Deleitando Nata

Trip Start Oct 12, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed
Nata Lodge

Flag of Botswana  ,
Monday, November 1, 2010

Por Robson.

Nosso primeiro dia em Botsuana pelo Projeto 20°12' foi ótimo, curtindo o Parque Nacional Chobe. Neste segundo dia, já voltamos à estrada. Curtimos um pouco mais do parque saindo pelo portão Ngoma.

A estrada até esse momento nos impressionou. A faixa de servidão (espaço entre a estrada e as cercas de fazendas ou do parque ou da vegetação mais alta) é enorme (pelo menos 100m para cada lado). É muito difícil tomar um susto com um animal cruzando a pista durante o dia. Apesar de esses cruzamentos serem frequentes, você consegue vê-los com antecedência e gerenciar a aproximação com tranquilidade. Além da faixa de servidão, deve-se destacar também a sinalização, tanto horizontal quanto vertical: muito boa. Sem contar o 'tapete' que é o asfalto nas retas intermináveis das estrada que sai do parque e se estende de oeste para leste até chegar na A-33 que vai mais ou menos de norte a sul.

















Botsuana faz fronteira com o norte do Brasil! hahahah Pelo menos nas listas de países da internet. Vc já reparou nisso? :-)

Quando você tem que preencher um formulário informando onde mora, Botsuana é o país que, na ordem alfabética, fica imediatamente antes do Brasil (Nota: em inglês, às vezes aparece uma tal Bouvet Island, uma ilha desabitada, que nem país é!). Resumindo: Em várias línguas, o país que faz fronteira com o Brasil nas listas é Botsuana.

Botsuana é um pouquinho menor que Minas Gerais e possui uma população de pouco mais de 2milhões de habitantes (20% menor que a do Distrito Federal). 1/3 da economia é impulsionada pela mineração de diamantes, que representa cerca de 80% das exportações do país. O PIB per capita é 20% maior que o do Brasil, mas em termos de distribuição, medido pelo índice Gini, estamos no mesmo barco (mais informações).

No final dos anos 80 a expectativa de vida tinha superado os 60 anos, quando a epidemia de AIDS começou a se alastrar pelo país, trazendo a expectativa média para 37 anos em 2003 e caindo (veja gráfico comparando com outros países africanos).

Em resumo, Botsuana é um país organizado, com boas estradas, muitos animais selvagens, pouca gente, ótimas atrações turísticas e sua visita faz diferença!



Retomando a viagem, alcançamos a rodovia A-33 e começamos a rumar para o Sul. A estrada continuou boa durante um bom trecho, até que começamos a ver placas de alerta, com os dizeres "reduza a velocidade", "rodovia em construção", "dirija com cuidado"... não entendemos nada nos primeiros 5 minutos, mas depois a estrada foi piorando. Nada que impedisse a gente de rodar com segurança a uma média de 70km/h. Parte da estrada atual é antiga e pelo jeito, eles vão abandoná-la, para ficar só com a nova que está sendo construída ao lado. Mais larga, mais alta, mais reta. No caminho encontramos um grupo de avestruzes, pela primeira vez Também chegamos à marca de 4.000km rodados desde que saímos de Joanesburgo.



Seguimos até Nata.Uma cidade localizada na latitude que deu origem a toda essa aventura, 20°12' Sul. Nata fica na borda de um local que tínhamos curiosidade de conhecer: o pan. Até agora não sei qual a tradução de pan para a língua portugesa (se é que existe). Até descobrir, vamos chamá-lo simplesmente de pan. O pan é uma área plana desértica, forrada de sal incrustado de argila. Essa região fica seca a maior parte do ano. Sazonalmente as chuvas inundam a área, que se torna o destino de grupos enormes e variados de animais migratórios, como os flamingos, pelicanos, gnus, zebras e seus predadores. Mas na maior parte do ano a área fica da forma que conhecemos: seca.

Os cupinzeiros são marca registrada e dão as boas vindas a Nata.















O pan próximo a Nata é o Sua Pan (também grafado como Sowa). Do hotel em que ficamos até o pan são poucos minutos pela estrada. Chegamos lá a tempo de apreciar o pôr-do-sol. O Sua Pan faz parte de um complexo de pans denominado Makgadikgadi (que falado na língua local, vira algo como marradirradi). O complexo de pans de Makgadikgadi é uma área plana desértica intercaladas por desertos de areia e se originou após a evaporação do lago Makgadikgadi. Estima-se que há poucos milhões de anos atrás o lago tinha 30m de profundidade e 80mil km², pouco menos que tamanho dos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro juntos. Makgadikgadi disputa com o salar de Uyuni (na Bolívia, outro destino do Projeto 20°12'), quem é maior deserto de sal do mundo). O complexo de Makgadikgadi tem 16mil km² (3/4 da área de Sergipe), contra quase 11mil km² de Uyuni. Como tecnicamente o Makgadikgadi é composto de vários pans diferentes e o teor de sal é menor que em Uyuni, não somos nós quem vamos resolver essa briga. (leia mais sobre Makgadikgadi Pan em inglês)

 

Entramos no Sua Pan pelo Santuário de Aves de Nata (Nata Bird Sanctuary). Ao chegar ao pan sequinho sequinho e sem nenhuma ave para contar história (e ignorando as informações acima), não entendemos muito bem o porquê de 'santuário de aves'. Havia um mirante, mas nada de animais. O que não faltavam eram penas deixadas para trás e alguns besouros.



















Não sei se é o sal ou outra coisa, mas o pan é um lugar com uma energia diferente. Apesar de estarmos meio cansados da viagem, nos divertimos, corremos, pulamos e assistimos a mais um pôr-do-sol memorável na África Austral.



Uma curiosidade sobre a pousada Nata Lodge em que ficamos. Chegamos sem reserva na dúvida se dormíamos em Nata ou se seguíamos até aquele que prometia ser o nosso acampamento mais punk, onde usaríamos os recursos do carro ao máximo. Começamos a pesquisar as pousadas, várias fully booked (lotadas)! O simpático dono de uma delas ligou para esta pousada, que fica meio afastada da cidade e foi totalmente reconstruído após um incêndio que acabou com sua primeira versão. E para nossa surpresa, ao chegar lá disseram que na semana anterior, quase que a história se repetiu!

 













 






O hotel é confortável e bem interessante, ficamos em um chalé grande e integrado com parte do banheiro. Não existe separação entre quarto pia e uma banheira. Já o chuveiro, fica a céu aberto! A vista do quarto para a savana é no mínimo relaxante. Na área do café-da-manhã ainda havia aves que aproveitavam para dividir a refeição com os hóspedes e lagartos azúis rondando... uma grata surpresa. Aprovado 100%! Ah! Além do que os hotéis normalmente têm, o Nata Lodge ainda tem bombas de combustível! (muito cômodo).

 















 






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Projeto 20°12'............................................Projeto 20º12' : Projeto 2012
www.projeto2012.com.br
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Comments

Glauber Vieira on

As fotos ficaram muito boas, e a descrição da viagem também foi interessante. Muito bom conhecer melhor um país quase desconhecido para nós brasileiros!

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