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Trip Start Nov 14, 2007
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Flag of Brazil  ,
Sunday, December 2, 2007

Peguei carona com Fernanda e Érika até Eunápolis, ponto mais próximo de onde partiam ônibus diretamente a Recife. Enquanto comprava a passagem, ainda em Porto Seguro, Érika me informou que n primeira noite eu seria hospedado por Reginaldo, meu mais novo amigo de infância. A primeira vez que o vi foi num bar, a convite de Betuca, onde conheci também várias outras pessoas. Depois essas outras ficaram me perguntando de onde eu conhecia 'aquele meu amigo' - deve ter sido o efeito de sair do bar com o sol nascendo a criar essa impressão. A segunda vez foi por acaso, em outro bar, fomos os primeiros a chegar e estávamos esperando a mesma pessoa. A terceira vez foi na casa dele em Recife, quando cheguei às seis da manhã.
Passei essa primeira manhã passeando pela ilha original da cidade e depois fui dar uma volta em Boa Viagem. Aí é que eu vi como é o sol por aqui - amolece os miolos na hora e torna a pessoa incapaz de pensar ou de fazer qualquer coisa diferente de procurar uma sombra - tive de me refugiar no shopping até o sol baixar. Depois saí para tomar uma cerveja com Reginaldo e Gabriela, outra amiga de Betuca.
Na manhã seguinte fui me encontrar com Vanessa, voando do Rio, no aeroporto e tomamos um ônibus para Porto de Galinhas, onde passamos alguns dias entre as piscinas naturais da praia de mesmo nome, formadas por recifes (demos sorte de chegar numa época de maré particularmente baixa); caminhada até o Pontal de Maracaípe, com direito a tomar banho no encontro do mangue com o mar e a torrar completamente a pele de minhas pernas e pés; e um passeio de bugre pelas redondezas.
Depois fomos a Olinda, passamos a primeira noite no albergue, de onde fomos expulsos por um grupo gigante de mulheres paraibanas, que vinham para um congresso de enfermagem e haviam reservado quase todas as vagas, então nos mudamos para uma pousada que era também casa e atelier. O centro histórico de Olinda é uma cidade de ateliers, deladeiras, casas coloridas, igrejas e bonecos gigantes, que ficam escondidos, se guardando para quando o carnaval chegar.
Na segunda noite em Olinda fomos sair com Karina, que é uma lenda do hospitality club e do couch surfing - desde que entrei, ela sempre figurou como uma das pessoas mais ativas do Brasil. É uma pessoa excelente também - já fez tudo, já viajou tudo e ainda é jovem. Não sei como conseguiu, mas quando eu crescer, quero ser que nem ela. E muito simpática, até me deu bronca por não ter pedido hospedagem a ela em lugar de procurar albergue, na hora se ofereceu para nos alojar. Ficamos lá até o final, Vanessa voltou para o Rio e eu no dia seguinte rumei a João Pessoa.

Gostei desses lugares que visitei, mas são também um tanto pasteurizados. Na praia de Porto de Galinhas, a cada passo vem alguém oferecer uma das barracas que ocupam toda a faixa de areia - não se paga nada contanto que se faça uma refeição bem cara ali. E apesar de serem todas iguais, cada barraca é melhor que as outras. Todos dizem que a sua é a que tem mais espaço, ou que fica na melhor posição para se ver o mar com tranqüilidade. Até se pode ficar bem tranqüilo sentado à sombra da barraca, fora delas é que não. Uma dessas pessoas que trabalham nas barracas teve um lampejo de consciência da própria chatice e perguntou se já não agüentávamos mais tanta gente oferecendo barraca. Quando respondemos que sim, ainda ofereceu a dele. Em Olinda é mais ou menos a mesma coisa, só que as pessoas oferecem visitas guiadas pelo centro histórico, ou pousadas baratas, ou restaurantes, ou o que eles acharem que você quer na hora. Seria ótimo ter alguém para nos guiar, mas não esses caras que têm o roteiro e texto decorados e ficam espreitando nas esquinas para abordar os turistas incautos. É tudo muito rígido, muito igual. Vou até surrupiar mais um texto que eu gostaria de ter escrito (mas não vou dizer de quem é, ou não seria roubo), agora que já abri o precedente:

I don't want to be an ant. You know? I mean, it's like we go through life with our antennas bouncing off one another, continously on ant autopilot, with nothing really human required of us. Stop. Go. Walk here. Drive there. All action basically for survival. All communication simply to keep this ant colony buzzing along in an efficient, polite manner. "Here's your change." "Paper or plastic?' "Credit or debit?" "You want ketchup with that?" I don't want a straw. I want real human moments. I want to see you. I want you to see me. I don't want to give that up. I don't want to be ant, you know?

Eu ia até parar por aqui, depois de já ter me perdido demais no que escrevi, mas agora que pus esse texto aí lembrei uns artigos que eu li sobre o surgimento de padrões complexos a partir de células que seguem regras simples. Um exemplo de que gostei muito era sobre robôs formigas, que seguiam um programa simplíssimo (até eu entendi :), mas em colônia conseguiam alguns feitos interessantes, como dar uma solução satisfatória ao problema do caixeiro viajante (que até onde sei continua sem um algoritmo que leve à solução perfeita).
É por isso que eu sou do contra - não quero seguir um conjunto de regrinhas que vai me pôr como parte de um sistema maior que eu mesmo não vou entender. Não é dizer que sem seguir regras não se vá fazer parte de outros sistemas, que isso acontece sempre, mas não se funda um sistema estável sobre células de comportamento caótico.
Num dia desses, enquanto eu e Vanessa caminhávamos pelas ruas do Recife, veio um homem rindo em nossa direção. Ao passar por nós, exclamou 'filho do Bin Laden!' e seguiu rindo.
Andar de barba é uma experiência antropológica interessante, sei que fico melhor sem, mas não vou tirar nem aparar nem fazer nada. Ou um dia faço, sou a favor do caos. Sejam outras as pedras fundamentais. I don't want to be an ant, you know?
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Comments

betuca
betuca on

minha terra...
Fala Henrique!

