Vale comunistas,grutas apertadas,cordas elásticas

Trip Start Jan 15, 2011
1
22
50
Trip End Dec 24, 2011


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Where I stayed

Flag of New Zealand  , North Island,
Friday, June 24, 2011

Wow, que sorte de estar vivo! Exagero... Afinal de contas, nos últimos dois dias, as "únicas" coisas que fiz foi saltar de uns 50 metros de altura agarrado pelos pés com um elástico (duas vezes) e andar umas 3 ou 4 horas a passear em grutas escuras, metade do tempo dentro de água... Nada de especial! Mas já falo mais sobre esta parte, vamos começar no início...
Deixei finalmente Auckland para trás. Depois de chegar a esta cidade e lá voltar 2 vezes no período de um mês, na última sexta-feira apanhei finalmente o meu autocarro em direcção ao sul. Estou então a usar a Kiwi Experience (Experiência Kiwi - sendo que kiwi é o nome carinhoso para os neo-zelandeses - algo como chamar de canguru aos australianos), um autocarro/tour que leva backpackers como eu a passear pela Nova Zelândia fora, parando nos destinos mais populares. É estilo hop-on hop-off, ou seja, os passageiros são livres de entrarem e saírem do autocarro entre os vários sítios que este visita. É uma maneira bastante popular de viajar neste país e o autocarro está então cheio de colegas mochileiros como eu, pelo que decidi juntar-me a esta experiência (o desconto enorme que me ofereceram também ajudou hehe).
Deixei então a casa do Mike e meti-me no autocarro, que por acaso chegou bastante atrasado, e onde estavam outros 13 viajantes, 3 alemães, 2 americanos e o resto ingleses. A guia/condutora, a Flee, é uma jovem de uns 38 anos, bastante interessante e engraçado, do estilo que combina bem com esta malta jovem viajante. A incentivo dela e depois da partida de Auckland (depois de uma pequena passagem pelo Mt Eden, que eu já conhecia) metemo-nos então todos à conversa, a conhecermo-nos uns aos outros. A maioria é malta mais jovem (o que tem sido uma constante no resto da viagem), na ordem dos 19 e 20 anos. Viajam depois de acabarem o ensino secundário, que no caso dos alemães (e calculo eu que para os ingleses seja igual) é aos 19 anos. A maioria viaja a longo termo (como eu), sendo que os americanos são a excepção (acabaram o curso agora e estão a viajar durante 3 semanas antes de começarem os trabalhos sérios - na área das Finanças etc).
Depois de algumas horas de viagem e à conversa, chegámos então ao primeiro destino, na península de Coromandel. Este sítio é muito popular por ter praias lindas e estar bastante perto de Auckland, a umas 2 ou 3 horas de distância. Como o tempo estava bastante mau, não deu para apreciar a beleza do sítio, mas fomos a um sítio excelente: conhecida como Hot Water Beach (a praia da água quente), trata-se de uma praia que seria totalmente banal não fosse situar-se por cima de uma nascente termal. O que isto significa é que, em maré baixa, existe um sítio específica na areia onde cavando um pouco (meio metro) podem-se criar piscinas de água quente!! Pois é, a água que vem da tal nascente termal (situada uns quantos kilómetros abaixo da terra) é deste modo acessível, água esta que aparentemente sai da terra a uns 60º! Com o tempo bastante mau, metomo-nos todos de calcões de banho e saltámos para dentro das pequenas covas que felizmente outra malta já tinha cavado para nós. E que bem que se estava!! A água estava quente, quentíssima até em alguns sítios, chegando a queimar nas zonas de onde saía da terra. O primeiro buraco onde me pus, com outra da malta do autocarro, estava bom, mas o melhor foi mesmo quando me mudei para outro buraco, que a Flee, a condutora, descreveu como "o melhor buraco que já vi aqui". Sendo que ela vai lá muitas vezes, acho que tivemos bastante sorte! Pelo buraco estava um kiwi (um neo-zelandês) que partilhou conosco a sua maravilhosa criação e conosco conversou um pouco, incluindo um pouco de história que ele parecia saber bem. Sabia da separação do mundo entre nós e a Espanha e fiquei um pouco à conversa com ele sobre a história dos descobrimentos etc. Tudo enquanto apreciava a água óptima... Bons tempos!
Voltámos finalmente ao hostel e no final do dia ficámos pelo hostel, toda a malta junta, a jogar snooker e na conversa entre alguns copos, enquanto grande parte da malta (eu por acaso não me juntei) partilhava algumas histórias algo pessoais (e mais não digo!).
