Montanhas, deserto, islam e chocolate marroquino

Trip Start Jan 03, 2006
1
33
Trip End Dec 23, 2006


Loading Map
Map your own trip!
Map Options
Show trip route
Hide lines
shadow

Flag of Morocco  ,
Friday, December 22, 2006

Embarquei em aguas internacionais de Algeciras (Espanha) a Tangier
(Marrocos) num ferry que cruzou o estreito de Gibraltar em uma hora.

Africa cá estou!

Foi estranho sentir a realidade mudar de uma hora para outra. De cara
percebe-se que a molezinha da Europa está realmente do outro lado do
mar Mediterrâneo.

Quase tive problemas pra estampar o visto no passaporte pois não fui avisado que isso
barco. Fui recepcionado no saguão por alguns taxistas e um guia de
turismo, Ahmed, 57 anos. Disse a ele que iria a Chefchaouen e estava
procurando a estação de onibus. Por ter chegado fim de tarde ele
sugeriu
que dormisse em Tangier e seguisse mais seguramente pra Chefchaouen na
manhã seguinte. Concordei e fomos de taxi para sua casa numa vizinhança
simples perto do centro. Fui bem recepcionado numa
típica família marroquina que até carneiro possuia dentro de casa 
por seguir tradições religiosas. Tomei chá de menta, jantei tajine e
conversei com o Ahmed que abriga sempre viajantes em
sua casa. Ele trouxe-me uma chilaba - vestimenta típica marroquina com gorro cônico -
e retribui ele e sua familia com uns bons euros.

Ótima impressão inicial!

O Marrocos é um país com mais de 30 milhões de habitantes com cultura
islâmica - alcorão 5 vezes por dia, mesquitas, mulheres com lenço e
homens de chilaba, propostas de casamento, touquinhas e não se bebe
alcool. Pra poder ficar pra lá de Marrakech só com o chocolate
marroquino mesmo, grande produto de exportação do país.


Na manhã seguinte embarquei num onibus muito simples até Chefchaouen.
Viagem de quatro horas por 27 Dirham = 2,7 euros. Chefchaouen é uma
charmosa cidade no norte do Marrocos, nas montanhas Riff. Ela possui
ruelas com muros pintados de azul e há uma pequena praça central
(Medina), com restaurantes e comércio de artesanatos.
Instalei-me num quarto duplo só pra mim no hotel Andaluz. Tomei café na medina com
um bando de gringos que não lembro os nomes. Com estes mesmos gringos
(Inglaterra, EUA, Canada, NZ)  fechamos dois taxis para o inicio
de uma caminhada. O caminho do taxi não fez por menos passando pelas
beles montanhas. Belíssima caminhada até a "Ponte do Céu",
uma pequena ponte natural feita de pedra sobre um rio. Tomamos chá de menta
com um local que morava por lá mesmo sob toldos de plástico.
Pela noite o grupo se reencontrou e muito Tajine e Couscous foi servido no jantar.

Dia seguinte passeei de Chilaba pela cidade conforme o Ahmed havia me
recomendado. Gostei muito da reação dos locais que apreciaram a minha
vestimenta e a minha conduta em aborda-los com "salam walikum". A
lingua oficial do Marrocos é a francesa, mas se fala também árabe e
outros dialetos. Empacotei e fui a estação de trajes normais. Quase me
dei mal ao tirar fotos de um marroquino sendo arrastado pela policia para o camburão...Me senti o fotojornalista! ahahahaha.

Adrenalizado pela situação, reencontrei-me com a Michelle (EUA) e fomos de onibus (4
horas de duração) a Fes. Conversamos com um taxista ex-hippie e orgulhoso
disso na estação. Duas horas depois embarcamos noutro onibus para
Marrakech. Onibus noturno, o motorista nos acordou pra avisar que
haviamos chegado. Cinco da manhã, nos instalamos no
Hotel Afriquia.

Marrakech é movimentada e turística. O ponto principal da cidade é a Medina onde
há inumeras barracas de comida, lojas de artesanato e uma mesquita ao
fundo. Os típicos encantadores de cobra lá se encontram também.
Adentrei por ruelas pra fazer compras e constatei que isso não seria tão fácil,
basicamente pela barganha mais que necessária pra baixar os preços.
Encontrei-me com dois amigos locais da Michelle chamados Habib e Abdul. Pessoal
gente boa, um é artesão e outro possui loja de fosseis e tapetes.
Tomamos chá de menta como de costume, conversamos e prossegui com as
comprinhas. Pela noite o grupo se reencontrou e jantamos nas barracas
de comida. Tajine, Couscous e Brouchette, o basico de todos os
cardapios. Conheci a Tony (EUA), Koen (Holanda) e Eric (EUA) na medina, e voltamos ao albergue para sobremesa.

