Um mergulho no Espiritu Santo.

Trip Start Oct 12, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed
Village De Santo Resort Luganville
Read my review - 5/5 stars
What I did
SS Coolidge

Flag of Vanuatu  , Sanma,
Thursday, August 18, 2011

Por Robson                                              English versionEnglish Version

Projeto 20°12' tem como objetivo registrar situações em todos os países com terras no paralelo 20°12'Sul. Para saber mais, visite a página inicial sobre este blog
 
No post anterior começamos a falar do Espiritu Santo. Neste post vamos literalmente mergulhar em Vanuatu, com direito a cilindro, colete e tudo mais.

Espiritu Santo é uma das mecas para mergulhadores. Apesar da beleza natural e dos recifes bem preservados, o que atrai tropas de mergulhadores à ilha é outro motivo. Duas ilhas de Vanuatu, Efate (onde fica a capital) e Espiritu Santo, abrigaram bases norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial. Só na ilha do Espiritu Santo ficaram alojados cerca de 100.000 soldados. E claro, essas tropas deixaram marcas.




 
Um dos points de mergulho de Espiritu Santo é o Million Dollar Point (Ponto do milhão de dólar). Para quem não sabe, após as guerras, os militares voltam e deixam tudo para trás, metralhadores, jipes, canhões, caminhões, munição... Pois bem, após o fim da guerra, na partilha entre os vencedores da guerra, Vanuatu seguiu sendo uma colônia administrada por um consórcio Franco-Britânico (que durou de 1906 a 1980). Como os EUA tinham um monte de tranqueiras de guerra armazenada lá, ofereceram elas para os franceses e britânicos a um preço camarada. Diz a lenda que, como eles sabiam que os EUA não levariam nada de volta, acharam que, de pagando ou não, ficariam com as armas de herança e oficialmente declinaram da oferta.

Os franceses e ingleses estavam apenas 50% certos. Os norte-americanos realmente não levaram as tranqueiras embora, mas como esperavam outra resposta também não quiseram deixar para os colegas. Então construíram uma rampa mar adentro e começaram a despejar as coisas (ambulâncias, tratores, caminhões cheios de armas...) no mar. Os ni-vanuatu acharam que os americanos tinham enlouquecido, mas não, estavam apenas criando "um monumento à futilidade da guerra" como disse Earl Hinz. Por sorte naquela época as munições não eram enriquecidas com urânio e hoje podem ser visitadas por mergulhadores. Só tiramos uma foto da praia, mas fotos subaquáticas podem ser vistas aqui
. Tirei a maior parte das informações daqui

Mas a grande estrela do mergulho aqui é o SS Coolidge. O nome do navio é emprestado de ex-presidente dos EUA e foi construído no período entre-guerras para servir como um luxuoso navio de cruzeiro, junto com o gêmeo SS Hoover de uma série em homenagem aos ex-presidentes dos EUA. Com a entrada dos EUA na 2ª Guerra, esse navio, originalmente projetado para cerca de 1000 passageiros confortavelmente distribuído entre seus decks, foi convertido em um navio de transporte de tropas com capacidade para 5.000 soldados. Após sua primeira viagem para Vanuatu, navegando pelo último trecho até o porto, o navio atingiu uma 'mina amiga' e depois outra, vindo a pique. Como estava muito perto da costa, só dois militares morreram no acidente. A foto ao lado é de um painel com o esquema do navio, que fica exposto no centro de visitantes da cidade.

Esse é um navio enorme! 9 decks, 22mil toneladas, 200metros de comprimento e 25 de largura. O maior navio de passageiros construído nos EUA. As pessoas vão para Vanuatu só para mergulhar nele. Eu fiz um mergulhinho que valeu muito à pena! As outras pessoas com quem eu mergulhei estavam lá pelo 10º mergulho (só nesse navio). Para quem gosta de mergulho em naufrágios, esse é um ponto para marcar no mapa. Além de toda a história do navio, a temperatura, a visibilidade da água, as estruturas bem preservadas, diversas passagens e relíquias no navio, sem falar que o acesso é feito da costa, tornando ele o naufrágio desse porte mais acessível do mundo. Repito: Vale à pena! A área foi declarada de proteção ambiental pelo governo de Vanuatu em 1983.

As fotos abaixo eu tirei daqui e mostram o navio quando ainda servia rotas de cruzeiro (esquerda) e no dia que atingiu a mina, com as tropas abandonando (direita). Mais fotos boas do navio naufragando podem ser vistas nesse site, que também tem uma série de outras informações interessantes sobre o navio.
 


