De Mutare a Masvingo - Zimbábue

Trip Start Oct 12, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed
Hotel Chevron - Masvingo

Flag of Zimbabwe  ,
Monday, October 25, 2010

Por Robson.

Finalmente, após o café-da-manhã, pudemos curtir e "ver" o hotel. Fotos a seguir...

Após o passeio pelo Jardim Botânico no Vale Bvumba em Mutare, pegamos a estrada para Masvingo. Colocamos a cidade no GPS e fomos nos guiando pelas informações dele. Pelo horário em que saímos, o GPS calculou nossa chegada a Masvingo no fim da tarde, então não tínhamos muito tempo para firulas e desvios de rota.
 
O caminho entre Mutare e Masvingo é repleto de esculturas eólicas e rochas equilibristas combinadas com baobás, vilarejos, crianças com bonitos uniformes escolares (sempre diferentes de uma cidade para a outra), pontes sobre rios secos, estradas com pouco tráfego e barreiras policiais!
 
Sim, era a primeira de 20 barreiras policiais por que passamos (e contamos) ao cruzar o país. Dessas barreiras, fomos parados em cerca de 15 ou 16. O cenário da barreira era sempre muito similar. Há cerca de 200m da barreira uma placa "police ahead" (polícia à frente), alguns cones ou tambores de 200litros, com cordas ligando uns aos outros, o policial com colete amarelo limão, sozinho ou em dupla, nenhum sinal veículo, nem de rádio, estando sol ou não, raramente havia alguma cobertura.
 
Estávamos meio apreensivos ao parar na primeira barreira. O policial fazia um sinal ambíguo, não dava para entender se a ordem era para diminuir, parar ou seguir. Na dúvida paramos. Demos "boa tarde" e ele pediu a carteira de motorista e a T.I.P. (aquela que tivemos que refazer ao entrar no país para corrigir o número da placa). Nos deu boa tarde e mandou seguir. Nesse momento ficamos duplamente aliviados, primeiro por ser uma coisa de rotina e segundo por ter apenas que mostrar a carteira de motorista e T.I.P.. Não estávamos escondendo nada, mas se tivéssemos que baixar toda a tralha para provar isso, nunca chegaríamos ao destino no horário previsto.
 
Um pouco mais à frente, pedágio. O pedágio era muito similar à barreira policial. Só deu para entender a diferença quando paramos. US$1,00 e "boa viagem" (na verdade eles diziam 'safe journey', que significa 'viagem segura').
 
Mais um pouquinho e outra barreira policial. O calor era escaldante e após apresentar a T.I.P. e a carteira de motorista, o policial perguntou se tínhamos água gelada. Dentro do carro a água não estava gelaaaada, mas fresquinha. Entregamos a garrafa, ele agradeceu e seguimos viagem.
 
Mais uns quilômetros e outra barreira. Dessa vez o policial reparou "vcs são do Brasil" e perguntou onde íamos. Quando dissemos que íamos a Masvingo e Grande Zimbábue (Great Zimbabwe) ele abriu um sorriso de satisfação. "É a minha cidade natal! Eu nasci lá!". Trocamos umas palavras, dissemos que estávamos ansiosos chegar lá e tal e seguimos em frente.
De repente vimos uma placa de que Masvingo estava a 150km de distância. A informação não batia com a do GPS. Pelo aparelho, Masvingo estava uns 300km mais distante.
 
As formações rochosas eram muito interessantes. Às vezes dava vontade de parar para uma foto, mas seguimos em frente na mesma balada, no limite de velocidade, sem relaxar, contando com o horário de chegada previsto no GPS.
 
Passamos por mais uma pontezona no caminho, do mesmo porte daquela de Moçambique.Um pouco menor, mas com muito mais em comum do que pensávamos ao cruzá-la. A ponte se estende sobre o mesmo rio Save que já havíamos cruzado em Moçambique!  Ponte Birchenough. Construída nos anos 30, é uma jóia de engenharia. Vale à pena ver mais fotos no link. Claro, com direito a pedágio. :-)
 
As placas de que Masvingo estava cada vez mais perto eram frequentes, 50, 40, 30, 20, 10km. E chegamos! 3h antes do previsto. Ficamos sem entender porque o GPS informava que não havíamos chegado ainda. Depois analisando com mais calma, vimos que no aparelho havia duas Masvingos. Essa confusão foi boa em um sentido, chegamos com mais tempo e mais descansados para olhar as alternativas de hotéis.

Como celulares do Brasil não funcionam no Zimbábue, aproveitamos para comprar logo um chip de celular. O Guilherme se incumbiu disso e sumiu por 10min para descobrir como era. Comprou o chip, mas o vendedor não vendia os créditos. Mas antes de contar os créditos ainda tinha que habilitar o celular. Cada coisa em um lugar. No fim ele conseguiu. E foi um supernegócio para nós brasileiros.
  
