Casablanca

Trip Start Aug 21, 2008
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Trip End Ongoing


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Flag of Morocco  ,
Thursday, September 18, 2008

Depois da capital, a capital economica. A minha intenção era simplesmente que me deixassem na saida da autoestrada para eu voltar a entrar imediatamente seguindo a direcção de Marrakech onde contava com o Raki para me dar alojamento e refeição. Era o dia do aniversario da minha mãe e a minha unica resolução para esse dia era de ligar-lhe para lhe dar os parabéns e claro um sinal de vida. Fazia uma semana que tinha partido e ainda ninguém sabia do meu paradeiro. Depois de algumas horas a espera de boleia e mais um falso alarme, encostou o Driss, senhor simpatico e generoso que começou logo por me oferecer pequeno almoço na estação de serviço entre Rabat e Casa, o meu primeiro « pain au chocolat », mas chocolate nem vê-lo. Nenhuma das cabines disponiveis funcionava com moeda. Paciência, depois vejo isso. Fui conversando com o Driss e ele foi me dando algumas dikas de coisas importantes a saber em arabe, visto que até então, não tinha conhecido ninguém no meu percurso marginal que falasse francês ou espanhol ou outro mambo. Ou melhor, desde que me despedi do Raki, em Tânger, tive momentos algo estranhos ao nivel da comunicação, onde acabava por me remeter ao silêncio, por não saber mais como me exprimir. Também gosto de silêncio, não faz mal a ninguém. Estavamos a chegar a Casa e eu disse ao Driss que me deixasse sair onde ele saisse da auto-estrada que eu ia seguir o meu rumo e foi ai que ele, quase que tenho vontade de dizer que meio atrapalhado, como se estivesse ao ponto de me pedir algo, me propôs que eu fosse com ele para casa dele, tomasse um banho, comesse uma refeição decente e que depois ele me deixaria de novo na entrada da auto-estrada. Nem pisquei os olhos, disse logo que sim. Duche ? Que luxo. Assim foi. Primeiro fizemos algumas paragens, uma das quais para ele ir fazer a reza das 14h00. Apresentou-me o irmão que me pagou um cha e me deixou a assistir Canal Animaux no café da esquina enquanto eles iam rezar. Uma pergunta me assaltou o espirito : « sera que, quando nesse canal passam cenas sobre simios e como o homem evoluiu deles, eles mudam revoltados ? » Para os muçulmanos não ha meias medidas, foi deus que criou o homem e ponto final, so o nome da Eva muda, mas deve ser a sua remix arabesca « Awa ». O cha é fantastico, mas um bocado doce demais, eles metem icebergs de açucar la dentro e se calhar por isso, e por causa do calor caracteristico nestes paises, o cha seja sempre servido com um copo de agua fresca ao lado. No regresso, uma hora e tal depois, despedidos o irmão e o sobrinho que me desejaram « Trekh Saha » (boa caminhada), o Driss veio com um rolo de papel que continha ginguba e grão torrados. Não pude de deixar de reparar no papel que o embrulhava, era um « passou-bem » entre o Bush e o Blair com um sobre-escrito qualquer fazendo referência ao sucesso na missão no Iraque. Foi certamente a gingubada mais politizada que ja tive e dificilmente sera superada.
Fizemos mais uma ou duas paragens para comprar fruta e outros mambos e la chegamos. Atirei-me no banho e aproveitei para lavar a minha roupa num pequeno balde ensaboei varias vezes e ia ora esfregando ora pisando. Ensabooei montes de vezes mas a cada vez que metesse agua limpa la dentro ela ficava emporcalhada imediatamente. Desisti. Achei que ja estava suficientemente limpa. Antes de entrar o Driss desculpou-se dizendo que so havia agua fria. Se aquilo e frio entao quente ja não sei mais seria como. A agua por si so não e suficiente para fazer desaparecer a sensação de calor, sinto que estou sempre a transpirar e contribuo para isso com o exercicio de lavagem de roupa que faço a seguir. Ao sair ja tenho a refeiçao a olhar para mim, o Driss ja tinha pitado, disse que estava esfomeado. Papei tudo. Se na primeira refeição oferecida consegui rejeitar o frango deixando-o para o Raki, aqui não tive mesmo escolha. 