De Xai-xai para Inhambane e Tofo

Trip Start Oct 12, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed

Flag of Mozambique  , Inhambane,
Friday, October 22, 2010

Por Robson.

Após uma parada não programada em Xai-xai, retornamos ao roteiro original do Projeto 20°12', visitando as localidades de Inhambane e Tofo.

A localidade da Praia de Tofo foi escolhida simbolicamente como marco de Moçambique no Projeto 20º12' em função da logística e de seus atrativos naturais, destacadamente pela possibilidade de nadar com tubarões-baleia o ano inteiro.

Antes de chegar em Tofo paramos em Inhambane, uma das maiores cidades de Moçambique, contando inclusive com aeroporto internacional, que opera voos regulares da África do Sul para lá.

O Guilherme sentiu uma familiaridade da arquitetura da cidade de Inhambane com o estilo de Goiânia: o Art Decó. Com um traçado planejado, prédios baixos, avenidas largas e arborizadas, definitivamente os colonizadores portugueses que vieram a Inhambane tinham
uma visão diferente dos que foram para o Brasil. Muitos órgãos governamentais estão instalados na cidade, que é capital da província.

Almoçamos no aconchegante Bistrô Café Sem-cerimônia, com uma garconete simpática. Peixes locais frescos, com tempero local (peri-peri verde e vermelho). Excelente escolha! Depois ainda fomos fazer compras para repor o estoque. Fomos ao maior supermercado da cidade, que curisamente apresentava um letreiro principal em chinês, um secundário em inglês e nada em português.

Partimos para Tofo! Chegamos no fim da tarde, um pouco cansados e loucos de vontade de mergulhar no Oceano Índico antes do sol se por. Mas precisávamos antes arrumar uma acomodação para nós. Entramos no Fatima's Nest para conhecer as opções, camping, dormitório e bangalôs rústicos. Fechamos no bangalô nos lançamos ao mar!

Que praia! Temperatura perfeita, água super transparente, ondas para pegar um jacaré... Os sulafricanos não são bobos não. Em suas férias despencam para para aproveitar o que Moçambique tem de melhor.

Ao ver as ondas a Carol ficou meio que num vou-não-vou observado da areia. Mas um cachorro que caminhava pela areia ajudou ela a decidir. Sorte dela, que também curtiu bastante o mergulho de fim de tarde, olhando o por do sol por trás das cabanas e a lua cheia nascendo no Índico.

Ao voltar para o quarto a Carol foi a primeira a tomar banho. De repente ela solta um "Socooorro!". Fui lá crente que era uma 'taruíra'. Mas quando cheguei, vi que era outro bicho. Uma perereca preta com manchas laranjas, muito chamativa! Como eu aprendi que quanto mais colorido, mais venenoso... Fiquei de olho nela. Depois pegamos com um saco transparente para devolvê-la à natureza. Missão cumprida! De volta ao banho, só que dessa vez fiquei no banheiro montando guarda. :-)

No dia seguinte já arrumei um mergulho logo cedo. Tofo é um dos melhores locais do mundo para mergulhos com equipamento (scuba). Arraias, tubarões, peixes de correntes frias e quentes... A Carol e o Guilherme ficaram explorando a praia.

Nem deu tempo de matabichar direito. Matabichar, para quem não sabe é tomar o mata-bicho. Ainda não ficou claro? mata-bicho é uma palavra em português-PT = café-da-manhã em português-BR.

Achamos isso um barato! Até pensamos que era uma gracinha do restaurante da pousada, mas depois descobrimos que era uma expressão amplamente divulgada na cidade e consta no dicionário. Para quem não toma café de manhã (só água, suco ou chá), mas acorda com uma fome de leão: Tem tudo a ver!

Apesar de ter corrido para conseguir uma certificação de mergulhador avançado para aproveitar os points mais famosos de Tofo, que ficam a profundidades maiores que 18m, acabei mergulhando com o grupo de mergulhadores básico na Chamber of Secrets, mas foi um mergulhaço!!!

