The Ghost of Corporate Future

Trip Start Nov 14, 2007
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Friday, December 14, 2007

O nordeste sempre foi muito grande na minha cabeça, com distâncias enormes entre quaisquer pontos. Acho que isso é porque do ponto de vista carioca o nordeste começa com a Bahia, e na Bahia é mais ou menos assim que funciona. Mas depois não. Digo, os estados continuam muito grandes para o interior, mas na costa fica tudo pertinho. Quando Érika me disse que passaria uns dias em Natal em dezembro, achei claro que para mim seria impossível encontrá-la. Mas depois vi que o Recife era pertinho de João Pessoa, e que João Pessoa era pertinho de Natal, então fui. Levei cinco horas somando os dois trajetos, uma a menos do que para ir do Rio a São Paulo (e eu acho São Paulo pertinho).
Cheguei no meio da tarde à rodoviária e tinha que chegar a Ponta Negra, onde ficava a pousada. Obviamente não pedi informações a ninguém, porque eu já tinha lido qual ônibus pegar onde e acho muito mais divertido achar os caminhos sozinho. Fiquei um tempão esperando até finalmente decidir perguntar e descobrir que estava no ponto errado. Mais um tempão esperando o ônibus no ponto cerrto, outro esperando ele chegar ao destino e quando desci já era noite. Fui caminhando por uns lugares estranhos à cata da pousada onde Érika já estava, percorri umas ladeiras escuras, desci uma escadaria estreita que parecia terminar em nada e cheguei à avenida da pousada, que nessa parte era de areia. Areia porque a maré estava baixando, nos dias seguintes descobri que na maré alta a avenida era de espuma. Pelo menos a grande faixa de areia molhada refletindo as luzes da cidade dava uma excelente foto ou, para quem não sabe fotografar, uma excelente memória.
Não explorei muito a cidade, ficamos a maior parte do tempo lá por Ponta Negra mesmo, ou caminhando pelas praias próximas, descontado o dia do passeio de jipe... Desde antes de ir a Natal que eu estava me preparando psicologicamente para esse passeio, sempre ouvi histórias macabras dos sobreviventes dele. Do meu ponto de vista fóbico, porque na verdade as histórias todas acabavam bem. Ainda dei a incrível sorte de estar conosco no jipe uma mulher que tinha um medo tão desproporcional que eu fiquei parecendo o cara mais corajoso do mundo. O motorista acabou pegando tão leve que achei o passeio sem graça, até ri da cara da mulher (escondido, claro) - nada como rir da fobia alheia para aliviar a própria. Os lugares visitados no passeio até que eram interessantes [com exceção dos ridículos camelos que cobravam (eles não, seus donos) 25 reais para um passeio de 15 minutos], mas fica-se pouco em cada um. Ainda tive a oportunidade de fazer um papel ridículo na hora de descer o que chamam de 'aerobunda' - uma cadeirinha de pano presa a uma corda por onde se desce do alto de uma duna até se dar com a bunda no lago que fica abaixo. Era opcional a descida, mas não vejo sentido em perder pequenas oportunidades (que não vão se repetir) por fobia - ou se viaja aberto ou é melhor ficar em casa. O pessoal que trabalha ali ficou fazendo troça do tempo absurdo de preparação de que eu precisei antes da descida de seis segundos, tão esticados que posso contá-los claramente:
Sento na cadeira, ouço as instruções e fico esperando. De repente o cara me solta - pernas tremendo, 'É agora', um segundo; cadeira balançando, 'Está muito rápido!', dois segundos; pára de balançar, 'Não olhe para baixo', três; 'Olhe para a frente, para a frente, para a frente, para a frente...', quatro; 'Até que não é tão rápido assim', cinco; 'Afinal era pouco, já acostumei', seis; água. Depois comecei a prestar atenção às pequenas mudanças que faço em meu comportamento por ter preocupações sem lógica e a quantidade é impressionante. Comecei a caçá-las.
Depois ainda fomos a Pipa, passar uns três dias. Em nossa pousada havia um maldito italiano que pensava que era não sei quem, desfilando com uma barba maior do que a minha e ainda por cima usando bengala. Quase fui ao quarto dele durante a noite para cortar sua barba. Tirando isso, até que Pipa foi um lugar bem bom - caminhar pelas praias, passar a tarde encalhado nas poças que se formam quando a maré baixa, tentar em vão ver os golfinhos na baía que leva o nome deles, subir à falésia e ficar deitado à beira do abismo vendo as nuvens passarem, até o céu escurecer e voltar com medo de não ver o buraco e cair lá embaixo. Fiquei feliz de ter desviado meu caminho de novo.

