The biggest shit hole...

Trip Start Jun 16, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed
Familia Nº3 hospedaje

Flag of Honduras  ,
Monday, December 26, 2011

 

Comecei o dia com um apagão de sentidos! Aquele pequeno-almoço de berma de estrada sabe a sal com cloreto de sódio! Pornográfico! A minha língua entrou em dormência. Será complicado distinguir sabores num futuro próximo. Deveria ter ido à outra barraquinha dos frangos fritos (claro, nutritivo pequeno-almoço para começar bem o dia) do senhor simpático. Mas, por algum motivo, assumi que não forrava o suficiente. Forraria. E deixava de ter peta-zetas a morar nas cavidades da língua durante várias horas a fio.




Entretanto, o que é que vai ali? Uma freira ao volante de uma carrinha de caixa aberta, o domínio do homem (com um toque divino) sobre a máquina. Assim também eu. Mas uma fotografia gira com a congregação a confiar. Será que devolve impaciência ao transito quando é impossível transitar porque estão a carregar uma camioneta com todo o tipo de mercadorias, por meia hora? Só de passagem, funcionou bem.




Já vou a caminho da fronteira com as Honduras. Não fico. O plano é passar directamente para a Nicarágua. As recentes histórias de roubos à mão armada e a expectativa de encontrar amigos no sul da Nicarágua desenharam este plano recentemente. Mas talvez não seja tão expedito como previsto, chegar ao outro lado do horizonte hondurenho: a dez minutos da fronteira, ainda na Guatemala, anuncia-se D.Sebastião...pelo próprio veículo que nos transportava. O fumo acompanhado por um cheiro queimado diz que a carrinha está prestes a explodir. Não estava. Mas quase. Parámos na berma da estrada. Motores abertos, mas o fumo vem da roda traseira. Não é que seja um clássico, mas aqui e ali, os carros terem furos, engasgarem-se ou deixarem de obedecer tem acontecido. Quando tentam ligar a carrinha de novo, aí então é que voltei a ver um vulto, talvez o senhor desaparecido da costa africana, ainda mais espesso, desta vez. Mas, desenrascanço também mora aqui. Pedimos boleia a um outro autocarro, lugares quadrados no chão do corredor e segunda fila para assistir à prega do dia. Senhor, de bíblia em punho, espalha a palavra por aquela cabine abafada.




Finalmente Honduras. Quando chegamos, as histórias de locais caem em catadupa. A literal frase em comum de todas: “não fiquem aqui, é demasiado perigoso”. Continua “No outro dia, estava num autocarro local, uma carrinha de três homens pára o autocarro e literalmente limpa tudo o que estava lá dentro. Fiquei sem tudo, passaportes e documentos. Ia viajar para os EUA na semana seguinte, tive de adiar...para além do dinheiro que me levaram”. Outro acrescenta: “Se resistes, dão-te um tiro, não querem saber. Uma vida não vale nada aqui”. “Não fiques em San Pedro Sula, esta é uma das cidades mais perigosas da América Latina...Tegucigalpa, melhor, mas também não é bom”. Roger That! Obviamente que há que tentar atravessar para a Nicaragua, mas alguém teve encolhendo as horas do dia com todos estes tropeções. O resultado natural foi chegar à capital, Tegucigalpa, às 21 horas, quando é quase uma contra-ordenação grave caminhar pelas ruas da cidade. Perigo. Olhar para todos os lados, incluindo para cima (podem lançar umas cordas e descer, os ninjas que andam por aí).




Em frente ao terminal de autocarros, há dois pares de posadas para todos os gostos: desde o mau ao extremamente péssimo! É só escolher o nível de serviço e pagar de acordo. Fui com o Martin desafiar as leis da higiene e entrar naquele negócio de família. Onde é que está a latinha para atribuír a “espelunca de ouro” a este estabelecimento. Como é que se vê (entre um outro número de critérios, claro) que uma hospedagem ou guest house é de qualidade ínfima? Se não for possível (por níveis históricos de repugnância) andar descalço nesse espaço. Como primeiro nível desta avaliação, tente-se entrar, à mesma de pés desnudos, na casa de banho pública e tocar em algum dos instrumentos que estão ao dispor do convidado para utilizar nessa interacção: pode ser um autoclismo, um balde que é necessário encher para atirar para a sanita, uma torneira que se ter de rodar, uma prateleira onde se deve colocar a roupa antes do banho, a invasão do metro quadrado de chuveiro. Num sítio mau, torna-se impossível tocar em qualquer destes itens. Neste, em particular, nem possível era caminhar vestido por ali. Nem falo da casa de banho porque começo a bolsar. O quarto era habitado por mais seres. Se conseguisse dormir petrificado numa posição até as quatro e meia da manhã, altura em que temos de nos levantar para apanhar a primeira saída do dia para a fronteira, conseguiria dormir bem. Não, não dormi bem. Mas vestido. Colar pele a qualquer esquina daquele quarto pode trazer de volta a peste bubónica.
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