Newcastle, Sydney, Montanhas a abraços gratuitos

Trip Start Jan 15, 2011
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Trip End Dec 24, 2011


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Flag of Australia  , New South Wales,
Friday, February 25, 2011

Ola ola!

Pois e, a vida de viajante e complicada e nem sempre da para ir dando noticias... Mas vamos por partes!

Depois de uma curta passagem por Sydney, fui entao para Newcastle! Tive uma primeira noite calma, ficámos por casa a ver TV etc. No dia a seguir aproveitámos o solzinho e fomos (eu, o Jason e o irmão dele - o Aaron) ver as praias de Newcastle. Digo "as praias" (plural) porque vimos 2: por alguma razão eles não ficaram contentes com a primeira praia (com o nome de "Newcastle Beach") e decidiram ir a uma que supostamente é melhor e que se chama "Nobbys Beach". Fomos então lá, a praia era engraçada e tal, mas o mais engraçado foram os monstros marinhos que por lá andavam! Pois é, formas de vida vegetais (conhecidas como "algas" no meio) ocupavam os primeiros, digamos, 20 metros da praia. E quando eu digo "as algas ocuparam", acho que não consimo transmitir a densidade de coisas verdes por metro cúbico: era uma coisa mesmo arrepiante, algas que arranhavam e tantas, mas tantas, que metia bastante impressão... Tivemos o discernimento de nadar para a zona onde não havia mais algas, mas claro que tivemos que apanhar umas ondas (bodysurfing é tão divertido), o que nos levava com alguma velocidade pela zona das algas... E acreditem, não é nada bom! Enfim, depois de 1 ou 2 horas na praia tivemos que ir embora (o Jason ia trabalhar e o Aaron não queria ficar), pelo que voltámos a casa onde fiquei a matar russos (e brasileiros, por acaso) num jogo de consola, com o Aaron.

Ao final da tarde chegou então a Anna (a minha outra amiga do Couchsurfing) com outras 2 amigas australianas e 2 argentinas, umas das quais se vai casar com um australiano. Comemos umas pizzas e tal e eles partiram todos para um espectáculo de comédia (eu não me quis juntar), enquanto que eu fiquei com o Aaron e a namorada dele (a Rachel), mais uma vez aos tiros hehe.

Aproveitámos então o sol novamente no sábado e fomos todos para a praia (uma nova), onde se estava bastante bem, com boas ondas para bodysurfar, mar limpo e muita animação! Infelizmente não achei pranchas de surf para alugar, pelo que a minha profissionalização teve que esperar... À noite, uma vez mais, ninguém quis sair... No que toca a noitadas, foi um fim-de-semana muito fraquinho...

Domingo fomos então  ver coisas novas: depois de um óptimo barbeque (não sei se já referi, mas eles têm grelhadores eléctricops gratuitos espalhados por todos os parques do país - e gostam muito de os usar!), com direito a iguarias australianas (ou inventadas pelos meus amigos, não sei bem), fomos a um sitio bastante giro chamado "Bogey Hole". Basicamente é uma área rochosa junto ao mar que, há muitos anos, o governador aqui do sítio decidiu que daria uma boa piscina natural. Arranjou então uns quantos prisioneiros e meteu-os a cavar a rocha. O resultado é uma bela piscina de rocha, junto ao mar, onde se está bastante bem. O mais engraçado da coisa, no entanto, é que as ondas do mar vão batendo na rocha e "saltando" para a piscina (tipo a da Praia Grande, em dias de mar agitado, mas sem uma parede nem nada do género entre o mar e a piscina), o que além de dar um efeito engraçado, dá para uns bons repuchos naturais debaixo dos quais é sempre giro estar. Infelizmente o mar estava calminho quando fomos lá, mas a última vez que os meus amigos lá estiveram, uma onda grande virou a Anna do avesso e removeu metade do bikini dela haha.

Decidi ficar em Newcastle até segunda, já que não tinha hostel (nem sofá) em Sydney, pelo que passei a noite a jogar às cartas com o Jason, Aaron e a Rachel. Começámos com algumas rondas de Shithead (um jogo típico do mundo inglês, ao que parece, que eles me tinham ensinado no verão passado), sendo que depois passámos para um bullshit (em português, desconfio? - é sempre divertido mentir e enganar as pessoas!!) e terminámos em grande com uma suecada!! Pois é, ensinei esta malta do outro lado do mundo o nosso jogo, sendo que ao final de 2 ou 3 jogos já jogavam bastante bem, e por isso gostaram bastante! Parece que têm um jogo parecido, mas o nosso claro, é melhor!

