The Indonesian Wedding
Trip Start
Jun 16, 2010
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407
600
Trip End
Dec 31, 2012
Where I stayed
Elizabeth Hotel #2
Despreguem-se as bandeiras: hoje é dia de galhofa...e de festa! É dia de vestir a minha melhor roupa (umas calças da Decatlhon com um polo de mangas compridas de uma feira de ciganos na china e uma sweat-shirt Pull-and-beariana, com uns tenis australianos que se prevê desintegrarem d'hoje a 3, 15 dias).
O Phillip tem dois primos que se casam na aldeia mais próxima. Sobre os primos, tenho algumas dúvidas...tudo é primos...parece uma grande “Kelly family” em que não se sabe ao certo o que é que se passa com quem. “Primos”, talvez seja melhor assim.
Tantas semelhanças, tantas diferenças e tantos...desconhecidos...
As festas são duas.
A primeira mais breve, ninguém leva a mal se só lá ficarmos o tempo suficiente para botar um envelope com umas dezenas de milhares de rúpias (fui instruído para dar o que quiser, mas 50.000 será razoável...eu também acho que é razoável dar 4€ aos noivos...mas parece que mais para os lados de...casa, não pensam o mesmo) num pote à cores, fechado, que permite conservar anonimatos e constrangimentos de maquias menores. Não é só de cheques que vive o casamento. Mas, este primeiro, estamos lá quase...a mãe do noivo faleceu há 3 semanas, por isso, não há música, nem alta, nem baixa e os convidados aparecem para cumprimentar os noivos e emborcar a comida que está na mesa volante.
O segundo casamento, passada uma meia hora, é o certame por que todos esperam.
Chegam os convidados, vão direitos ao “sofá dos noivos”, uma espécie de “sofá dos bombeiros”, no fim da sala, virado para a plateia de convidados, auto-convidados e não convidados que se sentam em cadeiras de plástico, emprestadas, provavelmente, por toda a gente da aldeia. O sofá dos noivos conta também com os padrinhos, um de cada lado, guarda-costas. Ao lado, o pote de mel, um recipiente coberto com um paninho que serve para depositar o envelope na ranhura.
A indumentária é aldeia-chique-indonésia-2011, casual-village. Temos um senhor com um lindíssimo polo da cadeia de lojas de conveniência americana “7eleven”. Finalmente uma ocasião especial para a usar. Quem tem mais posses passei um ou partes de um fato (alguns, apenas têm “botões” como “parte de um fato”). Os noivos: ele, usa as mesmas chanatas de sempre; ela usa um vestido amarelo/dourado, não há pele à mostra.
No primeiro casamento, iniciei a minha breve série de como ser extremamente desagradável: perguntei ao Phillip quem era aquele casal que tinha cumprimentado e que está de frente para toda a gente. Pois, não queria acreditar que aquele pequeno Saúl Ricardo se ia casar com aquela matrafona (bem sei quem é mudo e quem usa calças nesta relação). O Phillip nem deve ter percebido...porque fez “trabalho de casa”, esteve a atacar no Arak antes de nos conduzir até estas aldeias.
Existe uma ordem de trabalhos de como se desenrola a cerimónia, uma espécie de manual de procedimentos que toda a gente leu e faz questão de seguir:
Chegar, aparecer, estabelecer contacto visual com o casal;
Depositar o dinheiro no pote, com o casal em perfeita consciência do que se está a passar;
Formar fila para aceder ao “sofá dos bombeiros” onde estão os noivos. Cumprimentar os senhores e desejar as melhores felicidades (hoje trouxe mesmo as melhores);
Saír ordeiramente pelo lado esquerdo e iniciar uma nova fila em frente à mesa da comida;
Servir de comida, pouco, para o “rice wine” e “Arak” poderem actuar mais facilmente. Hoje a comida é Nasi Goreng, nada de novo, 13.000 Rupias no mercado (1,1€), uns cubo de gordura de porco, mais vegetais variados;
Comer;
Trocar cadeiras e criar uma pista de dança para a digestão dos pratos e copos;
Dançar até as pernas deixarem...o mesmo se aplica para o alcool;
Há quatro colunas de som que conseguem passar fusos horários. Começa a dança, salve-se quem puder, há ataque na pista. A música intermedeia o tradicional com o ocidental. Os dançantes são...todos!
No capítulo “musica tradicional”, os convidados desdobram-se em dois grupos de “creepers” (http://www.youtube.com/watch?v=tLPZmPaHme0&feature=related) e repetem, sincronizadamente, para a frente e para trás, os mesmo passos mágicos até que o som esteja completamente extinto.
O senhor de barbas faz “refills” do Arak, on-demand e quando vê que foram sorvidos dedos de alcool. Não perdoa, trabalha rápido..não quer ver ninguém sóbrio.
A senhora do colete de olhos que fixam constantemente um ponto, provavelmente a uma distância muito curta, é meio atrevidota. A sessão de “twist” muito muito avançada para o que se tem visto na indonésia: “quase acidentalmente tocou na minha mão”.
O senhor da “7eleven” passa a noite a fazer margarittas, calzones, vezuvios e três queijos, no tecto há massa de pão a girar e há que completar todas aquelas bases.
O outro rapaz diz que me arranja tudo o que quiser....literalmente. Não quero senhoras com a quarta classe, hoje não.
Há um senhor que, de peitaça aberta, aparece de pijama. Diz que é mais confortável. Mas o jogo de pança é uma coisa formidável, inatingível.
E, a reter, quem me conduz para o casamento, bêbado, tem de ser o mesmo a trazer-me, ainda mais carregado.