No dia a seguir metemo-nos novamente no autocarro e seguimos viagem em direcão a Rotorua, uma cidade com muita cultura Maori. Mas antes de mais, há que encher o estômago, e para isso parámos em casa da Flee, a condutora. Pois é, este estilo de tour de autocarro semi-guiada inclui os tais guias porreiros que referi, que não têm medo de convidar 15 mochileiros que conheceram no dia anterior para irem até sua casa. Lá chegámos então e pelo caminho a Flee foi contado um pouco da sua família, que é no mínimo pouco convencional... Parece que o tio dela é um membro fundador do partido comunista da Nova Zelândia e há alguns anos foi parar à cadeira por... atirar farinha a alguém! Passo a explicar: durante a altura do Apartheid na África do Sul, a equipa de Rugby de lá decidiu vir fazer uma pequena tour por este país para jogar contra as equipas locais. Infelizmente, e devido ao Apartheid, a equipa era apenas constituída por brancos (os negros não eram permitidos). Isto gerou muita contestação entre a população neo-zelandesa, que se opos à vinda da equipa, com protestos etc. O governo decidiu ignorar os mesmos e eles acabaram por vir na mesma. Aqui entra então o tio da Flea: depois dos protestos (onde, obviamente, participou) terem falhado e da equipa se encontrar a jogar num estádio em Auckland, o senhor agarrou num avião e foi largar sacos de farinha sobre o relvado, numa tentativa de sabotar o jogo!! Pois é, óptima táctica, mas infelizmente um dos sacos acertou num dos jogadores e causou alguns ferimentos, pelo que o tal tio foi preso ao aterrar e condenado a uns quantos meses de cadeia. Antes de julgarem o senhor, fiquem com mais um facto: muitos anos mais tarde, já depois do fim do Apartheid, um tal outro senhor chamado Nelson Mandela veio visitar a Nova Zelândia e pediu para conhecer o famoso atirador de farinha, para lhe agradecer por ter visto o que estava errado e ter lutado contra isso. Uma vez mais fica provado que vale a pena lutar pelo que se acredita, mesmo que isso tenha más consequências!
Uma outra personagem na família da Flea (que não teve implicações políticas tão grandes como o tio, mas nem por isso é menos interessante) é a avó dela. Esta senhora, que tem uns 90 anos, parece que tem uma mente super jovem e adora ser o centro das atenções, dispondo-se, por exemplo, à dança (que parece que gosta imenso). Há alguns anos atrás, uma banda norte-americana chamada Good Charlotte (algo conhecida, passa na MTV e tudo) estava na Nova Zelândia a filmar um clip para uma das suas músicas. Queriam uma senhora idosa, fizeram audições e adivinhem lá quem ganhou? A avó da Flee! Pois é, se virem o clip da "Boys and Girls" desta banda, parece que no final o herói da história acorda na cama, meio desorientado e espantado porque parece ter dormido com alguém, que se revela ser uma senhor idosa... Lá está a avó da Flea! História engraçada, não? Parece ainda que alguns anos depois, ao estarem de volta a este país, a banda pagou tudo para que a senhora fosse ter com eles para um pouco de fiesta! Uma famíla curiosa, no mínimo...
Voltando a casa da Flea, esta (como não pudia deixar de ser) é algo diferente: foi por lá que ela cresceu e fica num vale partilhado por 8 famílas que na altura usavam a terra comunalmente, estilo "é de todos" e paraíso comunista. Nada de carros nem nada disso, é tudo hippie e etc. Hoje em dia a maioria já ganhou juízo e já vive "civilizadamente", fora alguns, e é por aqui que a Flea construíu a sua casa (digo, está a construir a casa, já que ainda não tem casa de banho). O quarto dela, uma vez mais, é muito original: ela comprou um dos autocarros originais da Kiwi Experience e transformou-o em quarto! Pois é, esta relíquia está agora no seu local de repouso eterno e tem por dentro uma casa e uns armários. No mínimo original!
Lá estivemos então em casa dela, com muitas deliciosas panquecas, café, torradas, salsinhas, ovos, tudo o que se pode desejar num óptimo pequeno-almoço. Mais uma vez, todos alegremente a ajudar e à conversa. Felizmente somos um grupo pequeno (só 13 pessoas, sendo que no verão - época alta - o mesmo grupo poderia ser de umas 70 ou 80 pessoas), o que permite estas convivências mais calmas.
Deixando o vale leninista para trás, fomos então em direcção a Rotorua, parando em Matamata, conhecida por Hobbiton. É nesta pequena terra que o cenário de Hobbitton do Senhor dos Anéis se encontra, e é possível visitar o mesmo. Infelizmente, e por falta de tempo, não fomos lá, mas eu ainda hei-de ir, quero ver uma toca de hobbit!!