Segunda-feira deu a preguiça pelo que fiquei em casa aos tiros com o Jason, sendo que às 5 da tarde apanhei o comboio de volta a Sydney. Cheguei cá, segui para o hostel e fui bem recebido por gente que se apresenteu com "hoje às 9h30 vamos todos sair à noite"! Óptima maneira de receber backpackers, na minha opinião, e fui então para um bar porreiro com música ao vivo e algumas bebidas (meio aguadas) grátis. Fui então conhecendo malta nova, da Alemanha (como não podia deixar de ser), Inglaterra, Estados Unidos, Itália etc. Nessa noite devo ter ouvido umas 4 vezes que sou o primeiro português que conhecem na Austrália, elevando para algo estilo 20 as vezes que já ouvi isso por cá! Nós, portugueses, conquistadores de meio mundo, reduzidos a um mero cantinho da europa. Pobre Infante Dom Henriques, está certamente às voltas na campa...

Anyway, terça feira juntei-me então à comunidade Couchsurfing que, uma vez mais e já sem qualquer espanto da minha parte, me providenciou com uma óptima experiência e novos amigos. Nesta ocasião fomos então a uma tour da cidade gratuita (organizada por uma empresa de cá, o CS só serviu para nos reunirmos e irmos todos à mesma hora). Lá fomos então, um grupo de uns 10 Couchsurfers (nenhum civil se juntou hehe) passear pela cidade, que é de facto muito interessante e parece ser um espectáculo! A nossa guia mostrou-nos então o Queen Victoria Building (que os sydneysiders - os habitantes de Sydney - gostam de abreviar para QVB - lê-se letra a letra, portanto Qew Vee Bee), um antigo mercado transformado numa galeria com lojas algo "fancy", os túneis que se espalham por debaixo da cidade, também com lojas e a Sydney Tower, conhecida localmente por "Golden Bucket" - o balde de ouro - visto que 1) tem a forma de um balde e é dourada, 2) ao que parece tem um tanque de água enorme no topo para servir de contrapeso. A vista lá de cima parece que é óptima (tenho que ir lá, já que não subi às alturas em Melbourne) e parece que há um bar muito chique no topo, cuja entrada é gratuita (ao contrário da torre em si), mas que tem um dresscode um pouco formal. É pena ter-me esquecido do fato e gravata em Lisboa! Enfim...

A tour lá continuou com muitos factos engraçados, como aquela vez em que Sydney
 recebeu os líderes mundiais num aparato de segurança enorme, sendo que uma equipa de comediantes local conseguiu infiltrar-se e chegar a 100 metros do Bush, com credendiais ao pescoço que diziam claramente "isto é uma credencial falsa". Infelizmente estragaram a farsa quando os supostos seguranças (que seguiam a pé, ao lado da limousine, como manda a tradição) abriram a porta de trás e de lá saiu um Osama Bin Laden, de turbante e tudo... Para quem tiver interessado, podem ver tudo em http://www.youtube.com/watch?v=XuxqFZUW_Ug . Segurança acima de tudo!

Outros factos engraçados foram o hospital que foi 100% financiado com a venda de rum (infelizmente não sobrou nenhum para "curar" os pacientes - que na altura eram todos prisioneiros), o bar onde os prisioneiros iam e onde o dono oferecia muita cerveja gratuita até o prisioneiro em questão desmaiar, sendo que depois usava alçapão junto ao balcão para o enviar para uma estilo de masmorra, onde mais tarde o iam buscar e levar (enquanto dormia) para um barco com destino ao meio de oceano. Quando o prisioneiro acordava estava então rodeado de mar e era obrigado a trabalhar no barco se queria algum dia voltar a terra. Bons velhos tempos! Escusado será dizer que o prisioneiro não podia acusar o dono do bar de nada, porque a palavra de um "convict" valia menos do que a de um homem-livre... Justiça!

Depois de outros tantos factos interessante (a guia era de facto muito cativante) e de uma passagem meio acidentada debaixo da famosa ponte de Sydney (caiu, literalmente, um pedaço metálico da ponte a uns 5 metros de nós - por outro lado, um americano do grupo leva para casa uma óptima recordação!), chegámos então ao fim da tour na Circular Quay, entre a famosa ponte e a casa da Ópera, de onde partem ferries para vários pontos nos arredores da cidade. Escusado será dizer que esta zona da cidade é particularmente bonita, sendo que por essa altura tinha o aditivo de contar com a presença do Queen Elizabeth II, um paquete daqueles gigantes cujos números se contam com os dedos de uma mão. Acabada a tour fomos beber uns copos a um barzito, onde combinámos a aventura do dia seguinte às Blue Mountains.