Mais uma coisa interessante sobre esse navio é o mergulhador por trás desse point de mergulho é que ele foi "criado" por um cara que ainda está vivo: Allan Power. Mergulhei com a equipe dele e descobri lendo a revistinha de bordo da Air Vanuatu que o homem é uma lenda. Não é por menos que Allan Power figura no Hall da fama do mergulho, junto com Jacques Costeau. Ele fez o primeiro mergulho em Vanuatu como fotógrafo para uma reportagem e não parou mais. Já fez mais de 15.000 mergulhos (somando todos os minutos, chega-se a inacreditáveis um ano e meio sob a água, junto ao navio). Hoje Power gerencia sua operadora de mergulho e tem como maior hobby a jardinagem. Além dos belos jardins que de que ele cuida na operadora, ainda presenteou os mergulhadores com um jardim de corais na área de parada de segurança, na volta do mergulho no SS Coolidge.

Além dos pontos de mergulho, há outras heranças de guerra que foram deixadas em Vanuatu. Armazéns e prédios que atendem a população até hoje. Os armazéns foram transformados em oficina e outros comércios, enquanto o QG abriga hoje as atividades da prefeitura.
   





























 
Mas o melhor de Vanuatu mesmo é o povo! Parece meio "lugar comum de turistão", mas esse povo é realmente cativante em seu jeito simples e inocente, que passa uma sensação de que estão felizes com suas vidas ilhoas. Não por acaso o povo de Vanuatu por duas vezes já foi considerado o mais feliz do mundo (sabe-se lá como se mede isso).

O que mais fazer na ilha? Após alguma insistência da Bev, dona da pousada Village de Santo, fomos assistir uma apresentação tradicional em um povoado. Um novo mergulho, dessa vez cultural. Chegamos aparentemente em um mau momento. O chefe da tribo parecia irritado e com seus guerreiros empunhando lanças e falando palavras de ordem em um tom áspero logo cercou e sequestrou a Carol!








 
Você já deve ter sacado que tudo isso era parte da encenação. Apesar de terem um histórico de canibalismo, os ni-vanuatu são da paz. Olha a pinta desses guerreiros mirins!








 







 
 Ganhamos coroas de buganviles, assistimos e participamos de uma roda de dança, comemos comidas típicas que foram preparadas à moda tradicional na nossa frente
 

Na sequência assistimos a um show que pela minha ignorância artística, não sei se deve ser classificado como musical ou teatral. Os homens se enfileiraram no terreno. Uma mulher que fala um bom inglês ficaram do lado de fora enquanto um grupo de 5 mulheres entrou em um tanque. Essa mulher que estava fora era a narradora. Então ela anunciava que as percussionistas (ou atrizes?) apresentariam o número "As ondas do mar", depois "Golfinhos saltitantes" e por aí vai. E as mulheres no tanque faziam uma encenação bacana, gerando sons interessantes e nitidamente diferenciados de um número para o outro com o movimento do corpo e dos braços. Nunca tínhamos visto nada igual!

Ficamos com a turma por umas 2 horas e confesso que foi uma experiência muito divertida. Somos muito gratos à Bev pela propaganda que ela fez e pela certeza (que só ela tinha) de que gostaríamos.

Fim de tarde, voltamos para a pousada, curtimos um pouco do fim do dia ao lado da piscina e no nosso jantar de despedida no restaurante do hotel curtimos o show de um artista local com um banquinho e um violão.







 








 
No dia seguinte nos despedimos da simpaticíssima Bev e seguimos viagem e até hoje temos saudade dessa memorável passagem pela ilha de Espiritu Santo.









 


 
Ao chegar ao aeroporto para mais um voo com a Air Vanuatu, uma última demonstração da simplicidade do país que funciona. Nada de painéis eletrônicos complicados, um simples quadro branco com os voos programados é suficiente para informar a todos a programação. Para que mais?

Como dizia Da Vinci "A simplicidade é o último grau da sofisticação".
  
 
 

















 
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Projeto 20°12'............................................Projeto 20º12' : Projeto 2012
www.projeto2012.com.br 

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Comments

Leandro Leme Neto on

Parabéns pelas fotos e descrição.
Abraços.

foradecasa
foradecasa on

Leandro, valeu pelos comments! Ficamos felizes em receber feedback dos posts. Abs,

Sinésio on

Amigo q show as fotos e a viagem!! deve ter sido lindo ver a cultura do povo, as paisagens lindas... parabéns irmão!!!

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