Houve ainda tempo para fazer uma pequena caminhada bastante bonita, num vale com um rio no meio, onde antigamente existiam imensas minas de extração de ouro (senão me engano). Fomos então caminhando em grupo, sobre uma pequena ponte suspensa e depois de uma pequena subida, chegámos à encosta que ia dar ao rio lá em baixo. Fomos andando nos antigos carris que os mineiros usavam para transportar o ouro das minas para a estrada, sendo que em partes (por vezes bastante grandes) o "caminho-de-ferro" nos levava para dentro de túneis escavados na rocha, alguns destes bastante escuros. Por lá vi as minhas primeiras glow-worms! De tradução directa "minhocas que brilham", tratam-se de uns pequenos bichos que existem nestes lados e que, na escuridão, emitem uma pequena luz verde. Mas sobre as glow worms já falo mais tarde...
A caminhada foi bastante bonita, o vale em si, com bastante vegetação e algumas escarpas a descerem até ao rio dava um aspecto muito bonito à coisa toda. Com o grupo cheio de pressa, e outros 3 acabámos por nos separar do mesmo (ao demorar mais tempo a apreciar a vista) e andámos meios perdidos (fomos até na direcção errada), sendo que no final acabámos por apenas chegar 10 minutos depois do pelotão. Esta malta não sabe apreciar, anda sempre a correr!
Seguimos então viagem e, chegados a Rotorua (que, decido a muita actividade termal e vulcânica na área, cheia a ovos podres), brincámos  um pouco na piscina (aquecida!) do hostel antes de irmos para o evento cultural do dia: um hangi (palavra Maori para festejo, ou festa, banquete, ou algo do género). Fomos então largados numa pequena área florestal que (ainda) pertence a verdadeiros Maori (ou os seus descendentes, entretanto já "civilizados" e falantes de inglês). Amontoámo-nos todos na entrada e preparámo-nos para a cerimónia de "boas vindas". Uso aspas porque, sendo feito à semelhança de como era nos tempos antigos, não é assim tao de boas vindas, mais de desafio. Basicamente, vários guerreiros Maori foram saindo de dentro da parte principal da aldeira, vestidos a rigor. Havia então que determinar as nossas intenções, pelo que os guerreiros começaram então com gestos bruscos, danças um pouco ao estilo do Haka e com palavras em Maori (que soavam rudes). O alvo dos "insultos" era o líder do nosso grupo, um alemão escolhido no autocarro. Ele tinha então que ficar imóvel e, mais importante ainda, não se rir (algumas partes da dançar são algo engraçadas e talvez dessem vontade de rir, mas segundo a Flea, houve um jovem que se riu uma vez e levou uma bela cabeçada do chefe Maori, que não gostou da piada). Depois de uns bons 10 minutos e de provocações por parte dos guerreiros, o chefe Maori desceu então para ao pé do nosso líder e ofereceu um pequeno ramo de uma árvore típica de cá (se não me engano, a que aparece no símbolo dos All Black, em inglês, um "fern"). Ao aceitar o ramo, o nosso líder reconhece então que vimos em paz, e somos então todos finalmente convidados a entrar na aldeia. Antes disso, no entanto, o chefe Maori e o nosso líder trocam o cumprimento Maori: tocam 2 vezes nariz com nariz, estilo "beijo esquimó", mas que por cá significa apenas "Olá". Bonito, hein?
Lá fomos então entrando na aldeia onde existiam várias casas, cada uma com um Maori (ou uma Maoria?) vestido a rigor que falava um pouco sobre uma certa área da cultura deles. Primeiro ouvimos do "carpinteiro", que no caso dos Maori significa quem faz aquelas esculturas que eu acho simplesmente espectaculares. Aquelas que já vimos por aqui, com línguas de fora etc, que antigamente demoravam imenso tempo a fazer. As casas deles, por exemplo, costumam ter 2 grandes pedaços de madeira, estilo arco, na entrada das mesmas, que são trabalhos em forma de escultura. Parece que antigamente, para fazer uma única casa, se demorava uns 15 anos! Depois dos ingleses chegarem e introduzirem o metal, hoje em dia eles demoram apenas um mês...
Lá conversámos um pouco com este Maori, que explicou também que hoje em dia eles estão ocupados a ensinar às crianças sobre esta arte, de modo a mantê-la viva, o que eu acho muito interessante. Aparentemente, foi só há uns 30 anos que a Nova Zelândia aceitou a sua cultura Maori: antes disso, as crianças Maori eram fisicamente castigadas se falassem a sua língua na escola... Hoje em dia está bastante melhor, e até os Pakeha (neo-zelandeses brancos) são convidados a irem aprender Maori nas Maere (centros comunitários), como o Mike fez, por exemplo.
Nas outras pequenas casas aprendemos ainda como todos os jogos que as crianças Maori eram ensinados a brincar eram sempre vocacionados para a arte da guerra (na qual, como qualquer raça humana, os Maori gostavam de participar). Embora fossem jogos, visavam sempre a melhoria física, quer em destreza, velocidade de braços ou força de pernas, de forma a formar melhor guerreiros. Fomos então convidados a executar um pequeno desafio se quissésemos uma foto com um guerreiro Maori, que eu felizmente ultrapassei (algo desastrosamente, no entanto) e pude então tirar esta bela foto, muito fotogénica e com certeza para ir para o album de família!
