Snowboard!

Trip Start Jan 15, 2011
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24
50
Trip End Dec 24, 2011


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Where I stayed
Ski Haus

Flag of New Zealand  , North Island,
Tuesday, August 2, 2011

Ola gente!

Esta será uma entrada curta, visto que, mais uma vez, não tenho tido grandes aventuras... Estou num sítio aborrecido, sem nada para fazer ou ver... Isto é, fora o Snowboard espectacular!!

Antes de falar mais nisto, preciso de reportar uma mudança no meu alojamento. Se bem se recordam, estava a trabalhar a troco de alojamento num hostel, o tal com uma spa-pool (piscina spa??), paintball, etc. A vida por lá era óptima, o que tínhamos que fazer (eu e o outro ajudante, o Marcel) não era muito difícil, tínhamos um chefe porreiro, que nos dava comida e álcool à descrição (a bebida malvada eu deixava para o Marcel, obviamente!). Como podem imaginar, era quase bom demais para ser verdade... Até que deixou de o ser! Pois é, parece que alojar gente num hostel e oferecer todas estas regalias sai caro, e visto que não havia assim tanto trabalho que justificasse a despesa, fomos convidados a sair... Com um dia de antecedência! Infelizmente foi assim, algo chato, depois de 1 mês por lá, mas a namorada do chefe (da qual ninguém gosta - sem ser o chefe!), que por acaso também trata das finanças, tratou então de nós de vez e mandou-nos embora. O chefe estava visivelmente triste, mas negócios são negócios, e se estávamos a custar dinheiro a mais, algo havia que ser feito... Podiam era ter dado mais tempo antes da data limite, mas enfim, "*** happens".

No final de contas tive bastante sorte, já que, depois de termos sido informados do término do contrato, voltei ao site que costumo usar para procurar trabalho a troco de alojamento e a primeira pessoa que contactei respondeu positivamente. Mudei-me então para a National Park Village, a 6km de onde estava antes. Trata-se de uma vila a sério: uma bomba de gasolina (que também serve de supermercado, embora seja bastante caro), uns quantos bares/restaurantes e bastante casas de gente que gosta de ir para a montanha... E é isto!

Trabalho então para um hostel e fico noutro. Não me perguntem, o chefe é meio estranho... Mas acabei por ter sorte, porque fico num hostel bastante decente e trabalho noutro que não é tão bom. O único problema é a caminhada de 20 minutos entre os dois, mas podia ser pior! Quanto ao trabalho em si, é bastante aborrecido: na parte de trás do hostel existe um monte de terra misturada com lenha, e adivinhem o que o vosso amigo tem que fazer? Pois claro, separar a lenha do resto... É super aborrecido e cansa bastante (especialmente para quem não está habituado a trabalho físico, como eu), mas felizmente são só 2 horas por dia e poupa-me imenso dinheiro. O que fiz na primeira semana foi trabalhar 4 horas num dia, para ter o dia seguinte livre e poder ir para a a montanha, mas agora o chefe diz que não, tenho que fazer as 2 horas diárias! Enfim, como disse, é um tipo meio estranho, mas pronto, tenho o trabalho e é isso que importa.

Tenho então ido para a montanha! E que dias tenho tido, tão bons. O tempo não tem tado sempre bom, mas quando não está nem me dou ao trabalho de ir, fico pelo hostel a relaxar... E assim que há um bom dia, lá estou eu! Acordo cedinho, trabalho das 8 às 10 e vou o resto do dia para a montanha. E que bom que tem sido!! Modéstia à parte, estou bastante melhor no snowboard, já faço vários 180º e uns quantos boardgrabs. Linguagem muito técnica, mas para os leigos: sou muita bom! ;-)

Para chegar à montanha, e peço desculpa aos familiares mais susceptíveis, tenho ido sempre à boleia. Aliás, sempre que quero ir a qualquer lado ponho o polegar no ar e espero que alguém pare! Às vezes tem mesmo que ser, já que não há alternativa. Para ir às compras, por exemplo, poderia ir à bomba de gasolina aqui, mas é caríssima. Ou posso ir à cidade mais próxima, Taumarunui (a 45kms de distância), o único problema é que não há autocarro e o comboio custaria 60$ (ida!)... Para chegar à montanha poderia apanhar o autocarro, mas também é bastante caro (considerando que são apenas 20kms). Por isso a solução é mesmo ir à boleia! E tem funcionado maravilhosamente. Apanhei gente muito interessante, como o senhor que me perguntou qual era aquele estilo de música tradicional portuguesa. Era o Fado, obviamente, e o senhor ficou todo contente por ter decorado a palavra, e prometeu que ia ver se encontrava algumas amostras no google quando chegasse a casa. O Turismo de Portugal devia agradecer-me publicamente, a sério! Toda a gente fica sempre muito espantada por eu ser de Portugal, de facto não há muita da nossa gente por aqui. Tenho apanhado outra malta porreira, como o casal de senhores mais velhos que me trouxe até à porta do hostel, sempre à conversa. Ela aconselhou-me a tirar o curso de enfermeiro porque têm uma grande necessidade dessa profissão por estes lados, e por isso o governo paga tudo e teria trabalho garantido (e bem pago!) no final do curso. Nada mau! Apanhei ainda boleias de uma  (que me disse que nunca tinha dado boleia a ninguém e que não sabia bem porque tinha parado!) e de uma mãe com o seu filho, que disse que uns dias atrás teve que andar à boleia também porque o multibanco não funcionava e não podia por isso comprar o bilhete de autocarro. Por fim, a melhor boleia que tive foi quando eu estava ainda a andar para o sítio onde ia estender o polegar, já equipado e de prancha de Snowboard na mão, quando pára um carro e me pergunta se quero boleia! Foi óptimo ver esta malta, sem eu sequer pedir, a oferecer boleia, e acabei por descobrir que se tratava do jovem que tinha estado no bar na noite anterior a tocar para animar a malta! Todas estas experiências fazem-me acreditar, como já tinha vindo a pensar, que ainda há muito boa gente neste mundo, gente que gosta de ajudar, de modo altruísta e sem pensar em ganhos. Boa malta!

Outra coisa que notei, por estes lados, é que toda a gente gosta de conversar. Especialmente quando estou na montanha sozinho e vou nos puxa-rabos (para os leigos, trata-se de uma corda à qual os esquiadores se agarram e que os puxa montanha acima) para 2 pessoas, sou obrigado a partilhar a corda com um(a)  desconhecido(a). Acabo sempre a conversar com esta malta, nos 5 minutos que demora a chegar ao fim da "viagem", já que me perguntam sempre "então, está a ser um bom dia para ti?". Depois de falarmos da montanha, costuma vir um "estás aqui pelo fim-de-semana ou trabalhar aqui?" e mais tarde o "e de onde és?", cuja resposta espanta sempre toda a gente. Tive uma senhora, no entanto, que me disse "que giro, acabei de voltar de Portugal!". Parece que ela sempre quis visitar o nosso país e esteve lá há uns meses, e adorou-nos. Maravilha! Mas é óptimo ver esta socialização da malta, sempre à conversa, encosta acima. Não sei como é nos outros lados, mas esta malta ganha muitos pontos com este modo de ser! O único problema é que, quando estou sozinho, costumo pôr música e sou então obrigado a parar (o que é complicado, com luvas e etc) para poder conversar. Ossos do ofício!

Calculo que já o tenho referido, mas a paisagem no topo da montanha é simplesmente espantosa! Tenho tido dias óptimos, com céu azul e sem nuvens, quando é possível  ver centenas de kilómetros à volta da montanha (o topo da qual, para os interessados, fica a cerca de 2300 metros de altitude), incluindo o maravilhoso Monte Ngauruhoe (mais conhecido por Mount Doom, a montanha de fogo do Senhor dos Aneís) e o Monte Taranaki, outro vulcão enorme (e também espectacular, visto que tem uma forma quase perfeita e a terra à volta é plana - faz lembrar o Monte Fuji, no Japão) e que fica a mais de 100kms de distância! Ontem, por exemplo, a vista era maravilhosa, já que havia uma camada de nuvens nesta área, mas a montanha estava em cima da mesma. O resultado é que, enquanto que aqui em National Park estava cheio de nuvens e tudo muito cinzento, no topo da montanha estava um dia lindo, ceu azul e calor! Mas o mais espantoso é que esta camada de nuvens era uma cama perfeita, vista do lado de cima, uma camada lisa que se estendia para lá do horizonte. Deu azo a paisagens maravilhosas, como ver o Monte Ngauruhoe a "sair" do meio de nuvens, assim como o apenas o pico do Monte Taranaki à distância (quase não se via) ou outra foto em que é quase impossível distinguir a montanha (branca, cheia de neve) das nuvens (também de cor branca)! Verifiquem as fotos, algumas são mesmo espantosas e é nestes momentos em que, como sempre, penso: que sorte tenho de estar aqui!!

Um dia destes aproveitei também um dia de folga do meu trabalho (ie. um dia em que não fui ao topo da montanha, hehe) para uma nova actividade: o hostel onde trabalho tem uma parede de alpinismo, e fui então com o Marcel trepara as paredes. Revelou-se algo bastante interessante e divertida, mas infelizmente depois de 2 paredes trepadas os braços começam a doer bastante! Mas claro, fomos insistindo, mesmo cansados, e fomos tentar as subidas mais difíceis. Não conseguimos as mais complicadas (com partes horizontais, mesmo que curtas, e sítio para por as mãoes/pés muito pequenos), mas o que conta é a intenção, e sempre tentámos!

Anyway, espero que estejam a aproveitar o verão português (se bem que parece que é mau! Má sorte...)!

Abraços,
Daniel
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Comments

Carla (mamã) on

Oi, filhotinho,
Comosempre, adorei o teu relato, bem como as fotos que aqui colocaste.
Mas, por favor, de vez em quando, põe algumas fotos em que eu possa ver a tua chipala!
Recebe muitos beijinhos desta tua mãe que está cheiiiiiiiiinha de saudades tuas!

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