. É claro que a crítica continua valendo, ainda acho que muitas pessoas pensam (ou não pensam) da forma que critiquei ali, mas faltou cobrir as exceções. É claro que dar presentes não é uma coisa intrinsecamente ruim, o que é ruim é desviar a atenção do que realmente importa, que é dividir o tempo com as pessoas, para os presentes, que valem como símbolo desse tempo, mas sozinhos são vazios. É claro que haver data fixa para a celebração e para amolecer o coração não está intrinsecamente errado, errado é endurecer de novo para o resto do ano - a data fixada na cultura permite que as pessoas se encontrem, porque passam o ano todo planejando esse dia.
E pude ver, nessa posição estranha de observador externo de minha família, que aqui as coisas foram diferentes. Pude ver que, embora o natal aqui tenha sido pretexto para o encontro familiar, o conceito de família é extremamente forte e dura o ano inteiro. Os presentes também vi que fazem o papel certo, que servem principalmente para que se sinta mais próximo da pessoa de quem se recebeu (ou mais importante, para quem se deu) o presente. Fica aqui meu agradecimento aos familiares por mais esse tempo que me foi cedido, e por me mostrar de forma que não pude criticar a parte verdadeira do espírito natalino, que deixo aqui simbolizado por esse cartão (roubado do blog de Vanessa):
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Comments

ganesha_v
ganesha_v on

'Plágio' sensibilizado...
Henrique
Fiquei paralisada de novo. Se você não tivesse pedido minha ajuda para 'plagiar' meu cartão, eu ia ficar paralisada 2 vezes: uma por ter se sensibilizado com o espírito natalino e ter se expressado através de um cartão que eu simplesmente amei de paixão. E 2º porque como assim, plagiar meu cartão, sem prévio comunicado? Só que nesse caso, seria muito mais divertido. Uma pena, mas não deu certo, ou não! Realmente as suas palavras me sensibilizaram. Não sei o que dizer... você entendeu o recado de tudo... e até de um espírito que não se sabe de onde se surge!

Acho que essa viagem está lhe fazendo um bem enorme. E uma falta também!

Beijo!
Vanessa

babsy
babsy on

gosto de natal
ah, que pena, perdemos a oportunidade de te ver com a fantasia completa do bom velhinho... te juro que se não fosse vc próprio que tivesse confessado essa façanha seria difícil de acreditar que era verdade... mas que bom que vc mordeu a língua assim por motivos tão nobres :)

eu sempre gostei muito de natal. não por causa dos presentes, coisa que na minha família mesmo já até se desistiu há muito tempo, mas porque meu coração realmente derrete. fico feliz por haver um motivo que ainda nos dias de hoje seja capaz de reunir pessoas que no resto do ano estão ocupadas demais, estressadas demais ou mesmo longe demais pra se encontrarem... pra mim é uma época de se reavaliar o que realmente importa na vida.

mas o real motivo de eu ter escrito todas essas linhas é te confessar que sou uma leitora assídua dos seus 'pensamentos de viagem'. muito mais interessante que o lugar-comum 'praias que vi' ou 'cervejas que bebi' é entrar nesse emaranhado complexo de idéias que brotam da sua cabeça. apaixonante. viciante. delicioso. pronto, falei :)

rac
rac on

:-)
Encontrei um momento propício pra dizer que continuo por aqui e com saudades.
Sorte.

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