25%

Trip Start Nov 14, 2007
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Friday, December 7, 2007

`Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe;
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.

Como Vanessa disse em seu comentário, faltou falar dos meninos de Porto de Galinhas que fazem origami com capim e ainda não aprenderam a ser formigas. Faltou falar da lenda dos tubarões de Boa Viagem, que supostamente foram para lá depois que o estabelecimento de um porto próximo devastou a área de mangue onde eles se alimentavam. Faltou também o que ela não disse, como a estranha concentração alta de finlandeses nessa área. Um estava hospedado na mesma pousada que nós em Olinda. Outro dia, em Porto de Galinhas, entrei numa loja vestindo minha camisa preferida e o atendente me perguntou se eu falava o suomi, disse que o dono da loja estava aprendendo. Devem ter faltado outras coisas também, meu tempo na área de Recife rendeu.
Eu devia estar falando de João Pessoa, mas as duas cidades ficam tão perto que uma acaba vazando para a outra. Recife é que é a metrópole, João Pessoa é quase periferia. Digo quase porque não se aplica a conotação negativa que a palavra absorveu com o tempo. Mas o carnaval, por exemplo, acontece em Recife, João Pessoa só tem pré. Os prédios enormes estão em Recife, na orla de João Pessoa não se pode construir um prédio com mais de quatro andares. A violência urbana ficou em Recife também, lá eu não via ninguém andando na rua à noite. Karina falou que as pessoas tinham medo de ir a qualquer lugar a média distância ou mais depois de escurecer, a não ser de carro. João Pessoa não é a cidade mais tranqüila do mundo, mas se pode andar a pé. Até quem me hospedou, o Stênio, vive indo a Recife, Karina é que me indicou ele.
Passei quatro dias em João Pessoa. No primeiro fiz um passeio pelo centro histórico com Stênio, com direito a explicações sobre a história da cidade. No terceiro dia, fui caminhar pela praia, até a Ponta do Seixas, extremo oriental do Brasil e, de quebra, da América continental. No quarto caminhei na praia também, mas na outra direção. Eu queria ir à praia fluvial, onde dizem que ao pôr do sol os bares param de servir, todos se calam, as árvores fazem uma reverência, o céu se abre todo e surge do nada uma figura misteriosa flutuando sobre o rio envolta num manto colorido tocando o Bolero, de Ravel. Não cheguei a tempo, o sol se pôs antes, então pode ser que eu esteja aumentando um pouco a história a partir do que me contaram. Melhor assim, dificilmente a realidade seria melhor que a imagem.
O segundo dia não existiu, eu tive de pagar o crédito de horas que antecipei para a noite de segunda, que passei inteira num bar com Anny, que encontrei no Couch Surfing e Evelyn, companheira dela de apartamento. Parece que sempre que vou a um bar na segunda só consigo sair depois do sol.
Essas conversas de bar funcionam assim: a conversa começa igual a todas as conversas entre gente que não se conhece - em perfeita ordem e sem graça nenhuma. Conforme o tempo passa e as garrafas se esvaziam, um pouco de caos é adicionado a conversa, o que a deixa progressivamente mais interessante, até que se atinge uma faixa estreita no contínuo ordem-caos onde o assunto fica melhor do que qualquer assunto passível de discussão sóbria, todo o mundo tem idéias geniais e elas se encaixam perfeitamente. Mas com um pouquinho mais de bebida, fura-se a beira do caos e a conversa vai se degenerando rapidamente, até chegar ao limite em que todos falam ao mesmo tempo e ninguém sabe o que não está ouvindo. Ainda bem que os bêbados não rasgam dinheiro - podem falar todo tipo de asneiras e correr riscos idiotas, mas dificilmente fazem o que não querem. Bom, espero que seja assim. :P
No mais, quero dizer aqui que todos os nomes que mencionei nesses primeiros 25% foram em tom de gratidão - pela ajuda prestada por quem me ajudou mas, mais importante, pelo tempo partilhado.
Daqui para a frente desisto do caos. Quero mais estar à beira, onde tudo faz sentido - até o que parece não fazer toma algum emprestado.
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Comments

ganesha_v
ganesha_v on

Galo da Madrugada
Então...muitas coisas faltaram.
Essa praia fluvial deve ser o fim da era dos tempos. Uma figura misteriosa flutuando...hmmm...um espelho de nós mesmos ou será a ética tomando forma de Ravel?
João Pessoa, pela sua descrição me parece um lugar um tanto melhor que Recife. Só pelo fato de os prédios terem no máximo 4 andares na praia... Nesse ponto o melhor está em J. Pessoa. Onde já se viu prédios de 40 andares numa orla de praia? Só em Recife mesmo com seus tubarões, violência, e com o melhor do Carnaval em Olinda. Porém, o bloco Galo da Madrugada em Recife é famoso. Não deixe de ir.

ganesha_v
ganesha_v on

Uuaaaaaaaaaahhhhhhhh
Uuuaaaahhh....nham, nham, nham...iso aqui está dando sono... Uuaaaaaahhhhhhhh...
Feliz Natal... uuaaaaaaahhhh

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