Voando

Trip Start Jan 15, 2011
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50
Trip End Dec 24, 2011


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Flag of Portugal  , Estremadura,
Monday, March 19, 2012

Por mais vezes que voe, continuo sem perceber a maioria dos restantes passageiros. Que força é esta, que os impele a quase saltarem dos lugares mal o avião pára, ou até mesmo quando ainda está em movimento? Subitamente, como que um sinal de partida, soa o primeiro clique do desapertar de um cinto de segurança, e a corrida está lançada. Elevam-se os corpos, abrem-se os compartimentos de malas e lá vai sendo apressadamente retirada a bagagem de mão. Com mais ou menos contacto físico, por vezes parece que vai até dar guerra, e no fim está a missão completa: de bagagem na mão, os passageiros podem agora sair rapidamente do avião... Ou não! Como qualquer pessoa que já usou este meio de transporte sabe, desde a paragem da máquina voadora até que se possa efectivamente pisar o solo vão largos minutos. Por outras palavras, esta gente saltou do assento assim que possível e agarrou nos seus pertences, de maneira a que possa impaciente esperar, em pé, pelo próximo sinal de largada (quando o corredor central começa finalmente a avançar e a corrida recomeça).
Será um instinto de sobrevivência, um medo primordial deste "charuto voador" que amedronta ainda? É possível, mas isto contraria um outro comportamento facilmente observável: muito antes do embarque começar, já há uma fila enorme de gente impacientemente à espera para entrar. Se têm medo de voar, porquê esta vontade enorme de serem os primeiros no avião? Será que as pessoas são simplesmente egoístas e querem apenas ser os primeiros em tudo?
Será que têm um vôo de ligação, ou que precisam mesmo de apanhar aquele autocarro para não terem que ir aturar os chulos dos taxistas?
Ou será por ignorância quanto ao tal intervalo de espera, por inexperiência?
Caso a resposta não seja nenhuma destas, então não sobram dúvidas: os passageiros das linhas aéreas modernas são ou idiotas ou masoquistas.

Outra coisa que se nota, mal o avião toca na pista de aterragem, são os telemóveis a ligar. Gente importante, esta que viaja em classe turística, que não pode passar 2 horas sem contacto com o mundo exterior. Os apitos começam, ou vibrações no caso dos cautelosos, já que a hospedeira de bordo acabou de anunciar explicitamente que os aparelhos electrónicos devem permanecer desligados. Calculo que seja importante avisar a família de que se aterrou em segurança, para acalmar os nervos lá em casa.

Quanto a mim, eu espero até que a fila de embarque esteja reduzida a 5 ou 10 pessoas para me levantar, se bem que para isso tenho que combater o instinto que diz "o portão de embarque está aberto, vamos!". Tomo o meu lugar, tento dormir, e quando o avião aterra mantenho-me no lugar, à espera que o corredor ao meu lado esteja vazio, para então agarrar na minha bagagem de mão e fazer-me à estrada (durante este período sou normalmente bombardeado com olhares agressivos das pessoas que não podem deixar o seu lugar sem que eu deixe o meu). Não ligo imediatamente o telemóvel, aliás, normalmente até nem o ligo no estrangeiro: como gosto de dizer à minha querida mãezinha, aquando das minhas frequentes deambulações áreas, "se não disser nada, é porque estou bem. Se o avião cair, também não direi nada, mas há-de aparecer nas notícias".

Seguindo a minha filosofia, posso finalmente viajar com a preocupação única de encontrar a melhor posição para dormir, de procurar bom material de leitura ou escolher a música ideal para a disposição actual. Não sou assaltado com custos de Roaming nem espero inutilmente em pé, feito sardinha em lata. Os segundos que perco, "trancado" no avião, ganho assim em conforto.

Nota final: e para quando uma companhia área honesta? Aquele discurso da treta, do "foi um prazer tê-lo a bordo", já cansa. Porque não algo que soe à verdade, algo do estilo "O dinheiro que pagou pelo seu voo irá encher os bolsos dos investidores e, com sorte e se sobrar, pagar o meu ordenado. Obrigado por não voar com a maldita concorrência"?
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Comments

Carla MÃE on

Muito bem! Concordo em absoluto contigo! Conseguiste escrever exactamente aquilo que eu penso!
Como não costumo viajar sozinha, o grande trabalho que tenho é convencer o meu acompanhante (Manel Luís/Mariana) que o avião não parte sem nós... e que não nos deixam ficar a viver lá...
És mesmo meu filho!!!

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