India: evite, se puder
Trip Start
Dec 20, 2005
1
22
49
Trip End
Feb 08, 2006
India: evite, se puder
Nova Delhi, Jaipur, Agra, Khajuraho e Varanasi. Ja basta.
A civilizacao hindu nao convence. Suas cidades parecem ter recem-saido de uma guerra e um terremoto, simultaneos e arrazadores. Em toda parte, ruinas, devastacao e miseria. Nada se salva. Nada pode ser feliz num pais que cambaleia no limiar da fome e da morte. O hinduismo reivindica muitos achados religiosos, mas ajudou a guiar a India a uma permanente hecatombe.
(Alguem disse - acho que foi o Julio - que o filme Mad Max poderia ser filmado na India, sem o artificialismo de cenarios. Discordo, respeitosamente. A India precisaria melhorar substancialmente para poder retratar, sem sustos, um mundo pos-hecatombe nuclear).
1.000.000.000 de famintos, morrendo entre vacas, porcos e macacos nutridos, mas intocaveis. Jurado de morte, o hindu existe, copioso. Para que?
No caminho entre Delhi e Jaipur vi silhuetas de predios corporativos em fase de construcao. O fog e a miseria do entorno conspiravam para fazer-me ver fantasmas bruxuleantes, que ardiam por entre esqueletos de futuras sedes de negocios.
Nao entendo os hindus. Apos alguns dias em sua convivencia, talvez nao queira.
Sua horrenda escalada no subcontinente nao os favorece. A densa trama de pessoas desarvoradas compoe um quadro de repulsiva repeticao. Na India, nao ha chance para o homem.
Viver com menos de um dolar por dia. Ha um sofisma irredutivel nessa frase, que remete diretamente as mansoes da morte.
Alguns vem a India para confirmar suas fantasias misticas. Chegam plenos de um fervor previo. Nao fosse essas crencas, veriam o impossivel show de horrores que a India prodigaliza.
Vacas disputando o lixo com mendigos; pessoas que fedem a urina e suor de meses; astutos porcos e patos esperando mendigos defecarem para comer-lhes os excrementos. A civilizacao se contorce e produz sub-humanos de grande dor.
Comerciantes, hoteis e empresas de turismo respeitaveis praticam respeitabilissimos golpes contra seus clientes. Vendedores de qualquer coisa espreitam em cada esquina. Nuvens de indigentes se englomeram a sua volta e cobram uma esmola, um comercio.
Cada sagrada vaca expele na atmosfera 600 litros de metano/dia, por meio de sagrados puns. Os indianos tem milhoes de indolentes vacas, cheias de bernes, carrapatos e vermes. Apos errarem pelas cidades, terminam carneadas por cachorros. Sua cozinha, um interminavel desfile de migalhas de frango abusadas por pimentas ilicitas, completa o quadro dissoluto dessa civilizacao, que ja foi mais bem representada.
Como afirmou Borges a respeito da Cidade dos Imortais, da miseria indiana talvez possa ser dito: enquanto existir, ninguem no mundo podera ser valoroso ou feliz.
Delhi, 5 de janeiro de 2006.
Gerson Noronha Mota
Nova Delhi, Jaipur, Agra, Khajuraho e Varanasi. Ja basta.
A civilizacao hindu nao convence. Suas cidades parecem ter recem-saido de uma guerra e um terremoto, simultaneos e arrazadores. Em toda parte, ruinas, devastacao e miseria. Nada se salva. Nada pode ser feliz num pais que cambaleia no limiar da fome e da morte. O hinduismo reivindica muitos achados religiosos, mas ajudou a guiar a India a uma permanente hecatombe.
(Alguem disse - acho que foi o Julio - que o filme Mad Max poderia ser filmado na India, sem o artificialismo de cenarios. Discordo, respeitosamente. A India precisaria melhorar substancialmente para poder retratar, sem sustos, um mundo pos-hecatombe nuclear).
1.000.000.000 de famintos, morrendo entre vacas, porcos e macacos nutridos, mas intocaveis. Jurado de morte, o hindu existe, copioso. Para que?
No caminho entre Delhi e Jaipur vi silhuetas de predios corporativos em fase de construcao. O fog e a miseria do entorno conspiravam para fazer-me ver fantasmas bruxuleantes, que ardiam por entre esqueletos de futuras sedes de negocios.
Nao entendo os hindus. Apos alguns dias em sua convivencia, talvez nao queira.
Sua horrenda escalada no subcontinente nao os favorece. A densa trama de pessoas desarvoradas compoe um quadro de repulsiva repeticao. Na India, nao ha chance para o homem.
Viver com menos de um dolar por dia. Ha um sofisma irredutivel nessa frase, que remete diretamente as mansoes da morte.
Alguns vem a India para confirmar suas fantasias misticas. Chegam plenos de um fervor previo. Nao fosse essas crencas, veriam o impossivel show de horrores que a India prodigaliza.
Vacas disputando o lixo com mendigos; pessoas que fedem a urina e suor de meses; astutos porcos e patos esperando mendigos defecarem para comer-lhes os excrementos. A civilizacao se contorce e produz sub-humanos de grande dor.
Comerciantes, hoteis e empresas de turismo respeitaveis praticam respeitabilissimos golpes contra seus clientes. Vendedores de qualquer coisa espreitam em cada esquina. Nuvens de indigentes se englomeram a sua volta e cobram uma esmola, um comercio.
Cada sagrada vaca expele na atmosfera 600 litros de metano/dia, por meio de sagrados puns. Os indianos tem milhoes de indolentes vacas, cheias de bernes, carrapatos e vermes. Apos errarem pelas cidades, terminam carneadas por cachorros. Sua cozinha, um interminavel desfile de migalhas de frango abusadas por pimentas ilicitas, completa o quadro dissoluto dessa civilizacao, que ja foi mais bem representada.
Como afirmou Borges a respeito da Cidade dos Imortais, da miseria indiana talvez possa ser dito: enquanto existir, ninguem no mundo podera ser valoroso ou feliz.
Delhi, 5 de janeiro de 2006.
Gerson Noronha Mota



