Kids will be kids

Trip Start Jun 16, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed
Punakha Damchen Resort

Flag of Bhutan  ,
Tuesday, October 5, 2010

Também não é preciso ser assim tão prestável. Quero sentar-me, tenho um senhor a empurra-me a cadeira. Quero levantar-me, tenho um senhor (o mesmo ou outro) a ajudar-me. "Está tudo bem senhor?", “Precisa de alguma coisa, o senhor?”, “Está satisfeito, o senhor?”. Hey, vá, não ponham doente! Com tanta confirmação de sintomas, é fácil começar a sentir uma pontadazinha ou outra. São muito amáveis e prestáveis. Mas não é necessário chamarem-me “senhor” a toda a hora (senhores são os outros velhadas de 150 anos que compõem o resto do ecossistema) e já chega de me abrirem a porta de trás do carro para eu entrar. Ainda tenho mãozinhas e bracinhos para realizar a tarefa.

Hoje acordei meia hora mais tarde. O pequeno almoço é passado com uma turma de prestáveis empregados de um lado e de outra da mesa. Prontos para qualquer coisa. Talvez um levantamento da minha parte para ir buscar mais pão, ou mesmo um entornar de café para cima da toalha. Apesar de estarem a pedir trabalho, comigo não levam nada.

Hoje o dia foi ainda mais cultural:









  • Caracterização quase exaustiva da história do Butão;




  • Evolução das relações com os países vizinhos (Nepal, Tibete, China, India). Incluíndo a história da segunda mulher do terceiro rei e do crescente domínio tibetano;




  • História do nascimento de Shakyamuni, o grande buda;




  • A história budista do Deus da compaixão;




  • Como o Butão enganou as Nações Unidas;
As visitas incluíram Dzongs, fortalezas situadas em pontos estratégicos para garantir o controlo de pontos centrais do país, mosteiros e a maior ponte suspensa do país, com mais de 200 metros. O almoço foi em Punakha, no vale da fertilidade. Como todos os nomes estão repletos de simbologia, posso chamar ao local onde almocei, a vila das caldas. Demasiados pénis por todo o lado, estátuas, desenhos, pinturas, esculturas. À venda. Não vi, no entanto, figuras religiosas munidas de um cordel, como é um clássico na cidade portuguesa.

Visitei a antiga cidade de Punakha, perto do Dzong. Aqui é possível ver uma diferença de qualidade de vida um pouco abismal. Apesar da organização das contruções, estas estão mais amontoadas, sujas e sobre-povoadas. Além disso, nesta cidade, 90% das pessoas devem ter menos de 12 anos. Alguém nesta cidade deve ter andado muito aborrecido durante uma década.

Os Dzongs,em outros tempos fortalezas, são hoje importantes centros administrativos do país. Tal como a bandeira do Butão o simboliza (a divisão diagonal em duas cores: amarelo e laranja), estes edifícios incorporam os mais profundos valores que guiam a vida deste país: uma metade é ocupada pelo poder do rei, administrativo, onde estão vários ministérios e os escritórios de alguns serviços públicos; e outra metade é ocupada pelo budismo, existindo várias capelas, altares e templos, juntamente com os aposentos dos vários monges residentes.

E o que é que fazem os monges na metade reservada à religião, onde está o templo? Vá, palpites!..Sim, certo, rezam em recolhimento. Mais? Tratam da “lida da casa”, certo. Acartam com todo o tipo de material: Bidões, tábuas, caixotes, papel, plástico. E, isto dentro do templo onde não se ouve o zumbir de uma mosca, encetam uma jogatana de futebol com uma bola de borracha, mano a mano. Lá fora, no pátio, o deboche joga-se numa rabia em que é um sapato, o objecto pontapeado pela nuvem de monges. É caso para dizer: Kids will be kids. Devidamente documentado em video amador.
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