Finalmente fomos chamados para o jantar, mas não sem antes irmos ver como é que os Hangi Maori eram normalmente cozinhados (e como o nosso jantar havia também sido cozinhado). Basicamente, eles cavavam um buraco no chão onde punham rochas a escaldar (parece que as aqueciam com fogo e não eram de origem vulcânica, como eu pensava), deitavam um pouco de água para criar vapor e punham a comida por cima, tapando tupo com panos e terra. Algumas horas depois, maravilha, o jantar está servido. E que maravilha de jantar... Pagámos bastante pela noite toda, mas o jantar (estilo buffet, com toda a comida que se queira à disposição) era uma delícia: galinha, cabrito (acho eu), com dois tipos de batatas a acompanhar (incluindo Kumara, a batata doce que os Maori trouxeram da Polinésia quando aterraram por cá), uns quantos vegetais e uma mistela que era óptima. Fora isto, havia ainda postas de peixe e um estilo de conquilhas/mexilões enormes com um belo molho a acompanhar. Estava mesmo uma delícia, não consigo explicar! Tudo cozinhado de forma tradicional, como disse, pelo que tinha um pouco daquele sabor de "fumo" ou das rochas, que eu achei excelente. As batatas, a Kumara em especial, eram simplesmente maravilhosas... De fazer crescer água na boca! E no fim, mesmo estando cheio, houve ainda espaço para a sobremesa, um óptimo doce que tanto os neo-zelandeses como os australianos dizem que inventaram e que se chama Pavlova, a juntar-se a umas fatias de um bolo, uma vez mais cozinhado debaixo da terrra... Maravilha!!
Pelo jantar, além de estar à conversa com a malta que tinha vindo comigo, acabei por falar bastante com um dos condutores, um senhor de uns 50 anos que se revelou óptima companhia. Também ele Maori (embora não vestido a rigor), falámos então de viajar, sendo que foi mais uma das pessoas que me disse que só faço é bem em vir viajar. Ensinou-me também um pouco de Maori, como a palavra Pumarié (que significa "boa noite"). Não me lembro de muito mais do que falámos, mas sei que gostei bastante da companhia, que é o que importa!
Próximo destino: Waitomo. Trata-se de uma pequena aldeia (quando eu digo pequena, é mesmo pequena - como ouvi alguém contar em jeito de piada, "se olharem para a esquerda vêem... o lado esquerdo da aldeia, e se olharem para a direita, o lado direito da aldeia!"), que não seria nada de especial não fosse o facto de estar rodeada de umas quantas centenas de grutas, túneis, buracos,rios subeterrâneos e coisas do género. Devido a este facto, é então uma paragem popular com gente mochileira e com sentido de aventura, já que a principal atracção é, adivinhem lá: andar a passear, meio dentro meio fora de água, pelas grutas durante umas quantas horas!
Meti-me então no que se revelou uma actividade simplesmente espectacular, das melhores que já fiz, embora não recomendada a claustrofóbicos (nada mesmo). Antes de mais, equipámo-nos a rigor com umas calças e casaco (estilo de mergulho), de material bastante grosso, juntamente com uma camisa interior de material "aquecedor", umas meias de mergulho (grossas e impermeáveis), umas botas de plástico e um capacete com uma pequena luz acoplada. À conversa com os 2 guias para a aventura, fomos então levados até à entrada da gruta, onde praticámos um pouco no exterior a arte do rappel (que por cá se chama abseiling), ou seja, como descer semi-agarrado a uma corda, e como fazê-lo de maneira segura. Aprendemos então como fazer isto, praticámos um pouco numas cordas lá fora e chegou então a hora de iniciar a aventura... E existirá melhor maneira de entrar numa gruta do que através de um buraco vertical de uns 70 metros de altura??? Claro que não! Pois é, depois de uns 3 ou 4 metros de um buraco bastante largo, ainda com visibilidade para o exterior, chegou o primeiro teste à claustrofobia dos participantes (ie. eu e os outros): o buraco de repente encolhe até permitir pouco mais do que a passagem de um adulto de peso normal! Pois é, eu que sempre achei que sofria de um pequeno medo de espaços fechados, no que toca a grutas túneis etc, aprendi que afinal não tenho medo, porque senão não me teria nunca metido naquela buraco... Sinceramente, acho que uma pessoa mais gorda não cabia naquele pequeno túnel! Um dos americanos que foi comigo é um pouco mais "forte" (adoro este eufenismo) e pesa 100kg e eu na altura lembro-me de pensar "como é que o Nick coube aqui??".
