Lição parisiense #3

Trip Start Jan 03, 2011
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Trip End Jan 22, 2011


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Flag of France  , Ile-de-France,
Saturday, January 8, 2011

Terceiro dia em Paris: as vantagens do cosmopolitismo

De todas as coisas que eu poderia prever sobre nosso terceiro dia em Paris, uma certamente estava fora do alcance da minha imaginação: que eu acabaria escutando o CD inteiro da Daniela Mercury num bar mexicano com duas porto riquenhas divertidíssimas que conhecemos no tour de ontem.

Impressionante como a latinidade dos americanos é diferente da dos europeus. No primeiro dia do tour à pé por Paris, Grazi e eu conhecemos Nibia e Amy – duas porto riquenhas meio grunges que estavam tão empolgadas com o tour quanto a gente. Demorou pouco pra ficarmos amigas. Entre uma explicação e outra do guia (o inglês), combinamos de fazer juntas também o tour a pé por Montmartre no dia seguinte.

Grazi e eu nos atrasamos porque o casal de coreanos que dividia o quarto com a gente se revezava no banheiro freneticamente, lavando potinhos e paninhos (asiáticos têm um jeito próprio de mochilar... resumindo: a coisa toda envolve muito Cup Noodles e várias toalhinhas superabsorventes!) e a gente não conseguia se arrumar.

Quando finalmente chegamos ao lugar marcado (o Starbuck's na frente do Moulin Rouge – wot???), não havia mais ninguém lá. Depois de um longo "– Puuuutzzzzz!", decidimos dar uma olhadinha em volta pra ver se encontrávamos as porto riquenhas. Foi fácil, Amy usava um protetor de orelha verde com florzinha e Nibia calças cor-de-maravilha (meio RESTART). Viva a latinidade colorida!

Quando chegamos junto ao grupo, e as meninas nos reconheceram, foi um “-Ahhhhhhhhhhhhhh! Gracias a Dios!!! We’re glad you made it, nenas!” E nós, do nosso lado, aderindo à gritaria e cedendo aos abraços apertados de melhores amigas (BFFs) que acabaram de se conhecer, chocamos o resto da gringaiada e desconcertamos o guia – novamente um inglês (ou americano, segundo a Grazi. Estou pressupondo que todos são ingleses, porque noto um pouquinho de recalque na voz deles).

Assim foi o tour, as 4 que não se desgrudavam e que sempre ficavam pra trás do grupo contando histórias paralelas, tirando fotos artísticas e rindo à toa, até que o guia se estressou e decidiu não esperar mais. Fomos abandonadas no meio de Montmartre pelo grupo todo!!!! Não sobrou ninguém pra, pelo menos, sinalizar o caminho de volta. E o pior – aquele grupo era meio caído pra gente mesmo – é que perdemos a taça de vinho “grátis” a que o tour de 10 euros dá direito! Cachorrada!

Diante da situação, o melhor a fazer era desfrutar Montmartre, parar em CADA LOJINHA e examinar CADA SOUVENIR, sem levar nada. Procurar a crêperie mais charmosinha e discutir casualmente a situação semicolonial de Puerto Rico! rs...

Foi divertidíssimo! De lá seguimos para Saint Michel, demos a volta na Notre Dame e fomos parar num restaurante (adivinhem!) LATINO na Saint Jacques. Sabem do que latino sente falta? De arroz! Três dias sem arroz e um latino pede pra sair (ou, mais comumente, pára o primeiro latino que conhece no exterior e pergunta sobre um restaurante latino!)

A comida era realmente ótima! De lá perguntamos sobre um bar divertido pra ir depois... No restaurante latino, sugeriram, claro, o “Latino Connection”. Pra completar o estereótipo, o Latino Connection não era um bar comum: os garçons andavam de cuecas (no frio de 4 graus que estava fazendo) e as bebidas tinham nomes esquisitinhos. Não ficamos porque.... a cerveja era cara e, segundo as porto riquenhas, isso (cerveja cara) não era nada latino. Parece que, para elas, o lance da cueca fez sentido!

Nessa hora, a gente concorda e parte pro próximo bar-cerveja-barata que encontra. “Coincidentemente”, outro bar latino, bem do lado, onde a 1664 e a Heineken custavam só 3 euros!

É agora que a noite surpreende: dentro do bar havia um porto riquenho solitário sem notícias da pátria há algum tempo. Na vitrine do bar havia um desenho de sol, usando um sombrero coberto pela neve. No fim da noite, achei que o solzinho era a metáfora perfeita da vida do moço. O resultado do encontro foi comovente. A cerveja pra gente custou nada. As meninas ganharam um tio em Paris e uma carona pra casa (o tipo era taxista), e para agradar as brasileiras, o dono do bar tocou de 90 minutos ininterruptos de Dani Mercury!!! (Sorte que não era o CD do Pelô! Ufa...)

Fazendo um balanço do dia, amamos Montmartre! Viveríamos lá tranquilamente, se não fossem as histórias tristes dos suicidas que o guia elegeu para ilustrar a popularidade do bairro. Van Gogh, que lambia tinta e acabou monoauricular, Dalida, cujos três maridos suicidaram-se até que ela se perguntasse – “Pour quoi pas?”, e Henri Marie-Raymond de Toulouse-Lautrec-Montfa, pintor e frequentador assíduo do Moulin Rouge que cometeu suicídio homeopático, tendo morrido de cirrose+sífilis.

Um detalhizinho me chamou especial atenção, e agora ando por Paris olhando para as paredes. WARNING: Quem tem menos de 28 anos, pode pular esta parte porque não vai achar graça! Há um artista parisiense misterioso que espalhou ladrilhos do Space Invaders (aquele joguinho do Atari, para você que não tem idade, mas insistiu em ler!) pela cidade toda. São mais de 700 só em Paris, e o guia disse que existem mais pelo mundo. O divertido é que, como ele colou os azulejos com cola plástica, não tem como tirar. E acho que ninguém quer que tirem mesmo. Correm boatos de que se você conseguir marcar no mapa de Paris todos os lugares onde o artista colou azulejos, vai ver um grande diagrama do Space Invaders se formar. Não é legal? Achei o máximo! E já encontrei 3 eles... Um, aliás, na porta do bar mexicano onde passamos a noite ouvindo a velha guarda do Axé! Coincidência?

Lição parisiense #3: Os azulejos estiveram sempre lá, mas não me diziam nada até que alguém me dissesse alguma coisa.  
 

 
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