Sorte em Viajar

Trip Start Jan 15, 2011
1
48
50
Trip End Dec 24, 2011


Loading Map
Map your own trip!
Map Options
Show trip route
Hide lines
shadow

Flag of Germany  ,
Monday, April 1, 2013

O meu pai costuma dizer que, hoje em dia, temos imensa sorte com a facilidade com que podemos viajar. Que ele, nascido e criado em Angola, só saiu do país onde nasceu com vinte e tal anos e só viu Paris com trinta e alguns, enquanto que me levou a França com doze anos. Nos dias que correm, a história é diferente: quem poderia imaginar que seria possível chegar mais rapidamente e com um menor investimento do Porto a Londres, por exemplo, do que de Lisboa à cidade invicta? Parece impossível, mas os preços das companhias aéreas low-cost são mesmo isso, low. Quanto a mim, tenho tido um misto de boas finanças e bastante tempo livre que, associados a alguma coragem da minha parte, fizeram com que aos 26 anos já tenha visto bem mais do mundo do que o meu querido e velho pai. Sou portanto obrigado a concordar com ele: temos muita sorte hoje em dia. Chegamos rapidamente a qualquer sítio, sobre o qual conseguimos com um clique apenas obter toda a informação possível e imaginária, por mais exótico ou longínquo que o destino seja. Quem nunca passou horas a visitar o planeta inteiro via Internet que atire o primeiro mouse.
 
Na minha opinião, a Internet oferece no entanto algo ainda melhor do que o acesso a uma quantidade inesgotável de informação. Através dela, podemos mantermo-nos em contacto com amigos em qualquer canto do mundo, tendo como única preocupação a diferença horária entre os vários países. Que maravilha é esta aldeia global: conheci finlandesas em Lisboa, alemães em Sydney e argentinos na Nova Zelândia, gente esta que planeio visitar nos seus países de origem assim que a  oportunidade surgir. Tenho amigos nos quatro cantos do mundo e com eles consigo planear quando hei-de ir lá e o que iremos fazer, e tenho ainda confortáveis sofás onde repousar em milhentos destinos espalhados mundo fora. Com viagens baratas viajo mais facilmente e com as  novas tecnologias mantenho-me mais facilmente em contacto com os novos amigos que vou fazendo. A haver um senão, parece ser o aumento exponencial do número de sítios a visitar: viajo, arranjo amigos estrangeiros, visito-os nos seus países, faço novas amizades além-fronteiras e fico, portanto, com novos destinos para o futuro, onde por sua vez irei conhecer novas pessoas. É um ciclo vicioso que garante que não me aguento muito tempo no mesmo sítio. A matemática não engana, a função exponencial é mesmo tramada.
 
Costumo dizer que quero ver o mundo inteiro, incluindo os sítios ignorados pelos turistas onde eu acho que é possível ver como vivem as pessoas "normais", longe dos monumentos e das máquinas fotográficas. É por isso que ter tantos amigos estrangeiros me apela: que outra razão teria eu para visitar Oulu, Coonabarabran ou Darmstadt? Não são sítios com tanto glamour como Helsínquia, Sydney ou Berlim, mas mostram pelo menos tão bem (senão melhor ainda) como é a vida na Finlândia, Austrália ou Alemanha.
 
Temos muita sorte, de facto: hoje em dia posso manter amizades com pessoas no outro lado do mundo, partilhar com elas a rotina do dia-a-dia ou descrever a última aventura em que me meti. Posso apaixonar-me à distância por gente nórdica, trabalhar num novo projecto com o meu melhor amigo a 20.000 quilómetros de distância ou ler via email as histórias de um veterano da Segunda Guerra Mundial. Isto enquanto viajo e conheço o mundo eu mesmo. Obrigado Séc. XXI!
Report as Spam

Comments

Mamã on

GOSTEI!
Parabéns ao Pai!

Angélica on

Que sorte! Obrigada por partilhar as experiências e mais por permitir-me viajar por meio das tuas aventuras! Beijinhos :)

tia nokas on

Já estás a sentir o rabo quente, aposto
Este texto foi muito técnico. Quero mais emoção!!!
Saudades, meu querido

Pai on

Sempre bem escrito e com uma clareza de ideias que nos coloca da fantasia à realidade nesse exacto momento. Obrigado pela dedicatória e estarei sempre em vigilia. Bjs

Giovanni on

Boa Daniel,
um abração de um desses amigos do mundo que tu fizeste numa de suas vindas ao Brasil.

Pi on

Boa, Daniel.
Tens toda a razão,nasces-te numa bela época e teu espirito aventureiro é de louvar!Gostaria de ser e ter essa sorte.
Que teu pai tá velhote,não é novidade!!aha
Descobre lá esses sítios e vai colocando fotos,essas que não teremos oportunidade de ver!!
Abraço e tudo te corra pelo melhor.

Ana Campos on

Olá Daniel, tenho seguido todos os teus escritos, que o pai baboso me manda, e mal eu pensava quando te levava pela mão, quando eras pequenino, claro, á piscina da Praia das Maçãs, no 29 de Junho, que é feriado em Sintra, e esse dia era dedicado ao descanso, dizia eu, que mal pensava que aquele menino tivesse um escrito tão determinado, parabéns, continua a dar-nos noticias das tuas viagens e dos teus escritos, beijo,

Tozé Borges on

Olá Daniel
Vejo que tens costela de Benguelenses, pois o fazer amigos, não é para todos é só para alguns e se os tiveres como AMIGOS, conserva-os sempre.
Leio sempres os teus comentário que o teu Pai e Mãe, me fazem o favor de enviar, delicio-me com a tua escrita, pois parece que estamos a viajar no tempo contigo.
Um abraço amigo
Toze Borges

Add Comment

Use this image in your site

Copy and paste this html: