Madagascar 4, episódio final!

Trip Start Oct 12, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Flag of Madagascar  ,
Monday, September 5, 2011

Por Robson                                              English versionEnglish Version


Esse é o último de uma série de quatro posts sobre Madagascar na jornada do Projeto 20°12' pela África. O Projeto, tem como objetivo conhecer todos os países na latitude 20º12' Sul e Madagascar foi um dos pontos altos da viagem. Para saber mais, visite a página inicial sobre este blog.

  Saímos de Bekopaka e fomos para Belo sur Tsiribihina, uma pequena cidade à beira do rio Tsiribihina, onde passamos a noite, a meio caminho entre Bekopaka e Morondava. Assim que amanheceu fomos para a Floresta Kirindy, mais uma unidade de conservação de Madagascar.









 
  










 


 
 
Em Kirindy pudemos entrar na 'floresta seca', uma espécie de caatinga, com vários trechos bem densos de vegetação arbustiva, sem folhas nesse período do ano, outras áreas menos densas, com árvores mais altas, também com poucas folhas remanescentes, poucas delas verdes um contraste muito grande com o lado mais úmido de Madagascar, onde estivemos dias antes. Apenas as áreas próximas a cursos d'água, (sem água corrente nessa estação) possuíam plantas com folhas verdes. Essa área também possuía mais vida animal, borboletas, pássaros e lêmures. Sim, há lêmures adaptados a cada tipo de ambiente por aqui.
   











 


 








 


 
 
 
Nessa Floresta, há um centro alemão de pesquisas com primatas, que pelo que entendi criou a infra-estrutura de apoio ao turismo, mas os pesquisadores mesmo ficam em uma área isolada. Eles mapearam a Floresta e colocaram rádio-transmissores em coleiras nos lêmures. Além dos pássaros, lêmures, etc, na área de administração do parque ainda vimos a famosa fossa, maior carnívoro da ilha e predadora natural dos lêmures. Aqui ela é quase que um animal de estimação e fica rondando a área da cozinha.
 
 
 









 
 











 


 
 











 


 





 






 
 











 


 
 
Após o almoço ainda no restaurante da Floresta Kirindy, seguimos sem pressa para Morondava. No caminho, paramos no Baobá sagrado, um monstrão. Acho que para abraçar esse baobá, seriam necessárias mais de 10 pessoas! Também fomos a um vilarejo e paramos numa lujinha de artesanato. A mais sortuda foi a Célia, que além de comprar uma lembrança, ainda conseguiu tirar uma foto com o próprio artesão. 
 
 

 
 







 







Na latitude de 20°12', que dá nome ao nossa viagem, conhecemos outro baobá famoso. Na verdade não é um, mas sim dois, conhecidos como Baobás Apaixonados (Baobab Amoureux), eles cresceram juntos e enroscados um no outro durante os séculos. Há uma lenda que eles representam o presente dos deuses para um casal que se conheceu e se apaixonou, mas que já estavam prometidos para casarem-se em suas respectivas vilas. Os baobás então vivem o amor que eles não puderam desfrutar... Para conferir no mapa, a latitude é 20°12'42"S e 44°24'00".
 
 

 
 







 
 
 














 
 









O 'gran finale' do dia foi na Alameda dos Baobás ou Avenida dos Baobás. Chegamos com o sol ainda alto, podemos tirar fotos de vários ângulos, passear entre os baobás, passar num pequeno escritório nas redondezas, que faz papel de centro de visitantes, entender a história da alameda dos baobás e as ameaças a que esses gigantes seculares estão expostos. 
 
 

 
 










 
 









Resumindo, antes da chegada do homem, toda a região era coberta por uma floresta densa e os baobás eram só mais um tipo de árvore que existia por aqui. Com a chegada do homem, a floresta foi sendo derrubada, ou se escasseando com as queimadas usadas para abrir áreas para plantio e criação de gado. Os baobás, resistiram, em parte por serem considerados sagrados por alguns (na língua local, chamam-no de renala = mãe da floresta), em parte pela sua resistência ao fogo e, como não podia deixar de ser, por não terem valor comercial. Hoje os baobás dessa região estão mapeados e numerados para fins de acompanhamento e preservação e a Alameda dos Baobás é uma coisa que ocorreu por acaso, como disse no post anterior, essa estrada foi crescendo naturalmente e nesse ponto a estrada passa entre uma sequência de vários baobás do tipo Adansonia grandidieri que resistem bravamente às mudanças. Mas nem tudo são flores para esses gigantes. Com o crescimento das áreas de plantio de arroz e cana nos seus arredores (que precisam de água constantemente) o solo próximo a vários baobás fica constantemente encharcado, uma condição artificial inesperada para eles, que cresceram entre ciclos de chuva e seca. Algumas árvores estão aprodrecendo a partir das raízes e outros baobás caindo simplesmente porque o solo vai amolecendo, não necessariamente na Alameda, mas outras dezenas existentes nas redondezas.
   
 

 
 










 
 










 
 










 
 










 
 



Conforme o sol foi baixando, mais pessoas foram chegando para assistir o espetáculo do pôr do sol. E que espetáculo! Algumas pessoas faziam orações, outros rituais mais complicados, mas a maioria ficava apenas contemplando e tirando fotos. A seguir, algumas das fotos que tiramos lá.
  
 

 
 










 
 










 
 










 
 










 
 










 
 










 

 
 









 









Passamos a noite e o dia seguinte em Nosy Kely, um balneário de Morondava (pronuncia-se murundava). Nos hospedamos em um hotel rústico com vários bangalôs de madeira fincados na areia, de frente para a praia. O hotel estava em boas condições, o restaurante contava com algumas opções interessantes de frutos do mar e com um pessoal disposto a nos agradar. Pegamos um dia de muito sol, mas não havia muitos turistas na praia, nenhum vendedor de picolé ou churrasquinho. Aliás, essa é uma coisa de que não podemos reclamar aqui em Madagascar. Ñão há assédio de vendedores. Quando vc encontra alguém vendendo algo, a pessoa fica lá, com seus produtos expostos, se lhe interessar, ótimo, senão, tá bom também.