8 dias depois da partida o vegetarianismo caiu por terra. Acho que ja nao falta mais nada nas minhas « manias ». Comi muito. Comi mais do que a fome, comi como se não tivesse visto comida em semanas. Tinha uma salada ao lado, e pimentos grelhados com um molho de cebola e a carne era de alguma coisa que não reconheci, ou ja não sei distinguir, mas não era de vaca, cabra se calhar. Comi com muito pão. Depois se dei de uvas, de banana, de pêra e então fiz uma pausa, repleto. Ficamos a assistir Al Jazeera e eu arrisquei pedir-lhe que me deixasse dar um beep à minha pequenita para ver se ela me ligava. Acho que não me expliquei muito bem, ou que ele não percebeu muito bem o que eu queria mas disse-me que não dava para dar toque. Pedi então que me mostrasse onde havia uma téléboutique ali perto, para usar a moedinha que tinha sobrado dos 10 dh da manhã anterior. Fui e dei-lhe toque e desliguei. A primeira alegria foi ter-me sido devolvida a moeda intacta, a segunda foi o telefone ter tocado quase imediatamente a seguir e eu ter podido finalmente ouvir a voz da minha menina. Tinha muitas saudades. Dei-lhe o num do telemovel do Driss e ela ligou-me. Depois de lhe ter contado o maximo que consegui, pedi que me ligasse à minha mamã para lhe dar os parabéns. Assim foi feito. Eu sabia que ia conseguir falar-lhe passasse o que se passasse, so preciso de pensar positivo para as coisas acontecerem.
Voltamos e o Driss serviu-me cha com pão e mel, um mel delicioso sobre o qual não consegui conter elogios que me valeram uma garrafa de 75cl cheiinha desse mimo doce para a viagem. A roupa secou e o Driss foi cumprir com a sua palavra e deixou-me na estrada que ia dar a auto-estrada. « Shokran », « Não é a mim que tens de agradecer, foi Allah que quis que os nossos caminhos se cruzassem ». « Então obrigado a Allah e obrigado por seres um veiculo terrestre da bondade que ele te inspira ». 4 beijinhos e até breve.
Caminhei, caminhei, caminhei, ia pensando em voz alta no caminho, o mais estranho é que a lingua na qual me ocorreu falar comigo proprio foi o inglês, que nem era uma lingua que tivesse utilizado nos ultimos tempos. Estava completamente absorto com os meus botões e divertido ao ver as pessoas olhando para mim de maneira estranha e resolvi meter o polegar de fora, sem esperança nenhuma, so pensando em sair da cidade e adentrar-me pela estrada nacional para encontrar um bom sitio para meter a minha tenda. Depois de meia horita de caminhada passa por mim um autocarro que me da o sinal da massa (o acariciar de polegar com indicador). Eu respondi também automaticamente fazendo o mesmo gesto seguido pelo do polegar invertido sinalizando « tou liso ! ». Para meu espanto o rapaz bate vigorosamente na chaparia do autocarro berrando algo para o motorista que o movimento sequente deste ultimo indica ser algo do género « Para, temos novo passageiro ». Tudo muito rapido, eu insisto « no Dirham », « no problem, Marrakech ? », « oui ». Empurrou-me para dentro do autocarro que ja arrancava e subindo gritou para o segundo cobrador « aquele não paga ». Desagrado (controlado) geral : « ehhh então porquê essa distinção ? ». « Meu amigo, eu tive sorte, não contava nada com isso ». Simpatizaram imediatamente comigo e conversamos um bocado. O mesmo de sempre, de onde vens e para onde vais. « Angola ? Como ? Quanto tempo ? Ehhh, és maluco ». Maluco ou não, estava num autocarro que ia fazer 240 km sem pagar a viagem, bondade humana (instantanea ou nao) com uma grande dose de caga a mistura, ja estava a fazer trilhar um pedaço de caminho importante, sem gastar um unico centimo de euro. Foi um dia perfeito.
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Comments

ovskyto
ovskyto on

o Drisss eh fx
Este Drisss eh um porreiro fonix....o gaijo do maximbombo que tiveste cunha tambem foi porreiro...ehehehe ha gaijos que tem cunha ate nas arabias....so duxaste nao aproveitaste despejar todos meloes e figos e pao com manteiga numa pia de verdade? BOA VIAGEM putu...

lisboainjersey
lisboainjersey on

Soa sorte!!!
bondade humana hehe

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