No dia em que deixei Natal completei um mês sem comer carne. Às vezes tenho a impressão de me sentir fraco, mas acho que é principalmente paranóia minha. Continuo perfeitamente capaz de caminhar longas distâncias com a mochila nas costas debaixo do sol. Nessas horas não me sinto nem fraco nem cansado, isso só acontece quando não estou fazendo nada. :) Mas nem sempre é fácil encontrar o que comer, muitas vezes não posso nem escolher, tenho de aceitar o que aparece. Outras vezes tenho de dividir a refeição em pedacinhos - macaxeira e salada aqui, açaí ali, pão com ovo lá e continuando até completar o estômago. Estou aprendendo ainda, de vez em quando é complicado mas estou vivendo...  tem gente que come carne e está morrendo. :P
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Comments

marja
marja on

Viajar para Natal no Natal ...
É sugestivo, depois do seu último relato, mais introspectivo, falando sobre suas crenças pessoais, esta coincidência de destinos com a época do ano! É claro, que apenas no nome ... Enfim, como sempre, foi uma delícia ler o seu relato! Toda sorte do mundo em suas viagens ... e feliz Natal (rsrsrs)

erikapessoa
erikapessoa on

Besta é tu, besta é tu ! =p
Muito mais em vão do que tentar ver os golfinhos foram suas tentativas de pegar uns peixinhos com as mãos =p Jurando que o bichinho era besta ... Vc precisa fingir melhor que é um morrinho pra eles virem brincar em vc =)

Eu já to sentindo falta das piscininhas de águas quentes. Aqui além de só ter águas congelantes, tá um calor danado e tem chovido todo dia.

Continue aproveitando o sol quente e o céu azul com estrelas que tem por aí !

Xero

blanchedubois
blanchedubois on

Megalomania-fetichista de barba e bengala!
Com licença os psis oficialmente credenciados destas paragens, mas vou mostrar que sou uma fenomenal psicóloga de botequim!

Henrique,eeeeeeeeu, euzinha, sempre desconfiei do seu apreço por essa barba! Agora tivemos a confissão pública do incômodo causado por um cidadão europeu que ousou desfilar não apenas com uma barba maior do que a sua ( acinte!), mas com uma bengalaaa! (Pelo que a convivência social com vc me permitiu ver, seu fetiche number 2, salvo depoimento de alguém com maior intimidade.)E logo qdo provavelmente vc não levou aquele guarda-chuva-bengala da sua mãe na mochila!!!

Saiba que esse italiano foi contratado por mim, numa manobra suja e premeditada,pra testar a sua reação!

blanchedubois
blanchedubois on

Curiosidade na platéia...crises de identidade
Essa restruturação pela qual passa o Henrique está me afetando!!! Já não sei mais quem sou eu e quem são vocês!!! rs

Estou curiosa....

Quem é Ganesha? Quem é Coccinelle, com esse nick fofo? (Ah, Ganesha tb é bem fofo!)

Quem são os outros? Quem é quem aqui???!!!! Eita pergunta difícil....rs

Bjs a todos!

ganesha_v
ganesha_v on

Quem é Ganesha?
Hmmmm...

'Ganesha é o primeiro Deus a ser reverenciado em todos os rituais Hindus. Está nas portas dos templos e casas protegendo as suas entradas. Ganesha é o Deus que remove todos os obstáculos, ele é o protetor de todos os seres. Ele também é o Deus do conhecimento. Ganesha representa o sábio, o homem em plenitude, e os meios de realização. Sua figura revela um significado profundo e necessita ser desdobrada.' (http://www.yogalotus.com.br/ganesha.htm)

Rsrsrsrsrs...

ganesha_v
ganesha_v on

Sans sujet
Imagino que você sentiu falta das perguntadeiras de plantão... Se elas estivessem ali, hum, você tinha economizado um tempo magnífico. Pois bem, mas para que economizar tempo? Você tem todo o tempo do mundo mesmo...
Poxa, bem que dizem que as dunas de Natal são bem mais emocionantes que as de Fortaleza. E pra quem tem um medo sem igual de brinquedos de parques de diversão até que você se saiu bem... Nem precisa mais ir nas de Fortaleza.
Pode ser que a fraqueza não seja só paranóia...haja macaxeira e açaí (adotou de vez, né... ainda bem que eu o apresentei antes que desmaiasse descendo essas dunas).
Ihhh...ficou irritadinho com o barbudo italiano e bengaludo .rsrsrsrsrs...

Beijo

Vanessa (viu, Ganesha é quase Vanessa (para os curiosos ;), mas não é só isso) :P

blanchedubois
blanchedubois on

Eu sabia!!!!
Bem que eu pensei em colocar um parenteses dizendo ' não o Ganesha do hinduísmo,mas o/a Ganesha daqui!'

Ô Ganesha daqui, eu acho o Ganesha tão fofo que até tive um sonho pra lá de realista( com direito a dor e tudo) sonhando que eu tinha tatuado um Ganesha enorrrrrrme, lindo e colorido no braço!!!

Obrigada por ter se apresentado! ;-)

renard
renard on

Alhos ou bugalhos
Ganesha já se apresentou, mas Coccinelle não é daqui, ela comenta é no blog de Betuca. Estou vendo que a confusão foi grande. :P

blanchedubois
blanchedubois on

Re: Alhos ou bugalhos
Acabo de levar bengalada da raposa felpuda,tóiiiiim! rs

É que eu tenho por habito ler o blog de um e imediatamente depois entrar no do outro!

Bjs

Analu



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