Lição parisiense #5

Trip Start Jan 03, 2011
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Trip End Jan 22, 2011


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Flag of France  , Ile-de-France,
Sunday, January 9, 2011

Paris, la cité lumière!

Como o último post foi mais um desabafo que um relato de viagem, peço desculpas e prometo me concentrar mais na protagonista desta história: a iluminada cidade de Paris.


Para entender por quê Paris é chamada de cidade luz, é preciso, claro, dar um passeio por ela à noite. Recomendo muito caminhadas despretensiosas no final da tarde, começando na estação Saint Michel (que fica ao lado da Notre Dame) do Metrô e descendo, com o Sena, até o jardim das Tulherias. É lindo!

O Louvre merece uma detida visitinha noturna, porque a iluminação acentua bastante o contraste entre o prédio antigo e a pirâmide de vidro que o De Gaulle mandou construir!

As fotos desse post foram tiradas sem muito esforço na nossa caminhada de hoje. Cidades europeias têm essa vantagem de proporcionar 360o de boniteza!

Voltando ao Louvre, você que leu o Código DaVinci deve estar se coçando pra perguntar o que raios existe embaixo daquela pirâmide de vidro. A resposta é simples e vem com foto: uma loja da Apple e um Starbuck's! Pensou que era o Santo Graal? Pois é, acertou! ;o)

Mas pra não deixar vocês sem história, conto como foi que essa pirâmide foi parar lá. Em 1983, o presidente Mitterrand quis deixar sua marquinha no centro de Paris e, como todos o museus, prédios públicos e praças já estavam construídos (e foram preservados durante a guerra), decidiu reestruturar o museu e fazer um intervençãozinha estética no vazio que existia em uma de suas vááááárias entradas.

Para isso, contratou um arquiteto que prometeu fazer algo tão discreto que não perturbaria os franceses e tão inovador que imortalizaria a imagem de Mitterrand: uma pirâmide invisível! (Fiquei me perguntando qual era o ponto de construir algo que ninguém poderia ver. Mas, enfim, como o Louvre é, para a maioria dos turistas, apenas um labirinto sem fim, achei que colocar um grande e pontiagudo objeto invisível na porta era, no mínimo, coerente.)

Quem já viu fotos da pirâmide (inaugurada em 1988) sabe que ela é tudo menos invisível! Uma estrutura de ferro imensa segura as placas de vidro super pesadas e resistentes das quatro (4!!!) pirâmides que o artista construiu, rodeadas por espelhos d’água em forma de... (adivinhem!) pirâmides. Do lado de dentro, descem as escadas rolantes que dão acesso às bilheterias e a um shopping gigante que vende desde souvenires até MacBooks Air!  

As pirâmides dividem opiniões aqui na França. Há quem deteste e há quem goste muito. Eu confesso que a primeira sensação é de estranhamento mesmo, porque o prédio antigo do museu é suficientemente impressionante. Quem dá uma andadinha em volta do Louvre não tem a menor dúvida de vai ficar perdido lá dentro! Nesse sentido, é um pouco triste que o cartão postal do museu seja a tal pirâmide... talvez isso se deva a um fato simplesmente prático: as pirâmides cabem na foto, mas o prédio antigo acho que só se for foto aérea. (Juro! Tentamos a panorâmica e não deu pra mostrar nem o cantinho!)

Outro ícone parisiense que não teve a melhor recepção do público francês foi a Torre Eiffel. Quando ela foi construída, em 1889, como portal da Exposição Universal em Paris, a crítica dizia que "aquilo" era a coisa mais horrorosa que já havia sido erguida na Europa. A torre, que era temporária, viveu sob ameaça de destruição por algumas décadas, até que decidiram dar utilidade a ela. Colocaram uma antena de rádio no topo, que se tornou, de fato, muito útil durante a guerra.

Com o tempo, o povo se acostuma, né, e a torre passou a despertar a simpatia dos locais. Hoje em dia, ela é considerada o lugar mais romântico do mundo, onde mais de 70 de pedidos de casamento acontecem por dia! (Dados do guia... podem duvidar, comigo, da metodologia usada na pesquisa estatística! Se bem que ele argumentação dele era bem válida: uma torre de 324 metros de altura não é o melhor lugar pra se recusar um pedido de casamento).

Por último, e continuando na vibe Paris romântica, queria mostrar as fotos que tiramos da Pont des Arts. A ponte em si não tem nada de mais, mas como ela liga o Museu do Louvre à Academia Francesa de Letras e tem vista privilegiada para a Torre Eiffel, dá pra entender porque foi eleita o segundo love spot de Paris. Para selar juras de amor eterno, casais de namorados costumam deixar cadeados nas grades da ponte, com suas iniciais e desenhos em forma de coração, e jogar as chaves nas águas do Sena.

O que me divertiu muito durante o passeio foi ver que as concepções de amor eterno são muito subjetivas e variáveis hoje em dia – como demonstraram bem os cadeados!

Um certo casal, seguro de sua escolha, afixou à grade uma trava de carro, cravada com as inicias J & T. (Provavelmente, João e Teobaldo!)

Outro amante, mais consciente da volubilidade humana, foi pragmático: jurou amor eterno deixando como testemunha e prova um cadeado com senha e sem iniciais, plenamente reutilizável em suas futuras investidas amorosas! (Imagino que o ato tenha sido acompanhado de algo como: “Mon amour! Ma chérie! Só você tem a senha do meu corrração!” Rs...) 

Lição parisiense #5: No apagar das luzes, quanto tempo será que dura o amor eterno hoje em dia?






 
 





 




 
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