Depois de uns bons 2 metros deste espaço apertadíssimo, e descendo ao meu ritmo (é o próprio participante que vai controlando a descida, dando mais ou menos corda), cheguei então à zona principal do buraco, os tais 50 ou 60 metros na vertical até ao chão. Adorei esta parte! Foi a primeira experiência deste tipo, mal tinha acabado de me meter à aventura e já estava sozinho, num buraco, a umas quantas dezenas do chão e em controlo da minhas descida!! Fui então descendo, não muito fluidamente, enquanto aproveitava a "vista" (ou seja, as paredes rochosas à volta) e tentando alguns pequenos saltos, que sendo um principiante, não foram fizeram da descida a coisa mais confortável do mundo... Mas que diversão que é!! Vão-me ouvir dizer isto muitas vezes no próximos parágrafos, porque foi de facto algo espectacular!
Chegado então seguramente ao chão, juntei-me ao resto do grupo e fomos andando pelas cavernas, apenas com as luzes do capacete a iluminar o caminho. O guia ia entretanto falando um pouco sobre o que por lá vimos, como alguns fósseis bastante interessantes de estilo caracois pré-históricos.
Depois de alguns minutos a andar, chegámos à próxima secção aventurosa. Esta era simples, já que o participante (eu!) não tem que fazer nada, apenas manter-se agarrado a uma corda... Enquanto desce, a alta velocidade, em escuridão absoluta! Pois é, seguramente agarrados à corda, lá seguimos bastante rápido uns 30 metros no escuro até ao outro lado, onde estava o resto da malta. Nada mau!
Caminhando um pouco mais pelas grutas, chegámos à primeira secção "molhada". Foram-nos dados uns pequenos pneus insufláveis e toca a saltar para dentro de um pequeno rio subterrâneo! Maravilha, não fosse a água estar gelada!! Felizmente os fatos fizeram o seu trabalho e manteram-nos quentes, se bem que as mãos (sem luvas) ficaram meio frias...
Lá fomos então deslizando pela água, nas nossas bóias, a apreciar a vista destes túneis subterrâneos e à boleia da pequena corrente do rio. Algures pelo meio parámos para descansar e, maravilhosa ideia, os guias deram-nos chocolate quente e uns bolos, para aquecer e dar energia (que bem precisávamos). De volta às bóias, desta vez fizemos algo simplesmente espectacular: metemo-nos todos em "fila indiana", cada um comas pernas esticadas para a frente para que o membro seguinte as agarrar e formámos deste modo um pequeno comboio de bóias. O guia ia à frente, a puxar o mesmo túnel abaixo, e pouco depois de começar pediu-nos que desligássemos as nossas luzes, sendo que ele fez o mesmo. Lá fomos deslizando no escuro, e não há palavras para descrever a beleza do sítio... De repente começámos a notar algumas luzes verdes no tecto, pequenos pontos onde as minhocas estavam... Nada de mais, ao início, mas enquanto íamos descendo, começaram a aparecer mais e mais luzes, até que entrámos numa gruta bastante grande, devia ter uns 7 ou metros de altura e largura, onde centenas e centenas de minhocas iluminavam a escuridão com um verde maravilhoso, de maneira a que dava até para ver o caminho à frente (que calculo seja como o guia sabia o caminho). Mas que espectáculo, mesmo! Lindo, lindo, o verde a iluminar, o único som vindo do movimento da água, tudo em silêncio a contemplar a beleza do sítio... Como calculam, impossível de fazer fotografias, por isso urgo-vos que venham à Nova Zelândia ver este espectáculo da natureza!!
Mas a aventura não estava nem sequer a meio... Agarrados à bóia, mas por agora sem as usar para boiar, fomos andando rio acima, com água pela cintura, agarrados às paredes rochosas e a tentar adivinhar o formato do chão (que não conseguíamos ver, a água era bastante turva). Depois de algumas quedas na água gelada, chegámos então a nova secção de descanso, onde ganhámos sumo quentinho e chocolate. Não sem antes deslizarmos num pequeno escorrega natural!
Voltámos aos túneis: primeiro tivemos que superar o "labirinto": o códido era "esquerda, esquerda, direita, esquerda". Seguindo estas direcções voltámos ao início, mas não sem antes andarmos de gatas nuns buracos onda cabia pouco mais do que um corpo humano de gatas!
Sempre em andamento, tivemos uma secções simplesmente espectaculares. Eu vou tentar explicar e vocês tentem imaginar: água pela cintura e de repente o tecto desce até à altura da barriga... O que significa isto? Significa, digo-vos eu, andar de gatas, totalmente imerso em água, e com um espaço entre a água e o tecto de uns 40 centímetros, pouco mais do que o suficiente para manter a cabeça fora de água!! E metros e metros disto, sendo que lembro-me de uma secção em particular onde a parte fora de água era apenas um pouco mais larga do que a minha cabeça, ou seja, a única coisa que cabia fora de água era mesmo a cabeça!! Nada recomendado a claustrofóbicos, como disse, mas que espectáculo!
