A sagrada Ilha Kubu (Kubu Island) - Botsuana

Trip Start Oct 12, 2010
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Trip End Dec 31, 2012


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Flag of Botswana  ,
Tuesday, November 2, 2010

Por Robson

Este é um post sobre a visita à Ilha Kubu (Kubu Island ou Lekhubu Island), em Botsuana, que fizemos dentro do Projeto 20°12'. O projeto tem como objetivo visitar e registrar nossas viagens por todos os países com terras na latitude do paralelo 20°12' Sul. Para saber mais da motivação da viagem, veja a página inicial deste blog.

Saindo de Nata, pegamos a estrada para oeste até o momento de mudar para a estrada de chão para sul.

Só aqui descobrimos que a 15km da ilha havia outro camping, com uma estrutura aparentemente melhor do que o da própria ilha Kubu. Tarde demais... não é um lamento. A estadia em Nata foi revigorante e valeu à pena. 

Para quem quiser experimentar, ficam os dados de contato.
 
 




















Como foi dito no post sobre Nata, a proposta original era sair do parque Chobe e ir até a Ilha Kubu. A ideia era pegar o pôr-do-sol e o amanhecer neste local sagrado. Após algumas ponderações, concluímos que não conseguirmos recarregar todas as baterias das máquinas. Também colaborou o fato de que teríamos que usar praticamente tudo do carro, inclusive o chuveiro e boa parte da água, já que o único recurso que sabíamos estar disponível na área de acampamento da ilha eram pit toilets (privadas).
 
 
Nada de mordomias como água corrente, energia elétrica, internet, restaurante... Por isso mudamos os planos e passamos a noite anterior no conforto de uma pousada em Nata. Outra alternativa, que não sabíamos que existia até sair da estrada de asfalto entre Nata e Gweta é parar no camping Makgadikgadi Adventure Camp que fica 15km antes da Ilha Kubu, na coordenada 20°45'48,1 Sul e 25°44'19,8 Leste, em frente ao portão de controle veterinário Tshwagong. O portão fica aberto de 6h às 22h. Não temos muito mais informações sobre o camping do que a placa que disponibilizamos no post anterior
  
Fiz essa introdução só para concluir que se vc estiver planejando uma viagem similar, saiba que a proposta inicial: do Chobe a Kubu em um dia, é perfeitamente viável!
 





Agora vamos ao que interessa. 
 
Nosso trajeto foi muito tranquilo (lembrando que fomos no período de seca). Se as estradas asfaltadas de Botsuana quase não têm carro, as de chão então são semidesertas, cruzamos com uns 4 carros no caminho inteiro. Vencer os 95km em menos de 2h, contando com umas paradinhas para tirar fotos. 

  
  






























O GPS indicou um caminho em boas condições, mas mesmo sem ele acho que não tem muito como errar. Depois que se entra na estrada de terra, o caminho se divide em vários mais ou menos paralelos sempre bordeando a parte alagável do pan, mas no fim todos se unificam novamente no portão de controle veterinário Tshwagong e seguem até a Ilha Kubu.
 
Umas poucas habitações podem ser vistas ao longo do caminho, pelo que notamos, basicamente são pessoas que criam gado para subsistência. Mas o mais interessante e que mais se destaca na paisagem de vegetação predominamente rasteira, são os baobás. Que seres vivos fantásticos! Nascem em locais inóspitos a boa parte da vida, chegam a alturas imponentes e permitem que todo um ecosistema se desenvolva ao seu redor. Por isso são tidas por vários povos como sagrados. Parecem árvores pintadas pelo artista colombiano Botero (apesar de a ligação entre os dois não ser lá muito trivial). Do caminho, destacamos os dois exemplares a seguir. O primeiro deles é um verdadeiro berçário, coberto por ninhos, enquanto o outro parece travar uma batalha desafiadora com o ambiente pelo equilíbrio, com cicatrizes evidentes.
  
 

 














   
  
Chegamos à ilha que também é um parque nacional, que não tem cerca e nem portão, mas logo nos deparamos com uma placa que falava a respeito de uma taxa de visitação. Fomos logo procurar o lugar para pagar. Apesar da pouca sinalização, é fácil identificar a administração do parque. Apesar de modesta, é a única construção fixa em toda a área. Fomos recebidos por uma guarda-parque simpática que veio ao portão com um livro de visitas para assinarmos e um bloco de recibos.

Além de cobrar a taxa, ela nos deu uma breve explicação sobre o parque, falou da ligação com o Grande Zimbábue, deixou que tirássemos foto com ela e ainda nos deu a liberdade de saber fazer outras perguntas. Não tinha como deixar de reparar na variedade de pássaros existentes em um prato com água disponível na área da administração: Onde há água, há vida!
  
  
Juntando um pouco do que a guarda-parque nos contou com informações da internet, o resumo é o seguinte: As ruínas arqueológicas da ilha Kubu, ou Lekhubu ou Gaing-O representam a tradição pós-Grande Zimbábue como traços de centros menores estabelecidos por volta do século 17. Kubu continua tendo um significado cultural, particularmente entre os Basarwa na área, que reconhecem o poder ritual do local e é patrimônio nacional protegido pelo Ato Governamental de Relíquias e Monumentos, desde 1970.
 
