A múmia e o deserto de sal (nada) sinistro

Trip Start Dec 25, 2009
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Trip End Jan 07, 2010


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Monday, January 4, 2010

Décimo-primeiro dia de viagem
Bolívia

    Nesse dia, chegaríamos ao famoso deserto de sal. A caminho do Salar, passamos por uma pequenina cidade, San Juan del Rosario. É um lugarejo marron e empoeirado, com poucas casas e pequenos comércios . Para qualquer lado que se olhar,quase não se vê gente, apenas o final da cidade e o campo. Mesmo assim, avistamos uma senhora caminhando por ali, parecia idosa mas andava rápido, seguida por um cachorro e carregando um filhotinho de lhama. Vestia as roupas e o chapéu típicos das mulheres da região. Gerson se aproximou para conversar e me dar uma chance de fotografá-la e eu aproveitei a deixa.
    Saindo da cidade, vimos uma placa indicando um sítio arqueológico e um museu, para onde nos dirigimos. Apesar de singelo, o museu tem bastante informação e é bem cuidado e muito informativo. Chama-se Kausay Wasi e cobra uma pequena taxa de visitação. São apenas duas salas mas, quando entramos na segunda, lá estava a minha tão esperada legítima múmia andina! Foi interessante e emocionante ver aquele ser humano tão antigo, mumificado,  protegido por uma caixa de vidro, em uma reprodução dos ritos funerários a ele dedicados.   

    Depois do museu, ainda deparamos com uma bela igrejinha colonial e um curioso cemitério todo enfeitado ao estilo andino. Fotografei muito, foi difícil querer sair dali. Eu queria esperar para ver se a igreja abriria, mas acho que isso não acontece todos os dias... Seguimos em frente. Algum tempo depois, percebemos uma mudança  na paisagem: a terra seca, coberta com vegetação baixa e espinhosa deu lugar a uma vastidão branca e muito brilhante.     
    De repente, você não consegue distinguir o horizonte. O chão é branquíssimo e plano, reflete o sol forte e causa miragens, como se houvesse água sobre o chão (não havia). O resultado confunde os sentidos e o senso de orientação: o horizonte fica indefinido, é impossível saber onde acaba o chão e começa o céu. O Salar do Uyuni é imenso. Conforme o carro segue mais para dentro dele, as referências vão desaparecendo até ficarmos completamente envolvidos por uma brancura silenciosa e sem forma... Até seria sinistro...se não fosse divertidíssimo!  Como não há referencial, é fácil fazer fotos que brincam com proporções, de modo que uma pessoa pode parecer ser menor que um chapéu ou caber na palma da mão.

    No meio do Salar, há um local chamado "Isla del Pescado". É uma elevação de terra coberta de cactus gigantescos. Na época das chuvas, as vezes os carros não conseguem chegar até aqui, o que é uma pena. O lugar é bonito, interessante e inesquecível. Há escadas até o cume da elevação e muitos turistas indo e vindo. Todos os carros que fazem o passeio no Salar param aqui para que as pessoas possam tirar fotos, observar e se divertir. Almoçamos nesse local, mas a comida foi servida pelo guia e não pela lancheria que existe ali. Era comida simples, mas estava boa (a fome é mesmo um tempero milagroso, até salada crua de pepino eu estava achando bom).

    Lá pelas quatro horas, saímos da "ilha" rumo à cidade de Uyuni, onde pernoitaríamos.
    No caminho, paramos para conhecer o hotel de sal na borda do Salar. É uma construção baixa, de um branco encardido, onde todas as paredes e todos os móveis são feitos de blocos de sal. Há um pequena loja de lembranças e é isso. Não funciona mais como hotel devido à proibição das autoridades sanitárias locais, pois não havia tratamento de esgoto. 
   Chegamos no final da tarde à cidade de Uyuni, que tem uma certa estrutura e muitos, mas muitos turistas:  jovens com mochilas, turistas europeus de meia idade, pessoas vestidas como para um safári, pessoas com equipamentos dignos de um fotógrafo do Nat Geo,... Todos pareciam estar aproveitando a experiência, apesar do desconforto: devido à altura e à secura do local, respira-se com dificuldade; há lixo na rua; a gente desconfia do que come; os hotéis não passam de aceitáveis; etc, etc, etc. Mas são detalhes. O passeio realmente vale a pena, para quem compreende e aceita suas condições. 
    Lu e eu pedimos ao guia para nos levar ao "cemitério de trens". Tínhamos lido a respeito na internet e queríamos vê-lo, mas não tem nada lá. Só um pouco de lixo espalhado na terra muito seca e um monte de pedaços de trens velhos. Não entendi qual seria o interesse daquilo, ainda mais se comparado a toda a beleza que havíamos visto durante o dia. Olhamos um pouco em volta, olhamos uma para outra e pedimos para voltar à cidade.

    Chegando ao hotel,  Gerson e eu saímos para caminhar. Entramos em um mercado público onde observamos muita carne crua, sem refrigeração e exposta em bancadas (eca!). Mas havia também muitas flores, legumes, os mais inusitados tipos de batata e milho e várias "cholas" (mulheres em vestimentas típicas) conversando alegremente. Saindo dali, entramos em uma rua cheia de barracas que vendiam de tudo. Chamou nossa atenção uma banca que vendia folhas de coca. Havia saquinhos pequenos, de vários tamanhos intermediários e sacos bem grandes, contendo uns 20 kg de folhas. Faz parte da cultura local e ninguém estranha. Nessa viagem, eu usei as folhas e elas realmente ajudam a lidar com a altitude.Basta colocar duas ou três folhas entre a gengiva e a bochecha e deixa lá, não se deve mastigá-las. O gosto é meio amargo, parece um chimarrão. Depois de um tempo, é só botar fora. Meu marido não tentou, pois são contra-indicadas para quem tem pressão alta. Ele sofreu bastante com a altitude (mas tomou os devidos cuidados e aproveitou o passeio da mesma maneira, que o Alemão não é bobo).
    À noite fomos jantar em um restaurante da rua principal, onde estão várias lojinhas e restaurantes e - aparentemente - todos os turistas do lugar. A comida (pizza) até estava bem bacaninha, apesar de muito demorada. O guia jantou conosco, estávamos bebendo cerveja e ele, antes do primeiro gole, derrubou um pouco no chão, murmurando "Pacha Mama" (a Mãe Terra, deidade máxima dos Andes). 
    A temperatura caíra bastante depois que o sol se pôs e, cansados e com frio, voltamos  para o hotel e fomos dormir.
    
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