The tavern

Trip Start Jun 16, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed
garden view guest house

Flag of Sri Lanka  ,
Sunday, December 5, 2010

http://www.youtube.com/watch?v=BzpyxthVAlw
A população de Ella é diminuta. Tímidos milhares de pessoas habitam esta localidade. Hoje, esposas em casa, todos se encontram no único bar de Ella. Não é bem um bar. Tem entornado por todo o lado um ambiente taverneiro, patusco. Aqui os penaltis e a aguardente é tomada por arrack e toddy, a violentíssima bebida, destilada a partir do coco que garante limpeza geral no dia seguinte. Mesmo assim parecem desafiar o saber de experiencia feito. Este toddy só tem cerca de 6,8% de álcool...mas acho que não vem no rótulo a percentagem de concentração de laxante.
O ambiente é característico e muito patusco. 
Há o gabarola que já fez tudo e mais alguma coisa durante a vida. Curiosamente este senhor Ryan parecia ter bastante propriedade no que dizia. Parecem todos, essa é a beleza de mergulhar num local destes. Foi pescador, marinheiro, navegou num quebra gelo no mar do norte. Esteve no Árctico. Esteve no Japão, esteve no Porto, em Portugal. Conhece todo o mundo como diz. Ao retirar o veneno de uma cobra de um amigo que tinha sido mordido, perdeu um dente. Foi a explicação mais razoável que arranjou para não ter a tecla “sol” da parte da frente do piano. Um história engraçada denunciada cedo demais. Tem um sotaque inglês brilhante. Quase tão brilhante como o par de calções com que decidiu passear o charme, hoje à noite. Tem 58 anos ou 52 ou 55…algures entre estes números...a desorientação é descontraída. Vá, nós também contribuímos um bocado para a desorientação do senhor. É casado. Tem três filhas. Informação que não lhe parece plausível, é imediatamente considerado “bullshit”. Desafia todos para o que quer que seja. Obviamente que já estávamos nesta fase da noite (nota: a noite acaba às 22 horas, ordens do governo. Esta peça passou-se antes do jantar, entre as 20 horas e as 21h30).
Há o “yes, man”. A tudo o que se diz, que se fala, que se comenta, diz que sim. Até quando perguntamos o seu nome. “Yes”. Claramente está a viver um sono profundíssimo e tudo o que se passa à volta é parte de uma outra dimensão que cola como um wallpaper mas nunca o local que o faça reagir ao que quer que seja. Pouco se sabe sobre este sujeito. A não ser que tem os dentinhos todos e o cabelo cinzento. E que tem um “yes” do mais convicto que tenho encontrado.
Depois há o one-man show, tipicamente o individuo que chegou mais cedo à taberna. Já tem várias doses de sangue no álcool.  Presenteia-nos, de quando em quando, com uma dança do tipo shakireana. E canta também. Ou melhor, late e uiva. Algumas notas fazem sentido. A maior parte delas, nem por isso. Quando não está a actuar, o senhor insere uma cassete no gravador que insiste em tocar repetidamente. A voz que se ouve é uma mistura entre Rod Stewart, Beto e Michael Bolton. A agressividade com que entoa o discurso, bom, essa não está catalogada. Mas é algo de violento: “COUNTRY?!”; “NAME?!”; “FIRST TIME IN SRI LANKA?!” “LIKE SRI LANKA?!”. 
Na sequencia do que este senhor repetidamente questiona, apontando firmemente o dedo como se estivesse a acusar-me do mais vil dos crimes possíveis de cometer, revelam-se a outras categorias de passageiros do bar: o regimento de manutenção de ordem. A participação deste tipo de senhores na vida de uma taberna consiste em, à mais ínfima presença de desordem (e.g. o senhor que agressivamente faz questões importunando os outros à sua volta), apaziguar os ânimos. Mesmo quando não haja nada para apaziguar. Gostam de participar no que se passa. Isto porque uma noite numa taberna não é mais do que um jantar de família mas a jusante. Toda a gente acaba por se relacionar, mais tarde ou mais cedo, ao longo da noite. Chamemos-lhe “fim de tarde”, em vez de “noite”.
Por ultimo, temos os figurantes. Ajudam a criar o ambiente taberneiro. Não importunam muito. Constituem um “Bruaaaah” de fundo que confere um certo movimento ao local. Por vezes olham fixamente um ponto algures entre a tábua de madeira e uma lasca numa outra dimensão. Mas são inofensivos.
O “bar tender” chega para todas as encomendas. E também para impedir o muito popular “self-service” por parte dos clientes. Às 10 horas fecha portas porque a “polícia aparece e aplica uma multa severa”.
Como não mandam as regras, depois da estadia neste agradável antro de convivência, fomos jantar. O João e a Maria, de Inglaterra. 
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