How i DO NOT like to travel

Trip Start Jun 16, 2010
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180
600
Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed
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Flag of Sri Lanka  ,
Sunday, December 12, 2010

A decisão que condicionou a segunda metade do meu tempo no Sri Lanka transformou-se num recital de como não gosto, não quero e não vou viajar mais daqui para a frente. A decisão foi a compra de um passe de acesso aos principais monumentos das cidades antigas, património cultura da UNESCO. Para além de ter custado largos milhares de rupias (a partir de cinco, já se pode dizer “largos”), provocou uma maratona não saudável contra o tempo, pautando, a partir daqui, o passo da minha viagem. Perdi vários graus de liberdade. Ao mesmo tempo, a visita a uma cidade (num dia foram duas) implicou sempre o cabaz check-in + maratona.
Assim não. Foi uma semana muito cansativa e mecânica. Por querer ver o que todos vêm quando estão de visita ao Sri Lanka, em férias, não consegui retirar a utilidade que esperava na rentabilização do bilhete. É que para pagar 50 dólares, é bom que seja perfeito, para o nível de vida do Sri Lanka. Nem por isso. Os locais mais fantásticos e perfeitos são gratuitos. E há outros que não estão abrangidos por este bilhete e constituem uma despesa extra. Decidi ver como era e não gostei. Talvez tivesse ficado mais tempo onde fui mais feliz, onde conheci mais gente interessante, no sul.
Para além desta corrida exaustiva, o norte tem uma beleza diferente do sul. A começar pelas pessoas. Penso que seja mais impessoal. Apesar de, ainda assim simpáticas, são mais distantes. Já não estava habituado a isto. Isto, aliado à correria cultural cria um vazio que se traduz numa não experiência. Apenas um visionamento de pedras, locais, descontextualizados. Acredito cada vez mais que as pessoas fazem as verdadeiras experiencias. Transformam o que está à volta. Sei que as cidades antigas foram um conjunto de passeios simpáticos, não mais do que isso. E muito sobre-estimados. Tirando uma mão de pessoas, a decisão a norte não se revelou a mais acertada. Mas, mais uma vez, este não acerto permitiu-me perceber exactamente isto. Foi, portanto, positivo como tudo o resto que tenho aprendido. Se estiver em Paris, não é preciso ver a Torre Eiffel. E não me venham com a história de Roma e do Papa. O que faz a vida valer a pena não está na massa sólida e maciça à nossa volta, está nas pessoas que as moldam.
***
E hoje é também o dia da monumental falta de paciência na procura de alojamento que transformou uma perfeitamente controlada hora adequada para o fazer (enquanto há luz do dia), numa procura “às escuras” sem ideias de quais serem as opções. Enquanto procurava uma guest house, não a encontrando, entrei noutra. O que se viu por aqui não foi bonito, mas mesmo assim fiz o check-in. Antes de tomar banho, faço o check mais detalhado e tudo se desmorona:
A rede de mosquitos parece apenas parar andorinhas (pela dimensão dos buracos que tinha);
A sanita não funciona;
A porta do quarto não abre (saio pela janela, foi o que aconteceu);
A luz é quase inexistente;
Vai ser impossível dormir aqui. Pelo menos pelos 700Rs que ficou acordado (depois de o preço inicial ser 1000Rs). E, quando fiz o check in, reparei no pormenor mais bonito de todos: os senhores lembraram-se de colocar no livro de check-in, uma coluna com o preço que cada hospede estava a pagar por noite. Decidi revisitar o livro. O meu montante 700, contrastava com os 500/550 dos outros hospedes, todos do Sri Lanka. Disse aos três rapazes (que mal falavam inglês), que agora só estava disposto a ficar por 550Rs. A minha testa já não come gelados. Puseram-me em contacto com o gerente por telefone. Não percebi nada do que ele disse. Disseram que vinha ter comigo. Entretanto, continuavam a risada. “Não conseguem resolver o meu problema, vou-me embora”, foi o que aconteceu passados três minutos. Hei-de encontrar qualquer coisa. E encontrei. Não foi simpático estar à deriva, mas está longe de ser um tema novo para mim. Fiquei em casa de uma família que estava ainda a construir a guest house. Aqui consegui relaxar um bom bocado. Gente simpática.
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