Bazando da Tabanka

Trip Start Aug 21, 2008
1
53
88
Trip End Ongoing


Loading Map
Map your own trip!
Map Options
Show trip route
Hide lines
shadow

Flag of Guinea-Bissau  ,
Saturday, November 8, 2008

Heis-me do lado da primeira fronteira onde o português é a lingua oficial. Assim que digo que sou angolano os sorrisos abrem muito, mas o português era altamente arranhado, chamaram o Fernando, que tinha ar de ser o mais estudado e que me disse « não vais ter problemas para entrar. Benvindo à Guiné Bissau ». Não foi bem assim. Os primeiros 15 minutos na imigração estavam a dizer-me que ia ter de voltar para Ziguinchor porque « Se te deixo passar e depois te apanham 'tou fodido pa ». Under ! O kota tão depressa estava irredutivel como de repente se deixou apanhar numa onda de empatia e pegou no seu proprio telemovel para ligar para os seus superiores a quem explicou num criolo muito engraçado a minha situação. Uns minutos depois ja me estavam a oferecer coisas: agua fresca, cama de palha na sombra para descansar, mancara (arachides) e depois almoço. Disse que a partir de agora tentasse sempre o visto antes de chegar a fronteira e para contactar a minha embaixada sempre que esta exista. Foi alias o que eles fizeram e desde logo eu soube que ia dar zebra às riscas cor-de-rosa. « O embaixador esta numa reunião, mas assim que ele sair e souber da tua situação vai dar luz verde ». Ele ia ligando e mais à tarde a resposta ja era que o embaixador tinha ido ao sul do pais com o Nino Vieira e eu soube desde então que ai passaria a noite. Sem problemas. Dia seguinte todos me tratavam tipo um parente que chegou da Europa com bwé de prendas : pequeno almoço especial, coca-cola, sumos naturais, mancara, cha especial da região (o mesmo que o maliano) e uma cena doce que eles chamam Filhose (eu percebi feijões quando a Gina da Silva me perguntou se curtia, pensei que fosse para preparar o almoço). Empanturraram-me desse mambo. Cada mwadiê que chegasse so queria ja adicionar na montanha que tinha na mão.
A situação desbloqueou-se e eles me enfiaram 10000 FCFA na mão e ainda me arranjaram uma boleia de luxo que foi impingida ao gambiano no seu Mercedes depois de certamente lhe terem extorquido alguns FCFA. Esse proprio acabaria por me dar mais 10000 FCFA. Estava a comandar na massa.
Cheguei a Bissau num sabado, inicio da campanha para as eleições legislativas e quando o Sr. João Praia chegou no seu Patrol da embaixada com uma t-shirt do M e anunciou, apos negociação que estando a embaixada fechada eu teria de passar o fim de semana na direcção de migração. « Tem que ser homem ya ? ». Eheh, ok vamos fazer mais como ?
Segunda apareceu de fatucho e levou-me para a embaixada onde a principio a Dona Paulina estava a pensar que eu queria empurrão aéreo para chegar à Luanda e me deu uma pequena ensaboadela para depois dizer : « maneira mais facil de ir para Luanda é pela Praia né ? ». Tive de lhe explicar bem o cariz da minha viagem e quando finalmente, extremamente perplexa, entendeu que queria seguir por terra, movimentou-se para me conseguir o visto... para a Guiné Conakry. Pensei que estivesse implicito que queria ter antes de mais a minha situação em Bissau regularizada, mas acho que na cabeça deles essa logica não entrou, de modos que para minha grande surpresa (e maior ainda dos policias de imigração guineenses) me foram depois devolver à direcção de migração para passar mais essa noite. A conversa com os agentes foi sempre boa, permitiu-me saber muito sobre a a Guiné e entender melhor o comportamento dos agentes da autoridade que não recebiam o seu ja misero salario ha três meses, mas porra, haja liberdade de movimentos, quero conhecer a cidade caragos !
Dia seguinte recebi a alforria, o passaporte com visto da Conakry valido por 15 dias, 25 mil FCFA doados pela embaixada, ordem de partida imediata e... isto é mesmo o fim da picada... o VISTO PARA A GUINé BISSAU VALIDO POR 7 DIAS !!! Nem quero dizer mais nada, não mo poderiam ja ter dado ? Tiveram de esperar que eu ja não quisesse mais estar ali para me darem a permissão de o fazer por 7 dias. Quem nos mandou ter sido colonizados por Portugal ? Herança pesada a merda da burocracia !
 