A diversão começa ainda na praia. A saída com o barco é cheia de emoção. Um mega bote inflável com fundo rígido dois motores de popa (Zodiac). Antes de ligarem os motores o bote tem que vencer a arrebentação e ganhar profundidade. Não existe píer, e as ondas batem o tempo inteiro. Homens à frente, mulheres atrás (mais próximas do melhor local para pular para dentro) e força! Temos que tirar a lancha do raso, vencer as ondas e só depois entrar, com água na cintura. (vídeo)

Como muitos peixes do Índico são diferentes dos do Atlântico, pude ver peixe-leão nadando (nadando é maneira de dizer, porque o bicho praticamente só flutua esperando para dar o bote), peixe escorpião, moréias diferentes, caranguejo de porcelana (como esse), peixes-palhaço (o famoso nemo) se escondendo nas anêmonas e muitos, mas muitos mesmo nudibrânquios! Até um nadando!!! Os nudibrânquios são criaturas pequenas, singulares e multicoloridas que nunca encontrei no Brasil. (para conhecer mais - fotos). (para conhecer mais - vídeo)

O mergulho foi só um, mas valeu à pena. Tenho que me programar para voltar e passar uma semana só mergulhando várias vezes por dia...
 
À tarde fomos para a atividade mais esperada em Tofo. O snorkel com tubarão-baleia!

O mar não estava muito bom, o vento estava forte, a água não estava com a visibilidade 100%... alguns operadores cancelaram as saídas, mas arrumamos um disposto a nos levar mesmo com essas condições adversas.

O guia da trip era um australiano chamado Chris Rohner que estava morando em Tofo para coletar dados para a pesquisa de doutorado dele sobre tubarões-baleia. Um cara fera, deu muita informação sobre os bichos e seus hábitos, que fez questão de compartilhar conosco.

Pouco antes de entrar com a lancha na água, apareceu um gaiato na praia que viu a movimentação e (ao que tudo indica), perguntou o que estava acontecendo. Um dos rapazes da operadora disse que era uma saída para snorkel com tubarão-baleia e ele entrou no esquema sem nem saber exatamente do que se tratava. Figuraça! Só falava espanhol! Não entendeu nada das instruções em inglês, nem da tradução para português. Demos uma ajuda traduzindo o básico: "não fique à frente nem acima do animal", "fique ao lado, a uns 2m de distância" e "não toque nele"...

O mar foi piorando. Muita marola. Mas estávamos lá firmes e fortes (alguns nem tão fortes assim). De repente encontramos uma baleia jubarte retardatária, com um filhote. É que Tofo, assim como Abrolhos, também é um ponto de acasalamento de baleias jubarte, que a essa época já deveria ter voltado para o Polo Sul. Muito bonito!!! Mas nosso foco era o tubarão-baleia!!!!

Mais uns 10min e encontramos o primeiro! Que bicho lindo!!! Com suas pintas, seu nado calmo, seu olhar perdido... Uma experiência inesquecível!!! Os dois maiores riscos ao se mergulhar com tubarão-baleia, são: tomar uma rabada na hora que ele estiver passando e o outro é de esquecer de subir para respirar. A beleza do animal é hipnotizante!

Apesar de parecer um bicho lento, nadar ao lado de um tubarão baleia não é fácil. Olhando o bicho, parece que ele está placidamente navegando quase ao sabor das marés, mas não verdade. O bicho é relativamente rápido. E para nós, pobres seres humanos com nossas adaptações aquáticas improvisadas com nadadeiras, não é fácil acompanhar o bicho no mar.
 
A sensação não poderia ser melhor. Na verdade a vontade que dá é de tocar no bicho, fazer um carinho, mas não é permitido. Quando você toca no animal, ele mergulha e ninguém sabe quando vai voltar.

Outro animal diferente que vimos por aqui foi o corvo de colar branco. OK, não é o bicho mais bonito do mundo, mas convenhamos que à primeira vista, é melhor que nossos pombos e urubus...

Apesar de termos perdido um dia, conseguimos cumprir nossos pontos de interesse em Tofo, conhecer e comprar algum artesanato local e já podíamos seguir em frente. Com relação ao artesanato, vimos um comportamentos curioso. Quando alguém vem vender colar de conchas para vc, imediatamente outros vendedores de colares de concha te rodeiam e começam a oferecer seus modelos. Se eu fosse vendedor, ficaria chateado com meus concorrentes, mas para eles é algo normal e o vendedor pioneiro não esboça qualquer reação negativa com a chegada dos demais. Então fica aquela muvuca em volta de vc tentando vender a mesma coisa. Outra estratégia que eles usam é dizer que não venderam nada no dia e que você vai ajudar no sustento da família. Será que foram os lusitanos que inseriram esse hábito por lá tb?

Um desses meninos que abordou a Carol foi o Crescêncio (e depois mais 5 meninos), com algumas pulserinhas e colares. Como ela não queria comprar nada, ficou conversando com ele, entendendo melhor os costumes locais e descobriu que eles falam bitonga entre si, mas que na escola as aulas são em português e eles são proibidos de falar bitonga. Mas sabe como é a molecada, fica falando bitonga só de provocação. No fundo, a impressão que tive é que esse comportamento poliglota acaba prejudicando o aprendizado do português. Um deles até disse para a Carol, "puxa! vc fala português tão bem!". Depois de tanto papo, ela não resistiu e é claro que comprou uma pulserinha para usar até o fim da viagem.

