The cleaning crew

Trip Start Jun 16, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed
Lili and Alex's place

Flag of Brazil  , State of Rio de Janeiro,
Tuesday, January 17, 2012

Como é que se mantém impecável o soalho de, por exemplo, uma residência de verão de um imperador brasileiro de há dois séculos atrás? Das duas, uma: contratam-se as senhoras da “Vadeca” para aparecerem pelo lusco fusco ou abre-se o palácio ao público!

A visita ao museu imperial em Petrópolis, antiga residência de verão do segundo imperador do Brasil D. Pedro II, é, para além do testemunho histórico que nos leva de volta ao século XIX, ao salões cheios de etiqueta, bons costumes, papeis estereotipados e bem definidos, recepções majestosas e uma parede de formalidade impessoal, entramos num divertimento de “feira popular”. À entrada são-nos fornecidos umas pantufas para calçar por cima do calçado. As tais pantufas dizem-se para evitar a degradação do soalho do museu. E “devemos sempre usa-las, excepto quando tivermos uma passadeira de alcatifa, escadas acima”.

As pantufas retiram praticamente todo o atrito e aderência entre os pés e o chão. Rapidamente o que acontece é que um museu sério e reputado se transforma num skate-park em que miúdos e graúdos (excepto o senhor de idade, meio manco, que, em completo desrespeito pela lei local, se passeava do alto do atrito total da borracha das suas solas) deslizam com um sorriso meio-rasgado na cara, como se tivessem numa segunda temporada de neve este ano, como se estivessem numa arena de carrinhos de choque.
Esta situação é ilusória. O excesso de adrenalina pelas velocidades de corredor atingidas faz-nos abstrair do que realmente se está ali a passar: uma situação de trabalho temporário de limpeza e lustro em caracter contínuo. Para além da permanência, os individuos ainda pagam para trabalhar...e ainda devem de lá saír com a sensação de que foi uma boa sessão! Tanto se fala precariedade de trabalho e sub-contratações marginais que esta situação, apresenta boas condições para passar incólume, despercebida.

Para as estatísticas do museu, não vai figurar o 1.000.000º visitante. Antes falamos da 1.000.000ª mulher a dias, que, como todas as outras, é despedida sem aviso prévio, no fim do próprio dia. Se não fosse uma tarefa tão leve, pela enorme concentração de “colegas” nas imediações, eu preveria, para muito breve, uma manifestação sindical. Ou então isto não passa de parvoíce.
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