Fugi a 7 pés de Bissau e fui me atirar num veiculo que me levaria para Gabu, segunda cidade da Guiné, que vou evitar descrever para que ninguém goze com esse pais magnifico, lindo de natureza e estupidificado pelas aberrações que detêm o poder. Dormi na casa de um puto que conheci no carro, conversamos bwé e acabou por convidar-me a ir ferrar no kubico. Dia seguinte depois do pequeno almoço fomos dar um giro pela cidade, eu queria ir a um cyber para informar a familia que ia tirar voado, so que chegado ao unico cyber da cidade que tinha de facto um placard pendurado anunciando o dito serviço, os guardas nos demoveram comunicando que a internet não funcionava ha 4 ANOS !!! Pé na estrada. Tenho 30 km para fazer hoje até Pitché, mais uma estrada deploravel. Andei boa hora e tal antes que a primeira viatura particular passasse e parasse. Ela não andou muito pois o condutor torrou o disco de embraiagem, por sorte em frente de um aldeamento, onde entramos tipo a casa era nossa e fomos logo nos deitando e sentando. Um guineense veio meter conversa, ja tinha estado em Angola mas foi expulso 4 meses depois por falta de documentos. Quer voltar. Trouxeram agua e comida e eu acabei por adormecer até as 16 e tal, hora que chegou o mecânico e que os que me tinham apanhado seguiram no taxi do qual o mecânico desceu. Segui até estar a 8 km de Pitché e a segunda viatura particular passou e, também ela, parou para me levar. Em Pitché um mangas muito parecido com o meu dreda Joel me chamou de longe e me convidou a descansar. Era o mais sensato, o Sol ja estava a cair e ja não ia avançar muito mais. Mais vale ficar onde me convidam. Mangas muito porreiro para não variar, ja tem metade do sonho europeu no passaporte (visto Schengen) e vai seguir para Lisboa brevemente para depois ir tentar um pais mais desenvolvido, deixando 7 kanukos na guigui. Quanto a mim, o meu caminho é para baixo, até ja Bora, não esquece então a roupa Baye Fall que me prometeste.
Andei num caminho altamente selvagem (mas pura selva mesmo vi macacos e tudo) 12 km até a fronteira com a Conakry. Uma fronteira com uma embarcação muito under que para atravessar de uma margem a outra do rio, temos que puxar umas correntes que estão articuladas a uma corda de metal com um sistema de roldana a alguns m de altura ligando os dois lados do rio. Grande fezada que tive, porque se não chegasse ao menos um carro iria atravessar de canoa a remos, que estava ainda do lado de la a depositar os ultimos passageiros. Mas chegou um carro muito rapidamente e não era um taxi, era um casal de franceses, na casa dos quais estou até agora na Conakry. Isso chama-se sorte ou para quem preferir, mão de « gody ».
Slideshow Report as Spam

Comments

luena
luena on

Força
Primo, quando a Katiana e o Mário me contaram que estavas a fazer esta viagem nem quis acreditar. Só passei por aqui para te mandar um beijo e desejar-te tudo de bom. Acho fantastico o que estas a fazer. Até breve. Luena

ovskyto
ovskyto on

Gody ta contigo
Porrring tirando akela tia malaika...a tal fulana...a Tata...tens encontrado gente fixe..ainda dizem que o Mundo ta cheio de gente maldosa. Xeh os macacos nao te deram corrida?

Add Comment

Use this image in your site

Copy and paste this html: