Pães na janela, viscachas e a cidade queimada

Trip Start Dec 25, 2009
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Trip End Jan 07, 2010


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Where I stayed
Hotel de Piedra San Pedro de Quémez

Flag of Bolivia  , Potosí,
Sunday, January 3, 2010

Décimo dia de viagem
Bolívia

    
Acordamos cedo e fomos tomar nosso café.  Ao chegar ao restaurante, sentimos um cheiro delicioso de padaria e vimos o mesmo funcionário do dia anterior tirar do forno vários pãezinhos típicos (arepas), colocá-los em um cesto e levá-los para esfriar no peitoril de uma janela. O dia já começou bem!
    Em seguida, embarcamos para seguir a "Ruta de Las Joyas Altoandinas".
    Nosso passeio foi tão lindo e surpreendente como no dia anterior. Logo no início, pedimos a Jorge que parasse a caminhonete para fotografamos uma paisagem especialmente bonita. Saímos do carro e estávamos caminhando por ali quando o guia nos fez sinal de silêncio e apontou um longo par de orelhas entre as rochas ao lado do caminho. Ficamos quietos e dali saiu uma espécie de coelho grande com um rabinho engraçado e comprido. Em seguida, veio outro, mais jovem e curioso. Jorge explicou que eram "viscachas", contou que o exército boliviano às vezes fazia patrulhas por ali (?) e atirava nos pobres bichinhos para comê-los e que eram saborosos (ô, dó!). Ele disse que se jogássemos comida elas viriam até nós. Vieram mesmo: pacientemente, meu marido foi se aproximando, oferecendo biscoitos e no final uma delas veio pegar comida na mão dele. Que fofa! Eu queria trazer uma para casa, mas claro que não me deixaram. Primeiro a lhama, agora o coelhão! (beiço).
 
    Nossa próxima parada foi na linda Laguna Blanca, que tem essa cor devido à grande quantidade de boro que aflora à superfície. Obviamente, há empresas mineradoras estrangeiras explorando o lugar.
    Em seguida, chegamos a outra lagoa, maior, com milhares de flamingos e um cheiro forte de enxofre. Cartazes avisam que há risco de morte e não se deve beber ou tomar banho ali. (Quem beberia uma água da qual sai fumaça cheirando a enxofre?! ). O lugar é tão lindo que a gente acostuma rapidinho com o cheiro. Ao lado da lagoa está o segundo albergue, e ali almoçaríamos. Havia bastante gente caminhando e muitos veículos indo e vindo. 
    Jorge explicou que janeiro é baixa temporada e trafegam pelo deserto em média 50 veículos por dia. Na alta temporada em julho, quando vêm os europeus, são 200 carros fazendo o passeio todo o dia.
    Caminhamos e fotografamos muito e entramos no albergue para almoçar. Nosso almoço nesse dia estava até bacaninha: tinha massa cozida, pepino, tomate, atum em lata, maionese. Misturamos tudo e fizemos um saladão. Para beber coca-cola e de sobremesa laranja (uma para cada um). Nesse albergue tinha até cerveja para vender , boliviana e bem saborosa. Encontramos um casal de brasileiros que havíamos conhecido no dia anterior na fila para fazer o trâmite de saída do Chile. Quando os conhecemos, a moça estava com medo do passeio e da altitude. Quando os reencontramos, ela era uma viajante muito feliz e encantada! E viva a Bolívia!
    À tarde fomos a (mais) um lugar incrível: o jardim de lava. Jorge estacionou o carro e nos deixou à vontade. A impressão é de que houve um choque térmico brutal entre a lava derretida e a temperatura ambiente, resultando em rochas de formato curioso, como se paralisadas instantaneamente em meio ao  movimento... bonito demais. Minha preferida é uma rocha que tem o formato de uma crista de onda. Achei linda e tirei uma foto como se estivesse surfando dentro daquele "tubo". Para completar, dois vulcões no horizonte próximo. Um está extinto e o outro é o vulcão Ollague, de 5900m de altitude, ainda em atividade e exibindo um penacho de fumaça em seu cume nevado... (É agora que alguém me belisca e eu acordo???)

    Como ninguém me beliscou, seguimos viagem pelo alucinante interior da Bolívia. Nesse dia, as temperaturas variaram de -4 a 20 °C de acordo com o termômetro do Toyota.
    Eu queria  fotografar as poucas pessoas que víamos na estrada, principalmente as mulheres com suas roupas coloridas e enfeitadas e pequenos chapéus redondos de feltro preto, mas eles não gostam de ser fotografados. Depois de muitos resmungos a respeito das fotos lindas que eu estava perdendo, vimos um senhor em uma moto pequena carregando um grande fardo de vegetação. Jorge parou o carro e foi conversar com ele, meu marido se aproximou também e eu consegui a minha foto. O senhor era muito simpático e não viu ou não se importou comigo e a máquina.

    Em seguida chegamos ao hotel daquela noite, na vilinha de San Pedro de Quémez, que tem esse nome por causa de uma disputa de fronteira no século XVIII, quando os peruanos atacaram a cidade e mataram a todos os habitantes, trancando as casas e queimando as pessoas (assim nos disseram)... As fantasmagóricas casas de pedra com marcas de fogo continuam lá até hoje, a curta distância a pé do hotel. Fomos lá conhecer e fotografar. No caminho, várias lhamas e Juan, um menino pastor, .
    Voltamos ao hotel para beber nosso chá de boas-vindas (chá de coca: não tem muito gosto e ajuda na aclimatação). O sol estava se pondo, o céu estava tingido de todas as cores possíveis e um sistema de som tocava baixinho "Wish You Were Here", do Pink Floyd.        
(Ah, não! ..............Não me belisca agora!).
    Este hotel é mais bonito e tem mais estrutura do que o da noite anterior. Jantamos muito bem, incluindo salada verde e um ensopado de carne de lhama com legumes que estava muito gostoso.
    

        
    
    
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