Back Home (Part VI): Portugal Hospital

Trip Start Jun 16, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Saturday, February 4, 2012

Eu acabo por nunca ir ao hospital. Não falamos de especialidades, como dentistas e oftalmologistas ou...amigos.
Primeiro porque não tenho tempo para estar doente . É uma perda de tempo, mesmo em sede de “baixa”, com todo o tempo livre que daí pode advir. Psicologicamente há sempre algo que passa, existe sempre a elevada probabilidade de, no final dessa “baixa” já estar a sentir uma pontadazinha, uma indisposição ligeira, uma cólica desagradável.
Segundo, porque, mesmo que esteja doente, é preciso ter falecido para que, se calhar, seja boa ideia ver um médico.
A excepção que admito abrir é para amigos e pessoas especiais. Aí sim, pode ser agradável, em vez de ir ali à beira Tejo beber um copo de vinho ou de tomas uma cerveja com aquele pôr do sol, ir ali ao Amadora Sintra, à sala de triagem beber um café ou apanhar um bronzezinho artificial numa marquesa forrada a papel vegetal. Também gosto!

Não foi por alternativas mas hoje (ou talvez daqui a dois dias, mas dá-me jeito que seja hoje porque senão este post ficava de fora) decidi confirmar que os hospitais são, de facto, uma alternativa fraquinha a tudo o resto. Especialmente quando se padece de algo. Não é um sitio bom para estar, o café é mau, os bolos são secos, não se fazem amigos, as pessoas apinham-se em apertados espaços, invadindo a área limite de proximidade pessoal, está cheio de bombeiros e senhores da prossegur que não percebem o que estão ali a fazer e um bilhete para visitar um evento neste local, é francamente caro. Sem cartão da casa, o consumo é de 125.5€. Pode ser, no entanto, reembolsado se se arranjar um contacto do franchise, no país de origem.

A visita é dividida em etapas, em níveis como em jogos de computador (não há é “bosses”).
Depois de constar que, à hora de almoço está mais gente doente (que deveria ser precisamente ao contrário, tal como acontece nas férias ou nos feriados com ponte, esse milagre da medicina que deixa toda a gente a respirar ar fresco, longe de queixas ou maleitas) através da fila de quinze minutos apenas para o registo inicial, pagámos o consumo mínimo e esperámos na “sala de espera” para que nos chamassem para a triagem. Pensava no que vi lá fora: uma fila de carros, onde inseri o meu, enfileirados numa curva lindíssima, decorados com o clássico ticket da polícia de segurança pública que agora também já mantém a ordem em locais perfeitamente desordeiros como jardins de hospitais ou rectas de terra batida perto quaisquer unidades de cuidados intensivos. Como é que eu faço para fazer um donativo em jeito de homenagem a este valiosíssimo serviço público?
Já não me lembrava de várias coisas: do número ridículo de gente que usa o hospital ao mínimo sintoma do que quer que seja (estes casos contam-se pelo elevado número de pulseiras verdes na sala de espera); do claustrofóbico espaço que constitui essa tal sala em que as pessoas podem ficar actualizadas nos seus sintomas ou mesmo receber um ou outro upgrade de indisposição, só por estarem a partilhar aquele espaço respiratório com o senhor tuberculoso do lado; da forma nada expedita com que a triagem acontece, a duração de duas horas para receber uma pulseira de prioridade máxima é, no mínimo grave...será que é necessário criar uma nova banda de “em risco de falecimento” para ser observado quando existe uma alergia que continua a inchar o corpo?!

Passadas três horas no total, a senhora doutora diagnostica uma alergia e a correspondente sessão de cortisona. Este processo é precedido de um diagnóstico através da administração de uma substância que deve revelar a existência da tal alergia. O “entre-fases” é passado em dois lugares: no marinar de sintomas da sala de espera e junto à sala de observação nas urgências. Já neste último espaço, cateter no braço, e braço no balcão enquando se esperava por um shot de cortisona (decidi não tomar nada hoje), há uma senhora inquilina da sala circundada de camas isoladas por cortinados, que é colocada numa cadeira sem costas, por uma enfermeira e uma familiar. A senhora apresenta-se com muita dificuldade, muito imóvel e parece não ser capaz de responder à genica das outras duas pessoas. O momento foi de terror. A senhora tem um ataque, e os espasmos levam ao desequilibro das duas pessoas que a ajudavam. A senhora vai caír. Estamos a dois metros, acudimos prontamente, sem pensar em mais nada, em cateteres nos braços ou em sopapos na cara de punho fechado que é possível apanhar quando se tenta amparar um ataque em queda deste tipo. Já no chão e medianamente amparada, com o cateter ainda no braço não escarafunchado, a familiar desiste e tem também um ataque de ansiedade, temendo que o pior tivesse sucedido naquele momento. Não aconteceu. A senhora de idade foi levada prontamente numa maca. E dentro de cinco minutos, estava a ser administrada a dose de cortisona de prevenção à tal alergia administrada.

Foi, no entanto, necessário estar em Itália para uma reavaliação concluir sobre a inexistência de qualquer alergia. Tratava-se de uma bactéria. Concluo que não posso levar nunca mais convidados a hospitais portugueses.
O choque de realidade é enorme, é caríssimo, 70% do tempo de consulta é passado pela doutora a inserir dados num computador à velocidade estanque de dois indicadores à vez, e existe o risco real de se sair de lá pior do que como se havia entrado.
Hoje éramos para ir a Sintra. Mas acabamos por conhecer o Amadora-Sintra. Em todo o seu esplendor.
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Comments

Joana on

Ola! Opa, ja acabaste a viagem... Eras o rei do meu google reader em entradas! Entao nao passaste por Amesterdao... Nem por mil outros sitios que estariam realmente no plano, se o houve.
Obrigada pelos momentos de entretenimento e partilha!
Obrigada por teres continuado a escrever e relatar as aventuras. Em muito menor escala, as vezes sinto que tenho de escrever no blog pelos outros, mas a quantidade de vezes que la volto para dar referencia a outra pessoa relembra-me que escrevo para mim e pq gosto :) quem nao gostar, nao leia!

Joana on

Em relacao a Milao, todos me diziam que a cidade era feias mas eu gostei muito!
So estive um fds mas tinha dicas de quem la viveu por isso comi que nem rainha em trattorias maravilhosas. Optimo para compras, coisas de gajas, mas em plena epoca de saldos, teria sido um perigo se tivesse uma mala maior!
Acho muito bem que des prioridade à moça ( ha coisas que se nao tiver acento nao fica nada bem) e certamente te vai proporcionar novos posts, quica mais privados e nunca tornados publicos, nao deixa de ser uma aventura arriscada e relacoes internacionais ( suponho que ela seja italiana) nao sao assim tao faceis.
Caso continues c vontade de partilhar a vida de emigra, avisa a comunidade do novo blog!
Por agora sera descanso e novas descobertas...
Boa sorte!
Bjs da cidade que tem muito mais que canais, erva e gajas na montra vermelha ( as vezes sao gajos, pois)
Joana

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