Todos iguais...

Trip Start Nov 14, 2007
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Monday, December 24, 2007

... mas uns mais iguais que os outros.

Passei a madrugada na estrada e cheguei a Salvador cedo demais - a média distância é a pior para as viagens de ônibus. Ainda fiz uma hora na rodoviária, tomei café e rumei ao centro histórico para caçar hospedagem, decidi vir muito em cima da hora para conseguir lugar na casa de alguém. Na primeira noite catei um hotel qualquer, depois descobri um albergue pela metade do preço e fui para lá ficar num quarto coletivo, com um americano cujo nome esqueci e com um francês chamado Sylvain (passei a maior vergonha apresentando ele como Julien no outro dia).
Esses centros históricos das cidades brasileiras, embora sejam todos parecidos com as casinhas coloridas e as igrejas barrocas, também têm seus pontos diferentes às vezes. O de Salvador, pelo menos, acho que não é tão igual assim. Porque é muito turístico, lotado de pessoas de tudo quanto é canto de dentro e de fora do Brasil, mas tem também uma concentração significativa de pessoas locais, e as pessoas daqui me parecem saber melhor lidar com os turistas. É claro que algumas coisas se modificam, sempre há aquele pessoal que quer cobrar para te encher o saco, mas a concentração deles não chega ao nível de Olinda, por exemplo, e ainda sobrevivem as pessoas que têm comportamento normal, que vão puxar papo com o turista sem querer nada além de companhia. E o centro é um lugar vivo, talvez seja apenas nessa época do ano, mas há muitas coisas acontecendo à noite - grupos que passam ensaiando percussão, música na praça de grupos instrumentais locais... gostei. Foi muito bom também sair com o pessoal do Couch Surfing, Mariana que dita as ordens em Salvador, Pedro e Jordan, um inglês de visita. Numa noite fomos a uma borracharia que à noite vira boate e na outra fomos a um bar de flamenco, tocado por espanhóis baianos.
Outra coisa que notei é que entre esse pessoal que faz de tudo para ganhar o dinheiro dos turistas há um subgrupo que acho digno de respeito, que é o das estátuas vivas. Ficam lá parados, sem perturbar ninguém que não quer nada com eles, e ainda são muito mais divertidos. No bar de flamenco, no intervalo da banda no meio da madrugada, com um DJ tocando músicas em estilos aleatórios, apareceu lá uma dessas estátuas e começou a dançar engraçadamente no meio da pista, realmente fez valer a noite. Depois passou com a caixinha e não o vi ganhar um tostão, então lembrei que antes eu tinha encontrado dinheiro no chão do bar. Fui atrás dele, que já estava saindo, dei-lhe a nota de 20 reais, disse que tinha achado no chão mas que ele merecia o dinheiro mais do que eu. Deve ter abençoado minha família até a décima quinta geração, depois quis me convidar para dividir parte do dinheiro tomando cerveja, mas foi expulso do bar por um segurança... :(

Estou agora começando a me irritar com certos casos de discriminação contra os homens, as mulheres lutaram tanto pelos direitos iguais mas continuaram em muitos pontos mais iguais do que nós. A Borracharia, por exemplo (como muitas casas noturnas por aí), cobrava dos homens um preço 50% maior que das mulheres. Em João Pessoa havia uma praia que era supostamente a mais bonita e era de nudismo, à qual não pude ir porque tinha entrada proibida para homens desacompanhados (mulheres desacompanhadas não tinham restrições). Discutindo sobre isso no bar, Anny e Evelyn ainda tentaram argumentar que não era um caso de discriminação, porque eles haviam tido muitos problemas com homens desacompanhados no passado. Posso estar errado, mas ser pré-julgado pelo comportamento passado de outros membros de um grupo do qual faço parte soa a mim como a própria definição de discriminação. Melhor talvez seja abandonar essas idéias (se eu marcar bobeira ainda me taxam de preconceituoso por causa delas), mas antes vou contar um terceiro caso, que além da discriminação apresenta um problema em minha opinião mais grave:
Estava num ônibus para me encontrar com o pessoal do CS, às 22 horas mais ou menos, quando um grupo de policiais mandou que o ônibus parasse. Um deles subiu, deu boa noite e anunciou uma 'operação de rotina', pedindo que apenas os homens descessem do ônibus. Fizeram então com que todos se reunissem em volta do ônibus, com as mãos apoiadas nele e revistaram um por um, depois subindo para dar uma olhada rápida no interior do veículo. Pediram desculpas, disseram que entendiam que o pessoal ficasse irritado, mas que era melhor fazerem isso do que depois sermos assaltados no percurso, que era melhor para nós. É verdade que os policiais agiram com a maior educação possível para a situação e concedo que isso faz uma diferença importante... sem embargo à parábola:

'There's the King's Messenger. He's in prison now, being punished: and the trial doesn't even begin till next Wednesday: and of course the crime comes last of all.'
'Suppose he never commits the crime?'
'That would be all the better, wouldn't it?'
'Of course it would be all the better, but it wouldn't be all the better his being punished.'
'You're wrong there, at any rate, were you ever punished?'
'Only for faults.'
'And you were all the better for it, I know!'
'Yes, but then I had done the things I was punished for, that makes all the difference.'
'But if you hadn't done them, that would have been better still; better, and better, and better!'

Três vivas para a violência preventiva!
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Comments

blanchedubois
blanchedubois on

Discriminação
Senhor Raposa:

Nesses 3 casos de discriminação que vc citou,muito provavelmente as responsáveis não foram as mulheres.

A maioria dos donos de bar ( e borracharias) são homens, não mulheres.

Quem dita as regras no campos de nudismo?

De que sexo eram os policiais?

De qq forma, essa história de igualdade entre homens e mulheres sempre me pareceu história da Carochinha...

Se formos pensar, na maioria das vezes, quem educa os homens somos nós, mulheres.Então,alguma culpa no cartório devemos ter....

renard
renard on

Re: Discriminação
No primeiro e terceiro casos os responsáveis eram homens. No segundo não sei, mas também não faz diferença de que sexo são os responsáveis. Ou faz?

ganesha_v
ganesha_v on

É estatística!
H! Não é questão de discriminação. Isso é questão de estatística! Como vc sempre diz... rsrsrs...

Beijo
Vanessa

renard
renard on

Re: É estatística!
Pois é, eu sempre digo isso mas há uma diferença importante entre preconceito e estatística, quero dizer: é natural e compreensível que se fique apreensivo quando chega um homem sozinho à praia de nudismo se há um histórico de problemas causados por homens sozinhos, o que está errado é fazer restrições aos homens com base nisso. Uma coisa é o impulso, o sentimento ou a vontade (incontroláveis), outra bem diferente é a ação (controlável).
-

blanchedubois
blanchedubois on

Creio que sim...
Se quisermos tentar entender pq tudo no fundo continua na mesma (apesar de muita gente encher a boca pra dizer que tudo mudou),acho que todos os aspectos relacionados a questão podem fazer a diferença.

Na verdade, como não temos certeza do que efetivamente vai fazer a diferença, é melhor olhar a questão por todos os lados.

O fato é: homens e mulheres não podem ser iguais,aliás ainda bem!

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