Oeste, Tsingy de Bemaraha, a floresta de pedra

Trip Start Oct 12, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Flag of Madagascar  , MG.03,
Friday, September 2, 2011

Por Robson                                              English versionEnglish Version

Esse é o terceiro de quatro posts sobre Madagascar na jornada do Projeto 20°12' pela África. O Projeto, tem como objetivo conhecer todos os países na latitude 20º12' Sul e Madagascar foi um dos pontos altos da viagem. Para saber mais, visite a página inicial sobre este blog.

Depois da visita ao lado úmido (de que falamos no post anterior), fizemos uma inversão total e fomos para o lado mais seco de Madagascar, o lado oeste, de frente para o Canal de Moçambique, a 500km de distância do Grande Continente Africano. Praticamente toda a umidade do Índico que chega do leste fica represada pela cordilheira central do país e se descarrega em chuvas no lado leste, deixando essa faixa costeira com chuvas normalmente restritas ao período de dezembro a março, num volume médio parecido com o do interior do RN. Com isso o ambiente, a vegetação e os animais são bastante diferentes do lado leste da ilha. As fotos aéreas que tomamos na chegada ao país e que colocamos no primeiro post de Madagascar, dá uma ideia boa de como é árido.
 
Para chegar aqui, tomamos um voo da Air Madagascar até Morondava (na língua malgaxe o O tem som de U, logo fala-se Murundava). Algumas curiosidades sobre a Air Madagascar, antigamente ela era conhecida como AirMad (algo como AeroMaluco em português), o que nos fez entrar no avião com 'um pé atrás'. O avião, um Airbus 320 estava em ótimas condições, logo depois que todos se acomodaram, a comissária ofereceu balas em uma cestinha (algo bem familiar, não?) e já começamos a relaxar. Outra curisodade é que as instruções de segurança são dadas em três línguas, malgaxe, francês e inglês. Até aí tudo bem, o que nos chamou a atenção foi que a tripulação leva o assunto muito a sério: em todas as línguas, a tripulação repetiu os movimentos e faz praticamente um simulado, colocando as máscaras no rosto, vestindo o colete e ajustando as tiras. No fim da apresentação não há como ter dúvidas de como usar os equipamentos caso necessário, bem diferente da maioria do mundo, onde nunca vi os comissários efetivamente vestirem coletes e máscaras.
 
 
Ao chegar em Morondava encontramos nossos companheiros para os 3 dias que se seguiriam, o guia Philemon e o motorista Sulo. Fomos direto do aeroporto de Morondava para Bekopaka (Bekupaka), uma distância de 200km. Dizendo assim soa pouco, mas esse trecho nos tomou umas 8 horas. A estrada sem asfalto parece algo que cresceu naturalmente, de uma trilha inicial para andarilhos até virar hoje uma via para veículos. Praticamente não há trechos retos ou planos, o normal é estar subindo, descendo ou passando por lombadas. Como nosso guia Philemon nos ensinou na língua malgaxe, aqui tem que ser mora mora (=devagar) Logo no início do caminho passamos pelo paralelo 20°12' Sul e por uma das maravilhas de Madagascar, a Alameda dos Baobás (de que falarei no próximo post). 
 
 











 
 










 









 


 



















No caminho precisamos atravessar dois rios em ferries (balsas). O primeiro, Tsiribihina, um rio relativamente largo que cruzamos até a cidade de Belo sur Tsiribihina, havia fila de carros e caminhões e pessoas para tomar o ferry, apesar do cais ser improvisado na beira do rio, havia alguma estrutura de lanchonetes na margem para quem espera a vez. Nesse primeiro ferry havia uma mulher de cara pintada de argila com os filhos que deixou que tirássemos uma foto. Não deu pra conversar com ela pela barreira da língua, mas nosso guia Philemon disse que algumas mulheres usam essas máscaras de argila com dois objetivos, proteção contra os raios de sol e para tratamento estético facial.
 
