Vamos até Dakar (Fr+Pt)

Trip Start Aug 21, 2008
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Trip End Ongoing


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Flag of Senegal  ,
Monday, November 3, 2008

  Après deux heures et demi de marche sous un soleil impitoyable je me suis arrêté dans une station d'essence qui faisait penser à celles des films américains qui sont situés dans ces états pommés en plein milieu du désert, les bagnoles étant très rares et son arrêt dans la station en question l'étant encore plus. Le gars qui était en service lui-même était allongé dans le trait d'ombre gentiment fourni par le cadre métallique qui couvre les pompes, alors je lui ai demandait permission pour faire autant. Je me suis endormi et en me reveillant il m'invite à partager son repas. Merci beaucoup mais moi « Shouna » (jeûne). On a papoté un moment le temps que je prenne du courage pour repartir. Il faisait encore très très chaud mais je n'ai pas dû souffrir plus de 30 minutes puisque Bourahima s'est arrêté et après ma réponse de clochard à sa question de commerçant il me laissa monter gratuitement sur son camion. C'est lui aussi qui me propose de me coucher dans le petit lit de camionneur, situé derrière son siège, pour que les policiers d'immigration sénégalais ne me répèrent pas. J'ai hésité une fraction de seconde. Si je refuse je risque de passer au moins la nuit  à la frontière et rater l'occasion de ce passage qui me ramènerait jusqu'à Dakar, devant après en trouver un autre. J'étais fatigué et ayant comme seule envie d'avancer j'ai acceptée la proposition. Il y a au moins 40 contrôles douaniers entre la frontière et Dakar et à chaque fois je devrais me cacher comme une marchandise illégale. Chacune de ces 40 fois j'ai pu avoir une idée, quoique très timide, de ce qui doit ressentir le clandestin qui va franchir son dernier obstacle pour atteindre son paradis. La route était, pour ses 300 premières km, fort mauvaise, toute trouée et nous obligeant a rouler entre 10 et 30 kmh. Résultat on a pris plus de 36h à parcourir à peine 500 km, mais on était finalement arrivés à la capitale. Dès que l'on avaient franchi la frontière j'ai remis tout le reste de l'argent que j'avais à Bourahima, premierement parce qu'il m'avait éviter de perdre je ne sais même pas combien de temps à la frontière où certainement la somme allée rester avec les policiers, deuxièmement parce que il ne s'attendait pas a rien de moi une fois le débat du voyage rémunéré achevé, troisièmement parce que j'était touché par son histoire et finalement parce que je croyait vraiment ne pas en avoir besoin. Serait-il vraiment le cas ?

 
Duas horas e meia depois de iniciar a marcha, a destilar de calor e a sentir o meu corpo ser dominado por uma languidez tal que so pensava em deitar-me no asfalto para barrar a passagem ao proximo veiculo ou adormecer ali mesmo, decido aproximar-me de uma bomba de gasolina completamente deserta, parecia ter estado deserta o dia inteiro e assim iria continuar até ao fim do dia. Daquelas bombas dos filmes americanos no Alabama com os rolos de feno a passarem levados pelo vento e o empregado sentado com um macacão emporcalhado e palito na boca. Aqui o empregado estava estendido na esteira ao lado da bomba propriamente dita, num pequeno corredor de sombra garantido pela cobertura metalica do proprio quê ! Pedi autorização para lhe imitar e ferrei uma hora e tal. Quando ganhei coragem para continuar, caminhei coisa de meia hora até um camião parar. « Sabes qual é o preço ? ». Suspirei fundo e saquei o meu « obrigado, mas não, obrigado ». O rapaz sentiu-se levado por algum sentimentalismo e disse-me que subisse. Fomos conversando e como toda a gente honesta no mundo, ele era altamente explorado e desrespeitado pelo patrão. Sensibilizei-me com a historia dele, apesar de corriqueira por essa Africa toda. Chegando a fronteira ele sugeriu-me que passassemos na clandestinidade: « achas que vão te ver ? Deita so ai na cama ». A cama situa-se atras mesmo das cadeiras de conductor e co-piloto. Ainda hesitei, mas faltava-me vontade para passar a noite na fronteira a tentar convencer os policias a deixar-me entrar, então aceitei e dei o resto do kumbu que me sobrava ao Bourahima. Não tinha precisado realmente até então, estava confiante que as coisas iriam continuar a ser assim. Seriam mesmo ?
A maior parte dos 500 km até Dakar são um horror. Tivemos de rolar a uma velocidade ridiculamente baixa entre os 10 e os 30 kmh ao longo de 300 km e isso, mais um furo num dos pneus, fez com que levassemos 36h até Dakar. 40 postos de controle no caminho e a cada vez que nos aproximassemos transformava-me numa mobilia coberta pela kanga verde que a minha mãe me cedeu para a viagem e que tem sido de uma utilidade infinita.
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Comments

saleirofilho
saleirofilho on

A ODISSÉIA DE LUATI
Tal como Homero descreveu a Ilíada na Grécia Antiga, James Joyce com Ulysses refundamentou-a...ambos os autores descrevem as situações pelo mar.
Luati, digo com certeza, que você seria a versão pós-moderna desses dois grandes livros, porém você vai pela terra. É sua experiência perpassando por esses países africanos, e suas especificidades, materializam um novo tipo de Ilíada quiçá Odisséia. Tal como as sereias surgiam na frente de Ulysses [no mar] para hipnotizá-lo naquilo que supostamente seria positivo para ele [e na verdade loucura], esse engarrafamento de caminhões é de levar qualquer um a a beira de um ataque de nervos. É super a sua escrita! Continuo a roer unhas. Vamos aos próximos capítulos...

piero_roma
piero_roma on

Veramente una odissea Africana
Meravigliosa occasione per vedere i popoli africani e le fatiche degli uomini. Strade polverose, bambini che giocano con piccole cose , traffico infernale per attraversare una frontiera.
Spero che continuerai il tuo viaggio, e non sogni le splendite acque trasparenti dell'Europa.
a bientot

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