Pegamos o livro-guia e fomos às hospedagens indicadas. 
 A primeira possuía dois prédios, um de quartos e outro baixo com um bar e a recepção. Ao chegarmos um cara meio bêbado ficou insistindo para falar conosco. Não demos muita bola e fomos direto à recepção. A moça foi nos mostrar as opções de quarto e quando entramos no prédio, um enxame (de abelhas mesmo) nos recebeu logo na porta. Parecia que não havia nenhum hóspede (além das abelhas).  Os quartos tinham tecidos bastante estampados, seja nas cortinas ou nas colchas, com uma combinação meio duvidosa para nosso gosto brasileiro. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a falta de ducha. Só havia uma banheira e um balde em cada quarto.
 
Carol e eu fomos avaliar outra alternativa enquanto o Guilherme tentava sacar dinheiro nos caixas eletrônicos. Vimos um hotel com um corredor com acesso direto à rua (sem passar pela recepção) e várias portas, que eram as portas dos quartos. No banheiro, de novo só banheira. Perguntamos se havia algum outro hotel com chuveiro, mas o atendente que nos acompanhava não sabia informar.

Encontramos o Guilherme preocupado porque não estava conseguindo sacar dinheiro com seu cartão. Alguém disse a ele que poderia sacar em bancos internacionais. Então ele foi procurar o banco Barclays e nós fomos ver o último hotel da lista.

O hotel era simples, mas tinha cara de hotel, o que a essa altura era um ponto positivo. Com um restaurante e um bar no térreo, uma piscina ao fundo... De cara nos chamou a atenção o nome da recepcionista "Precious" (ou Preciosa) e seu jeito de poucos amigos. Não é um nome muito comum para pessoas no Brasil. O fim de tarde estava muito abafado (comparável a Mossoró), suávamos continuamente. Fomos ao único quarto disponível, um quarto família (dois quartos independentes com um único banheiro), com vista para um pátio interno e uma piscina, o quarto era silencioso, as camas possuíam mosquiteiros, nos chamou a atenção a boa limpeza do quarto e do banheiro (que também só possuía banheira). E naquela tarde quente também chamou a atenção, a presença de só um ventilador no quarto, além do contraste da temperatura com dois cobertores em cada cama e mais um reserva no armário. Já meio cansados, o dia escurecendo, havia mais uma opção, mas era um hotel distante uns 20min da cidade, próximo ao Grande Zimbábue, onde iríamos no dia seguinte, mas se não valesse à pena, ficaria tarde para retornamos. Fechamos neste mesmo: Hotel Chevron.

Encontramos o Guilherme, fomos ao Food Court Inn. Uma pequena praça de alimentação com ar moderno, banheiro super limpo e três balcões independentes, o 'sorvete inn', o 'sanduíche inn' e o 'pizza inn'. O lugar era um contraste com a cidade, que no geral tem um ar antigo. Apesar de ter 51mil habitantes, a cidade se desenvolve em duas grandes avenidas (parte das estradas que a cortam), com imóveis em geral baixos, um ou outro prédio. Compramos uma pizza e fomos para o quarto do hotel detoná-la. Pedimos mais um ventilador e um outro jogo de toalhas ao mensageiro que nos acompanhou. Ele trouxe e ligamos os dois aparelhos no máximo!

De repente a luz acaba. Um dos frequentes blecautes do Zimbábue. A infra-estrutura de geração e distribuição de energia foi criada há décadas e de lá pra cá a manutenção que vem sendo feita não é suficiente para manter o nível de qualidade do serviço para a população. Para nossa sorte, o hotel tinha um gerador, que começou a funcionar logo em seguida. Só foi o tempo de acender as velas.
 
Terminamos a pizza e assistimos um filme na TV. Percebemos que os palavrões eram omitidos nos filmes. Censura! Depois descobrimos que ocorre também nos outros países que visitamos.

Como já havia algum tempo sem contato com o Brasil estávamos preocupados e queríamos dar um sinal de fumaça. O hotel não tinha internet, a lan house provavelmente não tinha gerador, então pedimos que a recepcionista fizesse uma ligação para o Brasil. Ela informou que não era possível fazer ligações internacionais, mas se prontificou a nos ajudar a ligar com o celular. Com um paradigma de Brasil, pensávamos que os poucos dólares de crédito mal dariam para falar alô numa ligação para o Brasil. Grata surpresa. Cada segundo era tarifado em alguns centésimos de centavo. No fim, um minuto de ligação de celular do Zimbábue para o Brasil custava mais ou menos 50 centavos de real. Mais barato que ligação aqui dentro do Brasil!!! Só para fazer uma comparação rápida, na conta de celular aqui de casa, 1 minuto de ligação local na mesma operadora excedente ao do pacote custou quase o dobro. Somos muito explorados e nem nos damos conta disso. Quando alguém compara os preços do Brasil com os EUA, normalmente as pessoas dizem que não dá para comparar por isso ou aquilo, mas quem explica esse valor no Zimbábue? Fizemos umas ligações para tranquilizar os mais preocupados.

Às 4 da manhã o gerador parou de funcionar e ficamos de novo sem energia.

No dia seguinte o "Grande Zimbábue" nos esperava com histórias sobre um rei que vivia 120anos e uma família real de quase 3mil pessoas.

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