Dia seguinte muito cedo fui ao encontro do grupo/agencia que iria ao
deserto do Sahara numa viagem de 3 dias e 2 noites. O motorista
cautelosamente atravessou as montanhas High Atlas - Lindas! Nao
esperava ver montanhas com neve pelo caminho e o caminho sinuoso
proporcionou
belas paisagens. Paramos na Kasbah Ait Benhadou, contruções feitas de
lama formando uma vila com prédios interessantíssimos. Nessa em questão
foram gravados inúmeros filmes, entre eles "O Gladiador". O relevo era
plano, árido e cercado por
montanhas com neve. Prosseguimos para almoçar em Oazarzarte, uma cidade a alguns
minutos da Kasbah. A cidade literalmente no meio do nada é bem desenvolvida por
possuir estudios de cinema. Prosseguimos para o hotel, situado a beira
de um rio numa garganta. Jantar coletivo com o grupo, formado por uma
familia de ingleses (familia Stoddarts), canadenses, coreanos e
japoneses. Frio demais, a lareira foi o ponto alto da noite.

Manhã seguinte prosseguimos para outra Kasbah, esta habitada por simples
famílias. Paramos na casa de uma familia produtora de tapetes e ouvimos
explicações sobre a fabricação e os simbolos dos tapetes, além de tomar
o tradicional chá de menta, sempre exageradamente adoçado. Nada doce
eram os preços dos tapetes. Gostei de andar pelas ruelas da Kasbah e
ver o quão simples muitas pessoas moram.

Prosseguimos para a garganta Todra e almoçamos por lá mesmo. Pela tarde seguimos
a boa estrada com paisagens áridas no caminho e vilas isoladas. No fim de
tarde já se via o deserto ao fundo. O deserto visitado situa-se na
parte norte do Sahara. A cidade mais perto é Merzouga.

Fomos recebidos pelos berberes no oásis onde haviam contruções bases para
passeios no deserto. Os berberes são povos (negros ou com forte traço
negro) que cruzavam o deserto e vivem no deserto. Os berberes são
etnicamente importantes no desenvolvimento do povo e da cultura
marroquina. As simples habitações são feitas de tapetes e pela noite o
frio é tremendo. Adentramos o deserto no por do sol  montados em
dromedários. Cruzamos por cerca de uma hora por paisagens, texturas e
cores magníficas até chegar a vila do Hassan, berber que mora por lá
mesmo. Dunas, tapetes, simples abrigos, jantar e bom entretenimento a
noite. O Hassan contou histórias e aspectos de seu povo assim como
tocou incrivelmente o tan-tan para o grupo. Frio, dunas, céu estrelado como nunca vi e cama pra completar, ou melhor, tapetes.

Pela manhã assisti o nascer do sol sobre as dunas. Voltamos para o oasis com
os dromedários, e a luz, texturas e contornos estavam ainda melhores :)
O deserto passou a ser uma das minhas paisagens prediletas!

Viagem longa até Marrakech. Chegamos a noite, voltei ao Afriquia e dividi o
quarto com os 2 coreanos. Andei mais pela Medina, comprinhas,
encontrei-me com os filhos Stoddart (Charlie e Eddie), Caroline
(Alemanha), Selena (Inglaterra), dois marroquinos e fomos tomar um chá
na minha ultima noite no Marrocos.


Pela manhã tomei um taxi ao aeroporto e feliz da vida entrei no avião para Frankfurt, e de lá terrinha brasilis !!!

Sem atrasos tomei o vôo da Varig em Frankfurt. O avião parecia um
sucatão - arranhado, estofados abrindo, televisão não funcionando...

Estou voltando pra casa e despeço-me deste post feliz que posso cantar:

"Moro...
Num país tropical,
Abençoado por Deus
E bonito por natureza
Mas que beleza!...
... "

Mas NÃO sou mengão.
E dá-lhe foguinho!

PAZ e amor a todos!
Slideshow Report as Spam

Comments

alinezh
alinezh on

Menta Couscous Marroquino
Já abriu o Menta Couscous Marroquino . Rua do Breiner Nº 248 Cedofeita , Porto
Venha experimentar as nossas especialidades marroquinas
Saladas e sopas , Couscous e tagines , doces e chá de menta.
Contacto : 916511433
Cumprimentos

Add Comment

Use this image in your site

Copy and paste this html: