Matobo, Matopo ou Matopos?

Trip Start Oct 12, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed
Big Cave Camp

Flag of Zimbabwe  , Matabeleland South,
Tuesday, October 26, 2010

Por Robson

Criando a trilha do Projeto 20°12' rumamos do Grande Zimbábue para outro sítio histórico do país, Bulawayo e o Parque Nacional Matopos. Mais uma vez cruzamos a Latitude 20°12' Sul 28°43'Leste em Bulawayo, a linha imaginária que deu origem ao projeto.

 
A viagem do Grande Zimbábue (Great Zimbabwe) até o Parque Nacional Matopos é relativamente curta, saímos após o meio dia e chegamos na entrada do acampamento ao anoitecer. A estrada é relativamente bem conservada, com as tradicionais barreiras policiais e os pedágios. Desta vez, em um dos pedágios, a responsável pela cobrança estava num clima descontraído com seus colegas e após pagarmos, nos disse algo diferente, além do "thank you" (=obrigado). 

Transcrevendo o som em português, seria algo como /seif-jã/. Pedimos para ela repetir. E pela segunda vez não entendemos, insistimos e na terceira vez ela falou mais lentamente e digamos, por inteiro: "safe journey" (=viaje seguro), o equivalente ao nosso "boa viagem". Ahhh bom. :-)

O chuvisco que pegamos no Grande Zimbábue pela manhã, após o dia anterior escaldante, foi o primeiro da temporada, vamos nós como os mensageiros da chuva...

Ao longo da estrada o tempo ficou ideal para viagem. A maior parte do tempo nublado, mas sem chuvas. Já chegando em Bulawayo (a segunda maior cidade do Zimbábue), pegamos uma chuva pesada, mas rápida. Havíamos feito uma reserva em um camping na área do próprio parque, o Big Cave Camp.

Nosso segundo acampamento da viagem! A estrada para o parque é boa, mas vai ficando cada vez mais estreita, até chegar a um ponto em que só cabe um carro no asfalto, tendo um acostamento de chão, nivelado com o asfalto e com uma conservação boa. Caso precise cruzar com outro veículo, o procedimento é diminuir a velocidade e ficar só com duas rodas no asfalto.


Percebemos placas de muitas opções de hospedagem ao longo do caminho, mas não vimos sinalização do Big Cave, para onde íamos. Seguimos as instruções que tínhamos impressas: "após o cruzamento tal siga 30 km pela rodovia... você vai chegar a um portão. Abra o portão para entrar e feche-o em seguida. Após entrar siga mais 4 km... e toque a campainha que alguém virá recebê-lo e conduzi-lo à recepção."


Fomos indo, o caminho era o puro breu, com um mato alto. Um trecho em declive da estrada foi construído em forma de platôs/rampas sucessivos. Uma técnica de construção que achamos curioso como um tobogã. A sinalização não batia exatamente com o odômetro do nosso carro. Então fomos muito lentamente, deduzindo o que fazer... Com emoção!!!

 
No caminho para a campainha, encontramos uma manada de gnus que se assustou com o barulho do carro. Foi a primeira vez que vimos estes dóceis animais. Uma curiosidade sobre o gnu, em inglês o nome dele é wildebeest, que soa como "wild beast" =besta selvagem. Mas o animal não representa um risco propriamente dito aos seres humanos. Ficamos curiosos para saber de onde vem o termo gnu. Já que é um termo aportuguesado de alguma outra língua, que não o inglês. 


Finalmente chegamos à campainha. Por coincidência, ao mesmo tempo chegou também um outro carro. Pensamos que era alguém que já estava hospedado no Campsite e que já conhecesse o ritual da campainha, mas não. Era um casal que também tinha acabado de chegar. A diferença é que a senhora estava estérica! "Eu estou perdida no meio da África! Eu sou americana! O que você está fazendo?! Toque logo a campainha!" Mais um tempero nessa chegada emocionante! O Guilherme desceu do carro e foi lá. Pouco depois chegou um cara todo de branco, abriu a última porteira e disse "sigam-me". No site o pessoal avisa que só dá pra chegar ao estacionamento de 4x4. E entendemos o porquê. O Big Cave fica no alto de um morrote de pedra, e pra chegar lá, tem que trafegar sobre o caminho de pedra íngrime. Foi a primeira vez que tivemos que usar a marcha reduzida do carro. hehehe. Ainda bem que a gente lembrou bem da aula que tivemos em Joanesburgo quando pegamos o carro.

O Big Cave tem chalés e acampamento. Reservamos o acampamento, mas perguntamos se havia chalés livres. A resposta foi: "fully booked" (=lotado). Um termo que, apesar de ser baixa temporada, foi um dos que mais ouvimos na viagem inteira.
 
Mas nossa viagem ainda não havia terminado. A entrada principal dá acesso à recepção e aos chalés, o Camping fica do outro lado do morrote e tínhamos que descer pelo mesmo caminho e subir pelo outro lado. Seguimos o carro do gerente do Campsite. Tudo ia indo bem, quando de repente uma zebra cruza a pista entre o carro do gerente e o nosso! Que susto!!! Mas susto mesmo foi o que veio em seguida, uma outra zebra vinha correndo atrás da primeira, só que não atravessou na nossa frente, ela resvalou na porta do carro!!! Não amassou muito (por analogia, acreditamos que ela não deve ter se machucado), mas fez um barulho que nos deixou mudos até parar o carro já na área do camping.
 
Paramos e fomos avaliar os danos... O impacto fez um leve afundamento que qualquer 'martelinho de ouro' resolve em minutos. A fechadura, e a máquina do vidro estavam funcionando normalmente. Nada que nos causasse contratempos. Foi só o susto mesmo. Aliás, na África existe uma recomendação invariável de não viajar à noite, por causa dos animais. Nossos planos sempre foram de viajar com a luz do dia, mas com o atraso na saída, acabamos chegando à noite.
 
O acampamento lá é muito menor que o do Kruger, onde acampamos no início da viagem. É um negócio falmiliar, com um bom espaço para barracas, água quente, banheiros masculino e feminino separados, amplos, arejados e limpos, além de uma área coberta comum e com interligação à rede elétrica, mas aquela foi uma noite de blecaute e o gerador não foi ligado, porque nós éramos os únicos hóspedes.
 

 Os funcionários do camping nos tranquilizaram com relação à segurança. Mas no início ficamos em um clima meio apreensivo. A zebra nos assutou, não havia cercas no camping... O gerente do camping pediu que dois funcionários ficassem conosco até ele voltar e deixou uma lanterna poderosa com a Carol, que de dentro do carro vasculhava a mata em volta enquanto Guilherme e eu montávamos as barracas. Hora do jantar. Levamos os fogareiros para a área comum e pudemos conversar melhor com os dois empregados. Muito simpáticos! Falaram sobre alguns costumes locais, disseram que o turismo está reaquecendo desde a dolarização do Zimbábue, contaram algumas histórias para nós, mostraram umas peças de artesanato e fomos ficando mais tranquilos.

Na hora de dormir, já estávamos bem relaxados. Para aumentar nossa segurança, o gerente do Campsite veio dormir em um cômodo no prédio que havia na área do camping.

  
 Só pela manhã é que pudemos realmente ver o camping direito. Só reforçou tudo o que já disse antes. muito recomendável. Até mesmo para quem, como nós, não é muito acostumado. Café da manhã e carro na estrada para aproveitar o parque. O Parque Nacional Matopos é dividido em duas partes, uma cênica e outra de games (os grandes animais vistos nos safáris fotográficos). O pessoal do Campsite nos informou que não dava para ver tudo em um dia só e que era melhor escolher. Como nosso planejamento era de conhecer outros parques com games, escolhemos o setor cênico.

 O setor cênico do parque tem pelo menos duas entradas onde é possível comprar o ingresso de entrada, mas para visitar as atrações é necessário ir à portaria principal, onde são vendidos outros ingressos para as atrações e vc pode assinar o livro de visitas. Por curiosidade vimos no livro que outros brasileiros tinham estado no parque 3 meses antes de nós (na época da Copa no país vizinho). Na internet é possível encontrar o nome do parque escrito de 3 formas diferentes (Matobo, Matopo e Matopos), mas pela placa na entrada do parque, o nome correto é Matopos National Park (quem sabe Matopos seja o plural de Matobo?)!

Mapa na mão, ingressos para as atrações, fomos em frente. Primeira parada, White Rhino Cave, uma caverna com inscrições rupestres, sendo a mais famosa a de um Rinoceronte Branco. Veja a foto.
 

O parque tem mais ou menos a metade da área do Parque Nacional da Serra da Canastra. E como na Canastra, você visita todas as atrações do Matopos de carro.    O parque tinha poucos visitantes no dia em que fomos (muito por causa da visão negativa que a imprensa passa do país), e o cenário, plantas e pequenos animais são o principal atrativo. Sua infraestrutura é admirável comparativamente à dos parques brasileiros. A sinalização é boa; a maior parte das estradas por onde passamos dentro do parque é asfaltada; pequenos museus em algumas áreas, com oferta de tour guiado a cada chegada de visitantes; é possível encontrar banheiros em alguns locais; o parque possui vários campings do próprio parque e alguns campings privados; também estão disponíveis chalés para hospedagem. Pela população de macacos próxima às áreas de habitação humana, acredito que o movimento deve ser constante.
 

Uma das atrações mais importantes do parque é a tumba de Cecil Rhodes. Cecil Rhodes foi uma figura central do imperialismo britânico na África no século 19 e início do século 20. Tão poderoso era ele, que os atuais Zimbábue e Zâmbia foram batizados em sua homenagem como Rhodesia. Um país pouco menor que o estado do Pará.
 

Para acessar a tumba do Rhodes há uma portaria com um mini-memorial. Uma placa resume assim a história dele.

Resumo da vida de Cecil John Rhodes
 1853 Nasceu em 5 de julho em Bishop´s Stortford
 1870 Veio à África por razões de saúde com seu irmão Herbert en Natal.
 1871 Visitou minas de diamante em Kimberley.
 1873 Matriculou-se na Universidade de Oxford.
 1874 Retornou a Kimberley.
 1876/8 Finalizou o curso em Oxford.
 1880 Fundou a de Beers Mineração
 Se elegeu para o parlamento de Cabo como membro por Barkly West.
 1881 Fez seu discurso no parlamento; 
 Obteve o grau de B.A. em Oxford.
 1884 Se tornou tesoureiro de Cape.
 1888 Fundiu todas os negócios de minas em Kimberley formando a de Beers Consolidated Mining. Promulgou a lei áurea (só pra ver se vc estava alerta lol).
 1889 Fundou a British South Africa Company BSACo. 
 1890 Se tornou primeiro ministro de Cape; 
 Ocupou a Mashonaland (norte do atual Zimbábue). 
 1891 Um ano de grande atividade em muitas esferas, incluindo a alavancagem do crescimento da fruticultura em Cape. 
 1892 Construiu sua casa "Grout Schuur" em Rondebosch.
 1893 Ocupou Matabeleland (oeste do atual Zimbábue);
 Visitou o Grande Zimbábue.
 1895 Reservou recursos para estabelecer a Bolsa de estudos Rhodes
 Teve início o conflito de Jameson em dezembro.
 1896 Deixou o cargo de pirmeiro ministro e de diretor gerente do BSACo; 
 Fez a paz com o povo Matabele em Indabas nas Colinas Matopo; 
 Escolheu o local de sua tumba.
 1898 Retornou a sua posição de diretor no BSACo; 
 Lideou o Partido Progressita em Cape em sua última eleição.
 1899 Recebeu o grau de Doutor em Direito em Oxford; 
 Iniciou a segunda guerra dos Boer
 Permaneceu em Kimberley durante o conflito.
 1902 Morreu em sua casa em Muizenberg, Cape, em 26 de março; 
 Foi enterrado nas Colinas Matopo. 

Ufa! Uma coisa é certa, Rhodes era um viajante nato! Aos 17 anos se aventurou no mundo e nos 48 anos em que viveu, realizou muito na sua época. A De Beers (fundada por ele) até hoje tem papel importante no mundo da mineração. Não dá pra saber se a corporação existirá para sempre, mas o melhor slogan do século 20 foi cunhado para eles: A diamond is forever (= Um diamante é eterno). Para quem gosta de teorias da conspiração ainda tem outro feito atribuído a Rhodes, que é a fundação da sociedade secreta The Round Table Group (veja vídeo).

Uma das pretensões não realizadas de Rhodes foi construir uma ferrovia para ligar a Cidade do Cabo ao Cairo. Esse projeto que acabou virando tema de uma caricatura famosa em sua época o Colosso de Rhodes (uma sátira à estátua grega do Colosso de Rhodes) tinha como objetivo principal interligar todas as colônias inglesas ao longo do continente africano de norte a sul facilitando toda a colonização, escoamento da produção, envio de tropas de um lugar para o outro... O projeto esbarrou em outro projeto similar da França, que queria construir uma ferrovia de leste a oeste ligando suas colônias e também com um projeto português conhecido como Mapa cor-de-rosa, que pretendia ligar Moçambique a Angola. O conflito dos interesses entre Reino Unido e Portugal acabou gerando o Ultimato Britânico a Portugal que por fim foi o evento que alavancou o sucesso dos movimentos anti-monarquia no país. O projeto não está morto! Assim que a situação no Sudão se estabilizar, é possível que ele se concretize, já que o resto já foi construído.
 
Voltando dessa viagem histórica para o parque... Temos que admtir que o lugar que Rhodes escolheu para passar a eternidade é simplesmente fantástico. Ele batizou o lugar de View of the world (Vista do mundo). De lá se tem uma visão ampla em 360° de vales e colinas com rochas equilibristas por todos os lados. Também é considerado pelos nativos um local sagrado e a permanência da tumba do colonizador por lá é motivo de discussão.
 
Como ficamos no setor cênico, acabamos não vendo a formação mais famosa do parque "Mãe e filho". Mas o que vimos nos deixou muito satisfeitos.
 

Mas sem dúvida minhas preferidas foram as ROCHAS EQUILIBRISTAS.

 
 


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Não perca no próximo post, visita a Bulawayo, segunda maior cidade do Zim!

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Siga nossos passos:
Hospedagem: Big Cave Camp
Almoço: Biscoitos no carro!

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