 
 
 
Após acordar tarde, fomos enchendo nosso dia porque no fim da tarde, nosso superguia, Philemon, nos levaria para conhecer Bethania. Caminhamos pela praia, que não tem muitas atrações. A área próxima ao hotel é relativamente limpa, com vários hotéis próximos uns dos outros, mas indo para o norte, o cenário é de habitações muito simples, da população local, sem infra-estrutura nenhuma. Almoçamos em um restaurante próximo ao hotel, eu comi um bicho que nunca tinha visto antes, algo entre um camarão e um lagostim, a Carol foi mais conservadora e pediu uma massa mesmo, enquanto a Célia pediu um peixe. Para nossa surpresa, a música que estava tocando no som ambiente era brasileira, de algum cantor sertanejo que não conseguimos reconhecer. Definitivamente o Brasil estava na moda mesmo. Passamos a tarde à toa, descansando ainda da estrada e das caminhadas pelo Tsingy.

No fim da tarde encontramos Philemon e pegamos uma canoa tradicional a remo para dar uma volta no mangue e depois conhecer Bethania, uma comunidade de pescadores do outro lado de um canal que limita a praia de Nosy Kely. O mangue deles é parecido com o nosso, com terra escura, caranguejos na lama, vegetação arbustiva densa... Fizemos todo o passeio em uma canoa a remo e chegamos a Bethânia em um dia especial. Era o dia de circuncisão da molecada, um rito de passagem para os meninos. Nas vias de areia da comunidade havia tabuleiros com doces e amendoim na frente das casas. Demos uma volta, Philemon falou dos problemas enfrentados por aquela gente e mostrou uma escola que foi destruída por um furacão, a dificuldade de conseguir médicos e dificuldade das pessoas buscarem os médicos, uma vez que preferem usar simpatias e outros métodos tradicionais. Apesar de parte da criançada estar orgulhosa por ter passado pela circuncisão, é uma vida realmente sofrida. Na volta para o hotel, curtimos mais um pôr do sol espetacular em Madagascar, dessa vez se pondo no Índico. Podemos dizer que fechamos com chave de ouro :-)
 
 

 
 










 
 










 
 










 
 










 
 










 
 










 
 










 
 










 
 










 

 
 

 
 





 
 

















 









Na manhã seguinte Philemon fez questão de nos levar ao aeroporto de Morondava e esperar embarcarmos (não duvido que tenha esperado inclusive o avião decolar). O voo de Morondava para Antananarivo casa bem com a conexão com o voo da SAA para Joanesburgo. Nesse meio tempo de espera no aeroporto, a prestativa consultora de viagens Lalaina fez questão de nos encontrar e receber um feedback nosso sobre os serviços, os pontos fortes e o que poderia ser melhorado. Essa moça tem futuro, não por acaso já foi promovida a gerente!

Fazendo uma retomada sobre os quatro posts que escrevemos sobre Madagascar, no primeiro demos uma geral no panorama do país e as coincidências que
descobrimos entre Madagascar e o Brasil, em especial com Minas Gerais, no segundo mostramos um pouco do lado chuvoso do país e da floresta úmida, no terceiro focamos na visita ao Tsingy (uma viagem dentro da viagem) e neste último o lado agreste de Madagascar, com destaque para a Alameda dos Baobás. Apesar de termos ficado basicamente na mesma latitude, já deu pra ver como Madagascar tem contrastes, a diversidade de belezas naturais, paisagens e animais únicos no mundo. Ainda nos faltou explorar Nosy Be no extremo norte, em uma região com lindas praias e resorts de sobra para quem só quer moleza. Num raio de 400km de Morondava ainda há outros parques importantes, Isalo, subindo o rio Tsiribihina e Ifaty, nas redondezas de Toliara, ambos habitados pelo famoso lêmur de cauda anelada e cheios de paisagens ideais para quem gosta de pedalar. Nesta última mensagem aproveito para reforçar a importância de se visitar Madagascar. O turismo é um importante 'produto de exportação' para o país que, de uma forma ou de outra, acaba se revertendo como renda para uma parcela da população, além de reforçar a importância da conservação desses recursos. O povo é simples, mas o país é fantástico e há estrutura suficiente para uma visita inesquecível.
  
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Siga nossos passos:
 Guia: Philemon
 Morondava - Antananarivo: voo da AirMadagascar
 Antananarivo - Joanesburgo: voo diário da SAA;
 Hotéis: Karibo (Belo) e Renala (Morondava);
 Agência: Madagascar Travel and Tours Company.

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Vocabulário malgache básico (lembrando que o tem som de u em português):
  . Kassava = Mandioca;
  . Malagasy = Malgache;
  . Mazotoa = "Saúde" (num brinde);
  . Misaltra = Obrigado;
  . Mora mora = devagar, sem pressa;
  . Mafi Mafi = rápido, apressado. 
  . Salama = bom dia, olá, boa tarde;
  . Tena tsara ou Tsara be = Muito bom;
  . Tonga soa = Bem vindo;
  . Veluma = Tchau; 
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 Projeto 20°12'............................................Projeto 20º12' : Projeto 2012
 www.projeto2012.com.br  
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Comments

heloisa on

Valeu! Valeu! Valeuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Bonitas fotos , lugar interesante e um guia cuidadoso. Parabéns vcs escolheram bem.

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