Boat down, SWIM FOR YOUR LIVES!

Trip Start Jun 16, 2010
1
364
600
Trip End Dec 31, 2012


Loading Map
Map your own trip!
Map Options
Show trip route
Hide lines
shadow
Where I stayed
Adam and Helen's place

Flag of Papua New Guinea  , Gulf,
Tuesday, June 14, 2011

 


Erima Market, 6h da manhã






Autocarros para Kerema? Cada cabeça sua sentença, lá dizia o outro! Uma senhora diz que o PMV (a tal espécie de autocarro mal amanhado que mais não é do que uma carrinha de caixa aberta com uma estrutura em metal que suporta um pano que em vez de proteger da chuva, espalha-a com uma coreografia diferente, pelas pessoas que se abrigam debaixo da capa) parte às 11 horas da manhã. Outra diz que parte lá para as 7 horas da manhã. Uma coisa é certa: estão as duas certas! O PMV só parte quando está cheio, totalmente cheio. Nem que seja necessário (que é sempre) ir ao centro da cidade para ir buscar malta e voltar ao ponto de partida.






Entre as 7 horas da manhã e as 9 horas da manhã dá-se um marco muito importante da minha visita da PNG: consegui estar...sózinho! Soube muito bem, poder estar comigo e com as minhas deambulações, sonhos e memórias. Um bem de luxo neste país, se não pertencermos aqui, essencialmente. Pronto, já está assinalada a data.






Erima Market, 9h da manhã






Vai dar para finalmente saír daqui? Meus amigos, o PMV está mais que carregado! E, neste caso até temos um excesso de bombas relógio no meio das pernas (salvo seja): em peso, temos cerca de 32% a pertencerem a humanos e os restante 68% a pertencerem a bidões de gasolina e outros recipientes inflamáveis como snacks para petiscar, roupa de criança e betel nut.






Erima Market, 9h35 da manhã






Viva o bom senso de alguém que percebeu que NÃO DÁ para carregar mais nada naquele convés! E partimos...já não estou sozinho outra vez...agora temos a audiência do PMV interessada no “white man”. A socialização decorre, amena, enquanto esperamos mais uma vez pelo abastecimento do PMV em frente a uma bomba de gasolina que deve neste momento estar a receber cerca de metade do tráfego da cidade. Aguenta coração, como, mais uma vez, diz o outro.






Throught the jungle, meeting Sebastian, 10h - 12h











E eu, tudo bem! A quantidade de compras que este senhor traz da cidade, não é compliant com o desemprego. Mas, tudo bem. Numa das paragens decide fazer outra compra: uns óculos escuros! Também já lhe dizia que é feio ter óculos escuros com a etiqueta de “produto original” numa das lentes. O Sebastian parece o Seu Jorge (http://en.wikipedia.org/wiki/Seu_Jorge ) mas com o ar de gatuno do “Zé Pequeno” (http://www.listal.com/list/best-brazilian-villains ).






You just got punched, 12h – 14h






Mais uma paragem para comidas e bebidas. O Sebastian decide fazer um upgrade: Uma garrafa de coffee punch com umas quantas latas de coca cola que reparte pelo PMV. Coffee punch, coffee punch... nunca pensei que esta bebida impactasse tanto a vida das pessoas. Life changing! O coffee punch é um licor de café, com 25% de álcool. Experimentei para ter o sabor que corresponde a toda aquela...desinibição...


Este senhor claramente deve ter muitos afilhados. Um patrão. Monopoliza a atenção do autocarro. Monopoliza os temas de conversa. Em todas elas tem uma palavra a dizer.






Estamos a chegar, não ao destino, mas a uma aldeia (Sapearou) onde é necessário transitar para um barco, um dinghy. A ponte está destruída e é impossível chegar a Kerema por terra. O Sebastian convida-me a ir no barco dele. Ele conhece um skipper (condutor do barco) que é muito competente. Claro que sim, meu amigo, vamos a isso.


Entretanto, a absorção de coffee punch por parte do Sebastian e seus capangas, continuava...a um ritmo bonito, marcado por alguns gritos de um entusiasmo de plástico que se tornou mais evidente com o vento na cara após o barco ter arrancado...






17's Dinghy” , 14h – 16h16






O carregamento demorou uns minutos. Estes senhores vão a Port Moresby, a capital, para abastecerem as famílias e as aldeias onde moram. Assim podem vender alimentos empacotados pelo dobro do preço, tanto mais quanto mais remoto for o caminho para a aldeia. Vamos no barco do “17”, ou “one seven”, como lhe chamam. Este “experiente” animal do mar, leva o seu amigo, ajudante e chorão “Max”...ainda percebia se for “Min”...






E aqui começa o festival “Onde-tudo-falhou” (-)! É um bonito certame...












  • Começamos a descer o rio, Crocodile river... mas não se avista nenhum. Estes barquinhos berram demasiado!







