Parábens a você

Trip Start Jan 15, 2011
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Trip End Dec 24, 2011


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Flag of Germany  , Berlin,
Friday, October 12, 2012

Parabéns a mim! Hoje é o dia do meu aniversário, e por isso há que festejar! Ou pelo menos é isso que toda a gente insiste comigo: há que celebrar os anos, assim manda a tradição. Mas a tradição também dita que as touradas são para ficar, o que não lhe fica nada bem.

Faz hoje 9498 dias que nasci. Que tem este dia de especial, pergunto-me? Para mim, parece-me ter bastante em comum com os meus 9497º ou 9132º dias de vida, que ninguém se lembrou de festejar (pensando bem, o último talvez tenha calhado no meu vigésimo quinto aniversário). Antes de mais, os ordinais destes números são todos igualmente complicados: o meu nove milésimo quadringentésimo nonagésimo oitavo dia é tão difícil de ler como qualquer outro dia a seguir ao 39º - antes disso ainda vamos reconhecendo as palavras, mas nunca ninguém ouviu falar de septingentésimos ou octogésimos (os puristas da língua que me perdoem se de facto reconhecerem estas coisas – estou a referir-me a pessoas normais). A festejar, porque não festejar os chamados números redondos, como o meu 9500º dia de vida, daqui a 2 dias, ou melhor ainda, quando atingir o meu décimo milénio de dias, a 26 de Fevereiro de 2014? Vou, aliás, começar já a comprar as 10.000 velas necessárias, juntamente com ingredientes em quantidade suficiente para fazer um bolo onde elas caibam todas. Com isto, que começem as festividades! Afinal de contas, não é todos os dias que se entra nos cinco dígitos de dias de vida. Se atingir os seis dígitos, lá para o ano de 2260, a festa será de arromba.

Dos meus aniversários, o que mais gosto é de que esta data é talvez a única de todos os anos em que, olhando para trás, sei onde estava e mais ou menos o que fiz (o mesmo se passa com o Natal – não incluo o ano novo pelas razões óbvias). Talvez seja isto que apela à tradição, o festejar da vida, do passar do tempo, de mais um ano de maturidade (no caso de alguns). Quanto a mim, não me posso queixar dos meus aniversários: em Portugal, a família juntava-se sempre para jantar, no que eu considero ser o melhor de dias como este, ou como o Natal. Recordo também os aniversários passados fora do país, que parecem demonstrar a evolução da minha vida. Hoje encontro-me a viver em Berlim, com um emprego estável e uma vida quotidiana, enquanto que no dia doze de Outubro do ano passado me encontrava no que eu gosto de chamar o meu ano sabático, naquele país espectacular que é a Nova Zelândia. Não me recordo de vários dos anos anteriores, mas sei que em 2007 estava em Viena, a capital austríaca, a iniciar o meu primeiro período a viver longe do meu país de origem. Os aniversários surgem portanto como marcos na vida, fornecem-me um ponto de referência em cada ano. E talvez seja por isto que não grande fã de os festejar. Parece que estive em Viena há não mais de dois ou três anos, mas graças a este dia especial acabei de me aperceber que foi de facto há cinco anos. Cinco anos! Incrível, como o tempo passa enquanto estamos ocupados a viver. Olhar para o ano passado também não ajuda, já que fui de viajante profissional, que passava os dias a arranjar coisas interessantes para ver e à procura de diversão, a programador profissional, que passa os dias a ver coisas não-interessantes para arranjar e à procura de bugs. Mas calculo que quando no ano passado olhei para o ano anterior, a mudança me tenha ajudado a apreciar o dia. São as chamadas vicissitudes da vida (acho eu – quis apenas usar uma palavra cara).

Por outro lado, há quem festeje este dia com razão, como os espanhóis ou os brasileiros. Os primeiros, porque me amam, os segundos, porque me idolatram. OK, admito, não é esta a razão: os espanhóis celebram o dia em que Cristóvão Colombo chegou à América (o que lhes fez de facto amar muitas coisas, como o ouro e a caça ao índio, mas não a mim), os brasileiros o aparecimento de uma pequena estátua da Nossa Senhora na rede de pesca de dois fiéis (visto bem as coisas, a senhora em questão é mais digna de idolatração do que eu). Mas se até os restantes povos da América Latina conseguem ver no dia da chegada do primeiro conquistador uma razão para celebrar, porque não eu?!

Com ou sem razão, irei com certeza festejar este maravilhoso dia na companhia dos amigos que entretanto fiz por aqui. Isto, claro está, depois das oito horas diárias de trabalho. Infelizmente a família encontra-se longe, mas celebro sabendo que junto dela tive, e voltarei a ter, muitos dias de não-aniversário para celebrar. E no fundo, que interessa o raio da data? Afinal de contas, está certo que não é todos os dias que se vira 9498 dias de idade, mas é mesmo todos os dias que se vira um dia mais velho do que o dia anterior.
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Comments

Pai on

Entendida a mensagem que é só mais um dia para ti e que tanto podes festejar esse como o 25000 mil. Bem escrito o texto, divertido e satisfaz-me sobretudo o facto de usares a caneta. Eu, teu pai, estou orgulhoso de ti, meu filho. Bjs

Tia Nokas on

Está bem visto, sim senhor. Gostei, Saudaes

TOZE BORGES on

Gostei, tens uma escrita clara, fácil de entender e sobretudo o trocadilho dos numeros do teu aniversário está espetacular, os teus Pais devem estar orgulhosos do filho.
abraço toze borges

Araujo Pinto on

Caro Dani, aqui vai para ti um grande e forte abraço. Conheço-te, como sabes, desde muito criança. Sempre tive por ti e pela Mariana um afecto grande, assim como pelos teus pais. Só quero que sejas muito feliz, aí, aqui ou em qualquer outro local do planeta. Tú já és um cidadão do mundo. Ah..., já me estava a esquecer de elogiar a tua prosa. Fico vaidoso, deixa-me ficar vaidoso. Um grande abraço.

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