Contornando túneis apertados, com muita água à mistura, chegámos a uma das secções de mais me espantou. Parecia simples, tínhamos que nos meter num buraco talvez um pouco mais pequeno que os anterioes. A água não tinha um nível muito elevado, ia apenas até aos joelhos, mas o buraco tinha altura da barriga e uma largura de pouco mais que os ombros, pelo que tivemos que nos abaixar para meter neste buraco. Depois de uns metros, e de repente sem nada que o fizesse esperar, que espectáculo: o buraco abriu e estava detrás de uma cascata, que largava imensa e imensa água ali meso à minha frente!! Não era muito grande, parecia só ter uns 2 metros de altura, mas ver esto cascata da parte de trás, depois de enfrentar o tal buraco, foi um espectáculo!
E como não podia deixar de ser, para a aventura ser merecedora dste nome, adivinhem o que fizemos a seguir: escalar a cascata! contornada a mesma, e com alguma ajuda dos guias, lá fui então usando as paredes da cascata (e até o tecto, que como sempre não está muito longe da cabeça - daí o capacete) para trepar a mesmo, isto enquanto a água ia passando a alta velocidade em baixo de mim... Adrelina ao máximo!!
Conquistada a cascata, houve mais túneis apertados, um pouco de caminhadas pelo rio e mais outra cascata, até que finalmente emergimos de um buraco minúsculo (olhando para trás, não podia acreditar que tinha saído dali!) para o exterior, contentes por estarmos vivos!!
Mas, claro está, não ficámos por aqui... Uma vez que estávamos uma hora adiantados, os guias deram-nos a escolha entre ir brincar com os pneus, fazer uns saltos e umas fotos etc, ou ir a uma outra secção de cavernas, sendo que esta, devido à grande quantidade de chuva que tem caído, estava com mais água do que o habitual e poderia ser até perigosa... Como não podia deixar de ser, os aventureiros escolheram a segunda hipótese... E, mais uma vez como não podia deixar de ser, foi um espectáculo! Parece que o nível máximo de água permitido para levar malta inexperiente como nós naquela secção em particular é de 60 centímetros, sendo que quanto lá chegámos estava nos 65 centímetros... Mas os guias, malta porreira, e ao ver que tínhamos feito as outras secções sem grandes problemas e/ou demoras, decidiram confiar em nós, e lá fomos à aventura... Posso dizer que o nível de água era de facto maior do que o habitual, com longas secções de túnel com os tais 40 centímetros de altura, apenas para a cabeça. A melhor parte, no entanto, foi quando chegámos a uma pequena cascata, de uns 2 ou 3 metros de altura, nada de especial não fosse a água, que estando a um nível tão alto como estava, tinha bastante força e dava à cascata um aspecto algo temível... Como ultrapassar este obstáculo? Simples: meter-se dentro do pneus e saltar! Foi então o que fiz, mas como a força da água era bastante grande não consegui achar uma boa base para o salto e mandei-me mais ou menos na direcção errada... Acabei "empanado" entre a cascata e a parede de lado, com a água a cair à minha esquerda, com bastante força, e a empurrar-me para a direita, onde a parede em frente me manteve preso. Até se estava bem, não estava em perigo nem coisa do género, mas de facto depois de alguns segundos comecei a pensar que se calhar não devia estar ali. Mal tive tempo para pensar como haveria de sair dali, já que o bendito guia tinha entretanto saltado e puxou-me para a parte principal, onde a água me empurrou na direcção certa, para junto do resto da malta...
Negociando outros tantos túneis etc, e depois de umas 4 horas debaixo de terra, chegámos finalmente sãos e salvos ao outro lado, desta vez para nos mantermos definitivamente ao ar livre. O guia entretanto, explicou: "nos meus 15 anos por cá, é a terceira vez que faço esta secção com tanta água. Só cá venho de 5 em 5 anos para me relembrar do porquê de não virmos cá mais vezes, e hoje demonstrou isso mesmo". Tivemos então muita sorte de ele confiar em nós e, se bem que talvez um pouco mais arriscado, nunca estivemos em perigo real, já que os guias sabem o que fazem... Muito agradecidos aos guias, voltámos então à civilização e aos banhos quentes, enquanto que na minha cabeça eu imaginava a malta doida que descobriu aqueles caminhos através de grutas e túneis enfiados na terra... Esses sim, eram completamente doidos!!
Partimo então no dia seguinte na direcção de Taupo. Esta cidade, bem no centro da ilha do norte, é bastante conhecida por 2 coisas: tem o maior lado da Nova Zelândia e tem o sky-diving mais barato por estes lados! Fomos então largados no hostel por 2 dias (normalmente o autocarro parte logo no dia seguinte, mas neste caso, como é um sítio com bastante para fazer, é dado um dia de "folga" aos mochileiros). Uma vez que já fiz sky-diving na Austrália, pouco depois de ter chegado fui para um outro estilo de aventura, talvez ainda com um pouco mais de adrelina do que saltar de um avião: bungy jumping!! Pois é, consegui finalmente fazê-lo e adorei!! Para dizer a verdade, já tinha feito no dia anterior em Rotorua, pelo que em Taupo foi a segunda vez, mas vamos só falar desta última: foi um espectáculo! O sítio de onde se salta é lindo, é uma pequena estrutura construída para o efeito, que está suspensa num penhasco a 47 metros de altura, e com um rio por baixo, de cor verde. A estrutura em si é pouco mais do que uma pequena ponte sem fim, e embora pareca pouca segura, sucede em manter as pessoas no ar (pelo menos até estas se atirarem voluntariamente de lá para baixo!).
Depois de pagar, ser pesado, equipado, re-pesado, verificado o equipmamento, re-verificado o equipamente (tudo muito seguro, a malta via-se que sabia o que estava a fazer), aproximei-me finalmente do fim da ponte sem fim. Por esta altura apercebi-me de duas coisas: porra, 47 metros são altas como c*****o!! Desculpe-me a expressão, mas sabendo eu que existe um bungy em queenstown, na ilha do sul, com uns 160 metros de altura (que eu, já agora, tenciono fazer), nunca imaginei que algo "só" com 47 metros (1/3 da altura) fosse tão alto!! É muito giro ver de fora, mas chegando lá, aquilo impressiona! Ignorando o raio da altura, aproximei-me então da zona de onde se salta, por esta altura já sem as cordas de segurança a agarrarem-me. Foi aqui que me apercebi-me da segunda coisa: porra, a corda está a puxar-me para baixo e os meus pés estão a escorregar sem eu controlar a queda, deixa-me lá agarrar a qualquer coisa!! (isto na verdade aconteceu no salto de Rotorua, mas decidi incluir o episódio aqui - é uma daquelas coisas que se viere de um escritor a sério tem o nome de "figura de estilo" e se for alguém como eu se chama mentir). Finalmente recomposto do susto e, com a ajuda do tipo das cordas, de volta a uma posição estável e vertical (a ideia é saltar e não escorregar - não fica bem na foto), preparei-me então para o salto. Costuma dizer-me que não se deve olhar para baixo, mas claro que o fiz - e rapidamente voltei a olhar para a frente! Como referi, as alturas ganham um significado diferente quando se está, por exemplo, numa varanda (calculo que 47 metros equivalam a uns 10 andares? nada de mais), do que quando se está a preparar para saltar dessa mesma altura (mesmo que sem qualquer vontade de deixar este mundo cruel - embora algumas pessoas possam pensar isso mesmo de quem quer que seja que se prepare para saltar dali).
Chegou então a Hora H. O senhor das cordas (que na verdade se chama mestre dos saltos, do inglês "jump-master") tem aqui um trabalho fundamental já que (como li no livro do AJ Hacket, o primeiro maluco a saltar de uma ponte com um corda agarrado aos pés e que por acaso é neo-zelandês - daí a razão deste país ser o berço do bungy jumping) tem a função de perceber o quanto o saltador está nervoso, e de o acalmar, conversando com ele, perguntando de onde é, etc. É também este senhor que convence a malta que não quer saltar a fazê-lo, de vez em quando empurrando-os! (OK, mentira, eles prometem que não empurram - mas também não devolvem o dinheiro a quem não saltar). No caso do momeno anterior ao salta, o jump-master ajuda o saltador com uma pequena contagem decrescente.
3, 2, 1... Porra, claro que vou saltar à primeira, tal e qual como da última vez que saltei de uma ponte!! O Moreira que o diga, não há tempo para hesitações nem nada, quando a contagem chega ao fim há-que... SALTAR!! Foi então o que fiz, um pouco a medo (lembro-me do vídeo da ponte mostrar eu a saltar muito determinantemente, enquanto que aqui foi um salto mais discreto), mas saltei!! E wowwwww, que sensação espectacular! Demora apenas uns quantos segundos até a corda está esticada, mas é um espectáculo!! Acabei por não comprar o vídeio (por razões que explico daqui a nada), mas posso dizer que nele se ouviria certamente eu a rir uma gargalhada parva que eu faço sempre que estou com a adrelina em alta (se desse para ouvir no vídeo do sky-diving, lá estaria esta gargalhada). A corda, para dizer a verdade (e felizmente!) é um elástico, e vai deste modo esticando e reduzindo a velocidade da queda, até ao ponto em que começa a encolher e o saltante é atirado para cima... Mas antes disso, no ponto mais baixo, foi onde o jump-master me falhou: ainda na plataforma, ele tinha-me perguntado se queria tocar na água, e claro que a resposta foi positiva! Infelizmente o senhor calculou mal a coisa e acabei a um metro da água, sem hipótese de lhe tocar... É uma pena mesmo, porque como conseguem imaginar, tocar no "chão" depois de cair 47 metros adicionar uma nova dimensão à coisa, ver o chão a aproximar-se até dar para tocar há-de ser um espectáculo!! O senhor falhou-me então, provando que afinal não era um jump-master assim tão bom (o AJ Hacket diz. em jeito de piada. que um bom jump-master pergunta a quem salta com que dedo quer tocar na água...). Foi uma pena, mas não deixou de ser uma bela queda!!
E depois da queda, há-que se levantar, não é? Neste caso, como referi, se a queda esticou o elástico até ao máximo, este vai lutar para ser recolhido, ou seja... Lá fui eu a voar pelos ares, subindo e subindo! Nesta parte perde-se um pouco a noção das coisas, mas posso dizer que devo ter subido apenas a metade da altura inicial, ou seja, sem hipótese de acertar na plataforma. E depoi de voltar a subir, há aquele momento genial em que uma pessoa é tipo um projéctil, e pode-se sentir a velocidade se subida a reduzir e a reduzir até chegar ao zero e... Se começar a descer!! Genial!!
Depois de mais umas quantas descidas e subidas, parei finalmente, suspenso no ar pelos pés, cabeça para baixo e ainda com a tal gargalhada idiota a escapar daminha garganta. Fui então lentamente descido até um pequeno barco que me recolheu, desprendeu da corda e me trouxe, são e salvo, de volta à costa, pronto a partilhar com a malta a última aventura.
Deixem-me que vos recomende, desde já, esta espectacular aventura!! É seguríssima, quando feita por quem sabem. No final de contas, é só física e matemática, o que permite que tudo seja calculado até ao milímetro, sendo que a única variável desconhecida é de facto a maneira como a pessoa vai saltar que, embora não tenha uma influência enorme é sempre tida em conta. Na verdade, um bom jump-master consegue sempre ter uma ideia desta variável, já que pode prever um salto para a frente de uma pessoa confiante, enquanto que uma pessoa muito nervosa irá provavelmente fazer uma queda quase vertical, sem saltar horizontalmente para a frente.
E aqui ficam dois factos interessantes: a pessoa mais jovem de sempre a fazer bungy jumping foi uma menina de 4 anos (o facto de ser a filha do AJ, o inventor da coisa, não é digno de referência) e o mais velho em Taupo (onde eu saltei) tinha 87 anos. De que estão à espera??
E com estas aventuras espectaculares deixo-vos por hoje. Espero sinceramente que tenham gostado da leitura e vos tenha inspirado a desfiarem os limites, fugir do ordinário e tentarem coisas novas e arriscadas, se bem que sempre dentro dos limites do razoável. Acreditem, irão gostar de superar o desafio!!
Cheguei entretando a onde vou trablahar a troco de alojamento nos meses de inverno, um hostel ao pé do Mt Ruapehu, o enorme vulcão no meio da ilha do sul. Acho que fiz uma óptima escolha, o meu chefe parece um tipo super porreiro, tenho o filho dele de 18 anos para companhia, e é tudo malta do snowboard por aqui. A Nova Zelândia teve o pior início de inverno dos últimos 50 anos, mas ontem nevou finalmente na montanha e com sorte daqui a uma semana no máximo as estâncias vão abrir. Eu já estou preparadíssimo, com a minha nova prancha, e vou alongando os músculos para a longa época! Entretanto há muito que fazer por estes lados! Ou ainda não referi que aqui no hostel temos um enorme armazém onde se joga paintball, incluindo à noite?? E que tal o mini half-pipe de skate que eles acabaram de comprar? Parece que para a semana vai também ser instalada uma sauna... Neste fim-de-semana, entretanto, vai-se dar uma enorme festa de início de época aqui por estes lados, apelidade de Mardi Gras. E parece que vou ter boleia para lá e entrada à borla. Digam-me: descobri uma mina de ouro ou quê?!
Nota final: para os invejam as minhas aventuras, posso dizer que, enquanto vocês estão todos em praias, 30 e tal graus etc, eu passo (bastante) frio. Não se pode ter tudo!
Cumprimentos do vosso Daniel!

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Comments

tia Nokas on

Então porque é que não compraste o vídeo? Já revi o texto, e não consigo encontrar a explicação...

blink0
blink0 on

Do bungee jumping? Porque não toquei na agua, assim nao vale a pena... Vou la voltar e tocar na agua, e aí sim, compro o video! :D

mamã on

Então e onde é que está o tal video?

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