  • (-) Fazemos uma primeira paragem para abastecer o barco. Mandam as boas práticas da navegação até Kerema que devem ser comprados 10 contendores (estamos aqui a falar de bidões, claro) de combustivel, que dá uma boa margem para lá chegar sem grandes apertos. O “17” compra apenas 8 bidões de gasolina (quer isto dizer, das três, duas: ou vai ser à risca, ou não vai ser ou vamos ter uma acidente só que ainda não sabemos). Não se percebe por que fez isto...queria poupar dinheiro? Mas porquê? Teria de usar aquela gasolina mais tarde ou mais cedo...;







  • (-) No inicio da viagem de barco, eu o Sebastian já somos melhores amigos. Nunca tinha falado para Coffee Punch. Foi a primeira vez...e falava muito alto. O Sebastian começa a desabafar e a gabarolar. Afinal não é desempregado! É, como dizer, “agricultor...jardineiro”...produz umas coisas no seu jardim, especiais, mágicas, que vende na cidade...onde domina uma das zonas! O chamado Barão da droga. A restante tripulação do barco são os amigos, parceiros de negócio e um é familiar, mas não conhece estes esquemas. O Sebastian está com o Ruben, Collin, John;







  • O Seb dá a provar Sago, staple food para a PNG, uma das bases da alimentação nas aldeias. Provem de um vegetal, moído até ser farinha e depois cozinhado numa fogueira. Quando adicionam coco, sabe melhor. Desaba sobre a sua vida...”Sou uma pessoa que só traz e faz problemas! Estás do meu lado, quero que me conheças bem! Quero conhecer-te bem e sermos irmãos para sempre” (normalmente este tipo de afirmação costuma ser feita com uma taxa de 1,2mg/l. E carrega agora em cerveja com Coffee Punch.







  • (-) Passados uns breves minutos de partirmos de Sapearou, a minha máquina fotográfica estraga-se, deixa de focar! Não queria acreditar! Outra vez! Esta que é à prova de tudo, parece ser tão útil quanto as outras! De raiva, esmago a máquina contra a borda do barco onde já vou sentado! Duas vezes. Começa a funcionar novamente!...um prenuncio talvez para o que vinha a seguir;







  • (-) O tempo está fantástico enquanto estamos a atravessar o rio. Chegando ao Golfo e entrando no oceano, tudo muda de figura. Acho que consegui ver uma barba ou outra do Adamastor. O homem claramente bufava do outro lado do golfo. E eis que uma tempestade com chuva muito pontiaguda se abate sobre a nossa segunda metade da viagem de barco. O barco ia muito rápido. Saltava, batia no oceano, por baixo. Parecia despedaçar-se a cada salto! Estava a chover como nunca, era impossível olhar de frente...a chuva era uma “chuva-vaza-vistas”;







  • O Sebastian continua a falar-me da sua vida...”não quero morrer hoje” (todos os traficantes por aqui têm medo)...”esta tempestade...parece do filme: «a perfect storm»”...”eu não quero é filmar hoje a sequela”, respondi...mal se sabia que as cameras e a equipa de realização já tinham chegado ao local...;







  • (-) A cereja no topo do bolo: o coffee punch já tinha chegado às mandíbulas do senhor “17”, condutor do barco. Bebia, pedia mais e bebia de novo! Meia hora para que o hábilo chegasse à frente do barco! “METAKA! METAKA!” (=”Great! Great!”), grita o “17” do alto da sua bebedeira!







The deadly minute, 16h17






A alta velocidade, o cocktail dos temas anteriores começa finalmente a ser misturado. Num minuto:












  • O Sebastian fala de como quer arranjar uma nova mulher para acumular com a que tem (Na PNG é legal - e também “extremamente légal”, com o sotaque brasileiro - ter mais do que uma mulher ou marido). Não o consigo ver. A chuva está demasiado forte;







  • No momento seguinte, alguem grita: “ESTAMOS A AFUNDAR-NOS!!!!!!”







  • Olho para o lado, uma onda varreu o barco, estamos a ir ao fundo, depois do senhor “17” não ter conseguido trocar um recipiente de gasolina por outro. O motor do barco tinha parado. O mar enorme não perdoou. Estamos a afundar-nos!







Swim for your lives!, 16h18 - 16h38
















  • Tudo acontece muito rápido!;







  • A costa não está longe! A linha da costa é muito recorta, com cascatas da selva para o oceano. O espectaculo é bonito e dantesco ao mesmo tempo;







  • O Sebastian e seus capangas acordaram da bebedeira. Fica muito nervoso, o Seb! Assume o papel de lider...ou pelo menos é o que berra mais instruções para as pessoas que agora flutuam à costa de Kerema (ainda faltavam 20 minutos de barco até Kerema);







  • O barco salta fora dos meus pés, directamente para o fundo do mar. Nado com a minha mochila pequena. Encontro um pedaço de madeira que se afunda...não serve. O John estava agarrado a um bidão de gasolina vazio...conquistei o bidão. O Collin desamparou-me o bidão e iniciei o meu nado para terra. Não estamos longe da costa. Talvez a uns vinte minutos a nado;







  • Não sei onde está a minha mochila grande, onde tenho tudo, roupa, passaporte, cartões...;







  • A costa para onde todos nadam não é praia. É um amontoado de pedras com uma cascata. Mas a única maneira viável para sair dali, pensa-se;







  • Nado para a costa. Há muitas tábuas atrás de mim que vêm rapido para cima com as ondas. Tento proteger a nuca. As tábuas ameaçam a cada onda. Nadei com o braço esticado. A mochila e o boião tinham massa suficiente para me empurrarem para a costa com cada vagalhão de água salgada. É assim que consigo avançar até à costa;







  • Chego perto da costa, o mar está grande. Uma onde empurra-me de costas contra as pedras. Bato com as costas. Nada de especial. Estava mesmo a precisar de um circulo azul na parte inferior direita do costado!;







  • A minha mochila grande dá à costa...justamente com muitos pacotes de bolachas de água e sal, fraldas, gomas, sumos, roupa...cartão desfeito...







  • O Sebastian está já na costa. Ajuda-me. Subo para a rocha, muito escorregadia com estas botas de trekking...que de trekking pouco têm...pés descalços são mais eficientes. É o que os outros senhores usam: as suas patas de elefante;







  • A minha mochila grande absorveu toda a água que podia. Pesa mais de 60 quilos...normalmente deveria pesar uns 20. A minha mochila pequena, com laptops, discos externos, pen drives e cartões de memória, pesa muito também, à volta de 20 quilos;







  • Temos aqui um problema, por entre todo o restante caos visivel à nossa volta: eu tenho de conseguir transportar as minhas coisas que não consigo, sozinho! Tenho de convencer os senhores que também perderam tudo, que só tenho isto na minha vida, as minhas mochilas. Estou a viajar e esta é a minha casa, a minha vida. Se perco isto, perco tudo, ficou sem nada...um bocado dramático mas tinha de criar impacto para não ter de ficar a dormir naquele pedaço de ilha, isolado onde a maré avançava rapidamente para submergir o chão que pisavamos;







Up the waterfall and into the jungle, 16h39 – 17h30
















  • A única saída para terra: subir uma cascata, para a selva e caminhar durante uma hora!







  • O Sebastian, passou a ter uma missão: a de garantir que eu chego salvo a Kerema. Vou ficar em casa do irmão dele. Mas quero é que toda a gente chegue bem a Kerema. O que é o “estranja” é mais do que os outros?;







  • A missão de chegar a Kerema junta forças com a missão de transportar as minhas coisas. A minha roupa é dividida por três pessoas. Ainda assim, cada uma vai muito carregada. Decidem deixar o resto para trás, excepto uma garrafa de querosene e alguns Snax. Iniciamos a subida da cascata;







  • Com uma tromba de água na cara (podia ser mais fácil, não?) iniciámos a subida da cascata. Mochila às costas, os meus tenis falham. Pés descalsos não. Dificil a subida. A chuva continua “diluvial”. Dificil. Chegamos ao topo da cascata, depois de muito escorregar na lama e nas pedras que parecem blocos de gelo;







  • No topo da cascata, há mais trabalho a fazer: subir até à estrada principal! São mais de meia hora de selva com lusco-fusco, chuva e lamaçal. E eles todos descalços!;







  • O Sebastian, esguio, escala a lama pela selva, e motiva-nos a todos com um “quando me afundei na outra vez, também foi aqui, e só temos mais esta encosta para subir...depois disso chegamos à estrada”...acontece que não chegámos à estrada...”agora é que é, é depois daquele monte, a estrada está proxima”...não estava. Bom motivador, e mau gestor de expectativas. Esta técnica funciona por um ou duas vezes. Depois torna-se completamente não credível;







  • As plantas parece-se querer devorar tudo o que lhes toca;







  • Chegamos lá acima. Estou exausto;







  • Entretanto, o “17” recuperou o barco, que deu à costa. Decidiu ficar lá em baixo para passar a noite junto do barco;







Bush people and the way out, 17h31 – 18h00
















  • Chegámos a uma estrada secundária. Passamos por algumas casas perdidas na selva. O Sebastian conhece toda a gente. Toda a gente à nossa volta transporta facas de mato capazes de fazer rolar cocos e cabeças em poucos segundos. São eles que nos ajudam a transportar a mercadoria até à estrada principal;







  • Chegando à estrada principal, há uma carrinha que se aproxima. Eramos uns 10 à espera do veículo que lá vem. A quantidade de facalhões faz adivinhar um “road block”. Mas acontece que é a policia...que se preparava para passar por nós sem parar...mas viram o estranho sujeito que não parecia ser dali.







  • Pararam quando me atravessei à frente. Deram-nos boleia até à porta de casa do irmão do Sebastian.



Irónico, o Sebastian que costuma andar fugido à polícia...ser resgatado por eles.






Em casa da Helen (cunhada do Sebastian), deram-me roupa seca, um chão, comida e tudo o que precisava. Descanso!






“Podes ficar o tempo que quiseres cá em casa. Amanhã tentas secar as tuas coisas todas”, diz-me a Helen.






E hoje deixo de ser um turista para passar a local!..fantástica esta demonstração de simpatia que não deixaram de me acompanhar por todo o país!
Slideshow Report as Spam

Use this image in your site

Copy and paste this html: