Maratona para chegar e entrar no Zim! - Moçambique

Trip Start Oct 12, 2010
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13
54
Trip End Dec 31, 2012


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Where I stayed
Leopard Rock Hotel Mutare
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Flag of Mozambique  , Inhambane,
Sunday, October 24, 2010

Por Robson.

De volta ao cronograma original do Projeto 20°12', pegamos a estrada na perna mais puxada da viagem, em direção ao Zimbábue, o 2º da África Austral com terras a 20º12' que visitaríamos.

Saímos cedo de Tofo, demos adeus à praia e também ao cara que apelidamos de "filho do Milton" (o cara é igual a um outro Milton famoso). O nome dele é Samuel e ele cuidava da recepção da pousada em que ficamos em Tofo e uma passagem merce registro. Um dia estávamos ao lado do balcão percebendo ele conversar com os colegas em dialeto local. Perguntamos qual era o dialeto, ele riu. Insistimos e ele deu uma resposta inesperada. Com um dos colegas, que veio de Maputo, ele falava um dialeto comum em Maputo, com o outro que tinha vindo do norte, ele falava outro dialeto, com um terceiro ele falava um terceiro dialeto. Em casa era um quarto e português mesmo, só de vez em quando... já que a maioria dos clientes falava com ele em inglês mesmo.

Desafio do dia: Tínhamos que rodar quase 1.000 km e chegar ao Zimbábue antes da noite cair, para pegar a fronteira ainda aberta. Neste dia não havia folga. O GPS indicava 10h14min de estrada (isso sem contar com o trâmite da fronteira).

Moçambique tem cerca de 5.700km de estradas aslfaltadas e tínhamos informações dúbias sobre o melhor caminho a seguir. Aparentemente o caminho mais curto era seguir pela EN1 e depois pela EN6, exatamente o que o GPS sugeria, mas o Google Maps por exemplo sugeria uma outra rota, aparentemente pela falta de condições de atravessar um rio do caminho. Não encontramos na internet depoimentos de outros viajantes. O motorista que nos pegou no aeroporto em Joanesburgo disse que tinha passado por lá e seu feedback é que "estava bonito". Moradores de Moçambique que contatei na internet diziam que não havia notícia de impedimento, mas não conheciam pessoalmente a estrada. Então era uma grande dúvida nossa. Mesmo assim fomos em frente, seguindo essa rota mais natural.

A EN1 de Moçambique é equivalente à BR101 do Brasil. Liga o país de norte a sul, passando em boa parte da extensão pelo litoral, a maior parte é uma estrada simples, mão dupla, acostamento de cascalho. O bom da estrada de Moçambique (ao contrário da brasileira) é que o tráfego de veículos é baixo, as curvas são bem abertas, há poucos animais na pista, quase não há buracos e tivemos um bom rendimento. O limite normal é de 100km/h, sendo que nos trechos povoados a velocidade baixa para 60km/h.


O caminho é agradável. A paisagem varia de mata rala e seca, para mata bem verde, para baobás, para "floresta" de cupinzeiros, para tempo ensolarado, para chuva, passando por lugarejos com meia dúzia de casas de barro, palha ou metálica e cobertura de palha, algumas cidadezinhas, isso sem contar com as muitas pessoas andando na beira da pista, principalmente crianças, mulheres com crianças amarradas ao corpo, mulheres com balde na cabeça. O que nos transpareceu, é que existe muito espaço para o desenvolvimento de transporte público. O transporte de pessoas em carrocerias de caminhonetes (que lá eles chamam de "carrinha") e caminhões também indicam isso.


Outra coisa curiosa com relação a Moçambique ao longo de toda a EN1, é que raramente se vêem plantações, gado, fazendas. Quase nada além da vegetação endêmica. Um cabrito ou outro, uma bananeira aqui e outra ali, mas cultivo intensivo também ainda está por vir.

Mais uma interessante foi quando cruzamos o Trópico de Capricórnio. Lá estava uma plaquinha indicando a linha imaginária. Como não estávamos "esperando" por ela, não tiramos uma foto de bate-pronto e com medo de não chegarmos no Zim a tempo, não voltamos para registrar. Fica para a próxima vez... (enquanto isso vc pode curtir a foto de outro blog no travelpod)

Uma coisa que também nos chamou muito a atenção foi a grande quantidade de rios secos. Isso nos fez refletir como o Brasil é abençoado, com seus vários rios perenes. Passamos por muitas pontes, com placas de "ponte sobre o rio ..." e só havia um leito seco. Uma das exceções é o rio Save. A ponte do rio Save foi a maior por que passamos em toda a viagem, aproximadamente metade mais extensa que a ponte do rio Doce em Linhares e quase da mesma extensão da ponte Colombo Sales em Florianópolis. O rio lembra o rio Doce, com muitos bancos de areia no seu leito. Olhando da ponte a área de areia é nitidamente maior que a de água na época do ano em que passamos. Havia umas crianças tomando banho de rio, outras pessoas lavando roupa em um dos bancos de areia.

E... tharammm cruzamos pela primeira vez neste trecho da África Austral a latitude 20º12"Sul e longitude 33°54'28"Leste. O grande motivador deste projeto!

Mais uma curiosidade de Moçambique, são os mamoeiros com caule multipartido. No Brasil os mamoeiros que produzem normalmente possuem apenas um caule. Lá, há vários mamoeiros multipartidos e produzindo!

Após muuuuuitos km na EN1, pegamos a outra estrada, a EN6, mais conhecida como o Corredor de Beira. Beira é a segunda maior cidade de Moçambique e fica na beira do Índico (nada mais direto). É uma cidade portuária fundamental para o Zimbábue (que não tem saída para o mar) e usa o porto e o corredor como uma de suas principais rotas de comércio internacional.

O corredor de Beira (que começa em Beira e termina na fronteira com o Zimbábue é bem diferente da EN1. O movimento é mais intenso, a sinalização é um pouco melhor, mas a diferença principal está nos arredores. Fazendas, plantações, criações de gado (tímidas, mas presentes), Casas grandes ao longo da estrada, cidades mais estruturadas... Mais uma surpresa!

A impressão que tivemos da nossa rápida passagem por Moçambique é que há muito o que fazer no país. É uma nação de oportunidades, com um povo guerreiro. Não é à toa que a bandeira do país exibe um fuzil AK-47.











 
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Projeto 20°12'............................................Projeto 20º12' : Projeto 2012
www.projeto2012.com.br

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