Em questão de restaurantes, Tofo tem algumas opções. Comemos no próprio Fátima's Nest em um dia, no café do Tofo Scuba em outro e o jantar de despedida foi no La Casa de Comer. Peixes frescos e é claro, os camarões propagandeados desde a fronteira (em Lebombo) não puderam faltar. Acompanhados claro da cerveja local: 2M.

Outra visita imperdível é o mercado de artesanato da vila. Ele é meio improvisado, é bom ir antes de escurecer porque não possui luz elétrica, mas a variedade e qualidade era maior do que esperávamos, com preços também interessantes. Aproveitamos que estávamos de carro e compramos algumas lembranças. Mas o pitoresco nessa ida ao mercado foi quando perguntamos para um dos vendedores, "Qual é seu nome?" e ele respondeu: "Simone". Como ele falou com sotaque (algo que em português-BR soava como s'mone), pensamos que ele estava repetindo o que perguntamos, 'seu nome', mas não. Depois que repetimos a pergunta umas três ou quatro vezes ententemos que o nome dele era Simone. Já conheci um cara que se chamava Alcione, mas Simone foi o primeiro.

A próxima perna de estrada era para Mutare (já no Zimbábue) e precisávamos sair muito cedo. Pelo cálculo do Google Maps, seriam 11h 24min de estrada, sem dúvida o trecho mais pesado da viagem. Com um cruzamento de fronteira, o que nos exigia que chegássemos antes que eles fechassem os portões.

Para completar o cenário, não tínhamos informação sobre a condição da estrada após a cidade de Vilanculos. Isso porque Vilanculos é o destino mais ao norte em que os sulafricanos costumam passar temporada.

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Siga nossas pegadas:
. Hospedagem: Fatima's Nest
. Restaurante em Inhambane: Bistrô-café Sem Cerimônias
. Restaurante em Tofo: Casa de Comer.
. Operadora de mergulho: Tofo Scuba (Também tem safari com tubarão-baleia)
. Operadora de safari com tubarão-baleia: Peri-peri (Também tem mergulho)

Upgrade:
. Vá de avião: Vôos para Inhambane saindo de Johannesburgo pela LAM + 20min de estrada.
. Existem pelo menos umas 4 operadoras de mergulho/safari, não chegamos a ver todas.
. Hospedagens alternativas: Existe uma agência de turismo local, a Tofo Travel, que pode ser consultada para encontrar desde hospedagens de backpacker até lodges ou casas de veraneio.
 
Referência:
. Mais ou menos nesta época em que estávamos lá, foi lançado um filme alertando para a necessidade de preservar os tubarões do local da pesca predatória. O filme é interessante e mostra um pouco dessa indústria de pesca do tubarão, seus motivos e ressalta que o turismo é uma ótima alternativa de ocupação e renda para a população local. Então, o que vc está esperando? Vá ao Tofo!
http://www.thedorsalfin.com/shark-conservation/shiver-shark-fin-documentary-mozambique/
. Bitonga Divers - newsletter
. Fundação Amar - colaboradores

. Vídeo de turistas em Tofo http://www.youtube.com/watch?v=s2j-QZPM_aY
. Video de snorkel com baleias jubarte e tubarões-baleia em Tofo http://www.youtube.com/watch?v=6mvgbhvnEGI
  
Obs.: Tofo está em um boom grande devido aos interesses e investimentos dos sulafricanos, então a cada ano a quantidade de locais para se hospedar deve aumentar consideravelmente. Na baixa temporada vale à pena chegar cedo e rodar pela cidade. Na alta, melhor não arriscar e reservar com antecedência. Uma definição de alta temporada que encontrei é: "todos os feriados prolongados e férias escolares da África do Sul". Ou seja, antes de ir, o melhor é fazer uma enquete ou pesquisa. De antemão, no inverno a temporada de férias é +- de 10.jun-10.jul e no verão o pico é de 10.dez a 10.jan., se estendendo até março.

Uma dica: quando estiver planejando uma viagem, não conte com a internet. Tenha sempre um back up dos endereços, telefontes, contatos... Deixei de fazer algumas coisas e ver umas pessoas por não ter feito isso.
 
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Projeto 20°12'............................................Projeto 20º12' : Projeto 2012
www.projeto2012.com.br
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