Um site de referência é o www.kubuisland.com, que possui alguma informação sobre a história da ilha. Destacadamente, Kubu significa hipopótamo na língua setswana enquanto Lekhubu significa afloramento rochoso. Se pensarmos nos hipopótamos, aqueles grandes animais roliços que ficam boiando na água só com as costas e a cabeça fora d'água, dá pra ver uma semelhança boa entre um hipopótamo e a ilha na época de cheia do pan. A ilha é um afloramento rochoso e há sinais de ferramentas pré-históricas feitas com pedra que datam de muito tempo atrás. Mas o mais interessante é um muro pré-histórico no que data de uma  era pós-Grande Zimbábue. O muro é relacionado às ruínas do Grande Zimbábue uma vez que o acabamento é o mesmo usado no Grande Zimbábue e se diz que foi um centro de iniciação escolar para os homens. Para relembrar do nosso post sobre o Grande Zimbábue, clique aqui.
Além disso, eventualmente pessoas da tribo Barswana vêm à ilha Kubu para rezar e trazer oferendas. Existem sinais arqueológicos de utensílios feitos com cerâmica e ovos de avestruz no local.
 
Por todos esses motivos, existem 3 'tabus tradicionais' que governam o uso da ilha: primeiro, é proibido caçar animais, segundo é proibido colher frutos e terceiro, é proibido coletar rochas. Ou seja, não leve nada além de fotos e memórias!
 
Então foi isso que fizemos, tiramos muitas fotos e ficamos com essa visita bem marcada em nossa lembrança. Curta as fotos com a gente!
 
Compare as fotos acima com esta outra, tirada na época de chuvas.


 
 
 


 

































































































































A foto da foto da foto... 360° com registro triplo!

 




























Nas duas a seguir, repare que o baobá "agarrou" uma pedra de dezenas de quilos do solo e suspendeu. Esse não deve ter problema com falta de minerais...
 














Voltamos a ser meio crianças nos instantes em que estivemos lá na ilha...






























Ao deixar a ilha Kubu, voltamos ao portão Tshwagong e seguimos para oeste, pelo caminho em direção a Gweta. Apesar de a distância ser relativamente pequena, as condições são muito mais difíceis do que as de Nata para Kubu. O cara que cuida do portão veterinário nem se arriscou em dizer as condições. Apenas confirmou que era possível se chegar a Gweta, mas disse que pouca gente pegava esse rumo. Como estávamos com um outro GPS com um mapa específico deste trecho, encaramos a aventura.
   
 













O caminho passa boa parte do tempo pelo pan. E aí entendemos porquê existem tantos avisos que não se deve trafegar pelo pan, porque é perigoso. Onde está o perigo? Basicamente na aparente falta de perigo. Um local totalmente plano, sem tráfego no sentido contrário... Mas como disse no post de Nata, o pan é um deserto de sal e argila, o que faz com que ele fique escorregadio e traiçoeiro ao primeiro sinal de umidade. E o pior é que não dá para distinguir um trecho que está úmido de outro que está seco. Nos trechos de pan, o segredo é o mesmo que os pilotos de fórmula 1 usam: dirigir no trilho deixado pelos que vieram antes. Qualquer saída deste trilho leva a uma redução imediata do controle do carro. Logo de cara tomamos um susto e ficamos "espertos" no resto do trajeto.
 
Além dos trechos que cortam o pan, existem outros muito ruins, normalmente arenosos e com bastante mato. O que nos obrigou a reduzir muito a velocidade média e a usar um outro apetrecho do carro. Uma tela de nylon que tem que ser fixada na frente da entrada de ar do carro, para que as sementinhas não entupam as passagens de ar do radiador. Simples, mas vital para essa situação.
 
Chacoalhamos bastante nessa perna, vimos alguns animais eventualmente, sendo que o mais interessante foi ver uma família de esquilos que vivem em tocas (e não em árvores). 
 
 



















Após umas 3h de estrada, chegamos finalmente a Gweta. Não foi exatamente pela porta da frente da cidade, mas foi uma chegada que combinou 100% com o nosso dia 2 de novembro. Chegamos pelo cemitério da cidade!
 

Cruzamos mais uma vez o paralelo 20°12'Sul que deu origem a toda essa aventura na cidade de Gweta.

  














De lá pegamos novamente o asfalto e seguimos para a nossa próximoa base: Maun. No caminho, vimos algumas girafas atravessando a estrada, o que nos levou a uma triste constatação: quando voltarmos a dirigir no Brasil vai ser muito chato só ver vaca e cavalo na beira das estradas.
 
 














































A viagem estava rendendo muito bem, até que passamos por mais um portão de controle veterinário. A partir daí, não havia mais animais selvagens, só uma população inimaginável para nós de burros, muitos deles parados na estrada. Um novo tipo de perigo, que deixarei para concluir no próximo post. 

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Projeto 20°12'............................................Projeto 20º12' : Projeto 2012
www.projeto2012.com.br

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Comments

heloisa on

A ilha com árvores secas e verdes um contraste bonito e os moradores bem simpáticos, não deu medo?

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