Muito bom ver suas palavras sobre terras que eu conheco tao bem. Esse negocio dos caras pentelhando (nas areas turisticas) eh muito chato mesmo, parece ate que os caras foram estudar em Marrocos! :)

Muito boa a descricao do sol tambem, mas tu se ligasse que a sombra tambem parece diferente? Assim, mesmo quando esta quente pra cacete, se o cara passar uns 10 minutos na sombra tudo parece otimo! nem parece que esta tao quente. Ao menos eh essa a minha impressao!

Pois eh, filho de Bin Laden, siga a sua caminhada e siga divivindo-a conosco! E, nao se esqueca, never will you be an ant! I'm quite sure about that! :)

Abracos.

Betuca.

marja
marja on

Ser ou não ser formiguinha, eis a questão!
Seja uma formiguinha independente, com barba no meio dos sem-barba, mas, não se esqueça da trilha de volta ao seu formigueiro-natal (Rio de Janeiro?)

rac
rac on

Bela Viagem...
O importante é se divertir e ser feliz!
Boa Sorte!!! Aguardo mais aventuras, Bin.

anapdan
anapdan on

formigas
Adorei a estória das formigas. É sempre bom sair do formigueiro de vez em quando para ver o resto do mundo e mudar o que for necessário. Mas, fora a questão estética, tenho uma pergunta funcional: vc não morre de calor com essa barba, não??? eheh!
Beijocas! É bom saber que está aproveitando essa viagem ao máximo.
Ana

ganesha_v
ganesha_v on

Um novo formigueiro
Vou aqui blá, blá, blá um pouco, já que participei desse negócio também....

Dividir essa viagem com o Henrique foi muito bom. Um ótimo companheiro para viagens.
Há muitas coisas que ele deixou pra trás, mas entendo perfeitamente o motivo. Vou acrescentar algumas coisas... Posso?

Porto de Galinhas é pasterizado e lindo!!! Um desses lugarejos interioranos voltados para o turismo de massa. Aliás, segundo algumas pessoas, cresceu mais dos 5 anos pra cá. É bom pra curtir bem o dia, fazer passeios pelas praias, ver paisagens extremamente variadas...O mar forma piscinas e tem águas quentes e transparentes, os peixes vêm comer na sua mão... Mas como praia acaba sendo igual em qualquer lugar (né, Sr, H?), depois que a maré sobe, pronto! Acabou-se a alegria! Sim, praia é igual em qualquer lugar na maré alta.

E realmente, o povo é muito incisivo. Eles só não te carregam pra te colocar na cadeira porque seria invasão de privacidade. Mas até entenderia se eu trabalhasse ali, já que os meses de maio a setembro são praticamente chuvosos na região. Não sei o que fazem eles. Ele não disse sobre os peixes que ganhamos, as rosas, a barata e o beija-flor. São souvenirs instantâneos que duram um momento. O peixe é 'pura diversão'. São pequenos bichinhos de um tipo de capim feitos por crianças, provavelmente os filhos dos pescadores ou dos atendentes das barracas ou dos donos das jangadas ou dos bugreiros. Eles ficam rodeando a praça mais movimentada fazendo esses souvenirs e entregam para as pessoas. O mais legal é que eles ainda não são incisivos como os outros de lá, e os daqui, e não lhe pedem um centavo por terem feito aquilo. Mas as pessoas se mobilizam, e eles sabem disso. Eles demoraram quase o tempo todo em que estivemos lá pra nos dar algo, mas também quando nos descobriram....ahá! Ganhamos todos os modelos!!! Bom, de pernas torradas ao derretimento do corpo, o lugar é belo e encantador. Ahhhhhh!!! A tapioca! Suco de cajá ou taperebá?

Em Olinda... sim, todos também muito incisivos pra te carregar e conhecer a cidade. Isso é chato mesmo. É, os bonecos ficam todos guardados e escondidos para quando o Carnaval chegar... até a Casa dos Bonecos estava fechada para visitas.. Que lástima! Estão descansando...Muitas igrejas, sobe-e-desce de ladeiras, queeeennnnte, o Patrimônio Histórico Nacional, né... o calor faz parte da história também!

Recife.... a lenda dos tubarões da Boa Viagem... faltou essa! Existe um medo crônico sobre a presença deles... Acreditamos que eles não existem, mas ninguém foi lá pra tirar a prova. Teve o Recife antigo... parece até um espaço fantasma, segregado de todo o resto da cidade.

Às vezes funciona ser uma formiga, mais pra quem é incisivo do que pra quem é incitado por elas. Quem é incitado, foge delas e nem chega perto de suas antenas, ou não. Quando você descobrir como não sê-las, me diga que seguirei incitando os outros e formando um caminho diferente, num novo formigueiro.

Beijo!

p.s.: xiii... ficou grande isso... excuse-moi. Tá, eu faço um blog só pra mim... :P

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