 











 









 







 











 
Já chegando em Bekopaka tomamos outro ferry, no rio Manambolo, dessa vez bem mais modesto, com horário de almoço estipulado e informado na placa para quem chega. Daqui até o hotel só mais 10 minutos... Bekopaka é basicamente um pequeno vilarejo, com algumas casas, quase nada de comércio e uns hotéis, olhando uma foto aérea há por volta de uns 100 telhados. É a base para quem quer explorar as atrações das redondezas.
  
 
Chegamos a Bekopaka e fomos para o hotel, localizado numa parte alta. Ficamos em um bangalô simpático, com acabamento rústico de boa qualidade, uma varanda e muito sol. O hotel ainda dispunha de uma piscina convidativa para o fim de tarde, um deck para apreciar uma bela vista do sol poente, com um bar ao lado com drinks feitos na hora e um excelente restaurante. Algo realmente bacanérrimo e inesperado dado o isolamento do local.
 
 
 





 











 










Mas o que nos levou a esse lugar? O que tem de tão especial por lá? Afinal, deve haver algo que justifique tantas horas de estrada empoeirada. E há! Algo único no mundo, que descobri nas pesquisas pela internet no período pré-viagem. O nome é Tsingy de Bemaraha, reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Uma formação rochosa calcária que vem sendo esculpida pela água durante os últimos milênios, com variações de mais de cem metros entre vales e picos. Célia, nossa companheira de viagem e geóloga adorou e nós também. E não fomos os únicos, ao chegar lá encontramos uma equipe de TV italiana fazendo filmagem de uma espécie de Reality Show de beldades. Por falar em TV, uma reportagem do Globo Repórter também fala deste lugar.
 
As fotos que você vê aqui não conseguem traduzir a grandiosidade do lugar. São vários quilômetros de trilhas em meio às agulhas e lâminas de calcário formando uma espécie de floresta. Em alguns momentos você está exposto a um sol escaldante, sem qualquer sombra por perto, em outros você está se espremendo entre fendas e passagens em cavernas. Para preservar o lugar e também ordenar o uso, foram criados um Parque Nacional e duas Reservas. Uma parte do parque foi cuidadosamente preparada para visitação, foi feito um trabalho de conscientização da população, treinamento de guias locais, instalados sinalização, pontes, escadas, mirantes e cabos de aço onde os visitantes podem prender mosquetões que garantem a segurança nos trechos de escalaminhada. O trabalho foi feito por especialistas da comunidade europeia e ficou excelente. Não conheço nada nos parques do Brasil que se compare a esse trabalho. O potencial do turismo local é bom, acredito que em algum momento do futuro poderá haver uma pista de pouso por ali, com ligação direta com a capital, além de voos panorâmicos no parque, oxalá de balão. Mas por enquanto a única diversão é caminhar a pé pelos caminhos caprichosamente criados pelas chuvas.
 
   
 











 











 











 











 











 











 











 










 











 











 











 
 











 











 











 
 
 











 











 




















 





























 











 
No dia seguinte, fomos com Sulo, Philemon e um guia local para o Grand Tsingy no Parque Nacional Tsingy de Bemaraha. Eu já havia lido bastantante sobre o local, a referência mais precisa que encontrei foi nos relatos de um casal que fez um blog para contar sobre os 41 anos de viagens juntos (MouseTours Travels), que reafirmam que vale muito à pena. Mesmo assim estava preocupado com a surpresa que a Carolina e nossa amiga Célia teriam ao chegar lá... Descemos do carro, andamos cerca de 100 metros e o guia local sacou as cadeirinhas de alpinista da mochila informando que o uso era obrigatório. Hmmm. O equipamento estava em ótimas condições, a Carol ficou meio desconfiada (onde é que estou me metendo?), mas as duas encararam numa boa. Na prática, não há alpinismo para ser feito, mas o sobe e desce é intenso e como o local é relativamente isolado, o equipamento deve ser usado para fixar nos cabos de aço dos trechos mais íngrimes, ou nas escadas e pontes suspensas, o único objetivo é garantir que vc não vai se desequilibrar e cair. Na prática usamos eles boa parte do tempo, mas em nenhum momento eles foram realmente exigidos. A trilha toda levou umas 4 horas. No diário de viagem da Carol ela descreve assim a nossa experiência, "trilha na floresta, nas pedras, cavernas, subida, cabo na cintura para segurança, um visual maravilhoso e um lugar super interessante. Uns trechos mais difíceis, outros mais fáceis, uma ponte suspensa e o medo daquilo ali não aguentar". A ponte é robusta, o cabo de segurança é independente dos cabos da própria ponte e tudo estava em ótimas condições, aparentemente poderíamos atravessar todos de uma vez, mas o guia nos orientou a ir um por um: moleza. 
     
 
 











 











 











 








 











 


 











 











Uma outra coisa interessante aqui do Grand Tsingy é que ele é intercalado por vários bolsões de floresta e uma espécie de lêmur, o Sifaka, fica zanzando de uma para outra, cortando caminho pelo Tsingy. Tivemos oportunidade de ver vários nas rochas e nas florestas.
  
 
Na volta para o hotel demos aquela relaxada e ficamos esperando o pôr do sol na piscina do hotel. Descanso merecido... 
   
 











 





 


 



 




  À noite fizemos um safári fotográfico com nosso guia Philemon para buscar camaleões na mata. Com o auxílio de seus olhos bem treinados encontramos vários deles.

 
 


 



 


No dia seguinte, começamos um passeio pelo rio Manambolo. O vale do rio é bem interessante, as margens são altas, formando um canyon, há bastante vegetação e em alguns pontos a gente desembarca para entrar em cavernas. Os ancestrais dos moradores atuais sepultavam as pessoas em fendas nas margens. Do rio é possível ver algumas dessas tumbas.
 
 












 
 












 
 












 
 












 
 












 
 












 
 












 
 












 
Depois que voltamos para Bekopaka, mais Tsingy. Dessa vez, o Petit Tsingy. O guia falou que quando percebe que o pessoal não vai dar conta das trilhas puxadas do Grand Tsingy, leva só no Petit Tsingy. Basicamente é o mesmo visual, só que as dimensões são diferentes, do vale aos picos a distância máxima por aqui deve ser de uns 20 metros, aqui também não passamos por cavernas. Ainda assim continua sendo bem interessante. Diversão para todos os tipos de preparo físico.

 












 
 












 
 












 
 












 
 












 
 












 
 



 
Antes de ir embora ainda vimos umas crianças da vila se divertindo ao som de uma espécie de funk. Nessa idade tudo é alegria... e provamos o famoso fruto do baobá. Eles dizem que é muito nutritivo. Recuperando minhas lembranças 'paladáricas', o gosto mais próximo seria de algo como jatobá, mas as sementes são bem menores e a textura é diferente, meio como papel. Valeu a experiência.
 
 
 












 
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Blog de referência: MouseTours Travels
Hospedagem em Bekopaka: L'Olympe du Bemaraha
Agência de viagem: Madagascar Travel and Tours Company
O melhor guia de todo o mundo nessa latitude: Philemon Geoffroy
Reportagem do Globo Repórter  
Link da Unesco para o Tsingy de Bemaraha (tradução) (original em inglês) 
Equipe de reality show italiano:  Donnavventura 
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Comments

Tereza on

Como sempre fotos lindas e texto muito bem escrito!! Lindo e vocês estão na moda com Madagascar 3D!!!

heloisa on

Que aventura , muito legal olhar as fotos e descrição dos passeios, eu não tenho coragem de fazer, acho cada vez mais que sou urbana, mais valeu!

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