E que montanhas! Depois de uma viagem de 2 horas chegámos então a Katoomba, onde fomos recebidos por um outro Couchsurfer inglês que está a transformar uma caverna num lugar habitável e onde (mesmo sem sofás) dará as boas-vindas a couchsurfers. Trata-se de gente muito hippie, que não usa calçado e que se calhar precisava de uma banho, mas acolhedora, convidaram-nos logo para passar o tempo que quiséssemos na caverna, o que teria aceitado, não fosse precisar de fazer o check-out do hostel de manhã... Dormir numa caverna deve ser uma experiência engraçada!

De qualquer das maneiras, o Ollie (assim se chama o hippie inglês) levou-nos (a pé descalço) até às Three Sister, uma formação com 3 "torres" de rochas que tem um grande significado para os aborígenes da área. Foi o primeiro contacto com as montanhas em si, e posso dizer que a vista é de facro espectacular! Estava um óptimo , e da plataforma de observação tínhamos uma vista de dezenas de kilómetros de floresta, montanhas, canyons e mais floresta que pintavam um belo quadro.

Mas o melhor estava para vir! Depois de uma pequena viagem, chegámos à estação de comboio de Wentworth Falls disposto a ver as cataratas com esse mesmo nome. Comigo a guiar o grupo (ie. comigo a seguir as placas), achámos então o trilho que leva às cataratas em si. A caminhada, que o Olli dizia que demora tipo 20 minutos, acabou por demorar por volta de uma hora, sendo que não custa nada. A paisagem é também muito bonita, sempre ao longo de um pequeno riacho que por vezes tem laguinhos, pequenas cataratas e cavernas (não habitadas). Vejam as fotos! Ao longo do trilho adorei especialmente a árvore onde nos sentámos para tirar as fotos: não dá para ter a noção completa, mas a paisagem ali era de facto maravilhosa! E é preciso referir que a queda da árvore em questão seria de facto muito (muito mesmo) dolorosa, visto que estávamos a vários metros de altura de uma ribanceira bastante íngreme... Felizmente não sofro de vertigens!

Chegámos finalmente ao ponto onde se vê a cascata e que vista... As fotos não lhe fazem justiça nenhuma, a sério. Parece muito bonito na foto? Multipliquem por 50 e estarão perto da beleza da coisa. Basicamente (no ponto de observação) estávamos no topo de um canyon com uma queda de uns 200 ou 300 metros. Daqui via-se a paisagem do vale todo, mais uma vez de uma beleza incrível! É um daqueles momentos que páro para pensar "isto é mesmo lindo, que sorte tenho de estar a ver isto".

A cascata em si, embora espectacular, está meio escondida do percurso pedestre por árvorese a própria parede do vale, pelo que não dá bem para ter a noção... Mas a paisagem à volta compensa por tudo, sem dúvida!

Com um grupo meio separado (por esta altura só estava eu, um alemão, uma romena e uma albanesa - albaniana?) decidimos que tínhamos que aproveitar o belo sol e nos ir meter debaixo da cascata pequena mesmo antes da cascata enorme. E, à la turistas estúpidos, não deixámos que o facto de não termos calções de banho nos impedisse - de boxers e cuecas também se banha! Metemo-nos então debaixo da água da cascata, que estava meio fria (OK, muito fria) mas que soube de fato muito bem! E com duas beldades semi-nuas por perto, a baixa temperatura da água é logo esquecida!

Voltámos à cidade e fomos directos para um concerto de Raggae gratuito algures no cdntro, onde chegámos um pouco atrasados, pelo que só deu para ouvir umas 2 ou 3 músicas...

Quinta-feira juntei-me à malta do hostel (que tinha conhecido quando cheguei e com quem tenho saído à noite, etc) e fomos ver a segunda praia mais famosa de Sydney, a Manly Beach. Para lá chegar é preciso uma viagem de ferry de 30 minutos que é super agradável. A vista na zona do porto é de facto maravilhosa, não só a cidade, a ponte e a casa da ópera, mas todas a casas lindas ao longo da costa deste porto natural, os espaços verdes, o mar etc... É uma viagem que vale a pena, não só pelo destino!

A praia em si também é bastante agradável, sendo que a corrente é bastante forte e com ondas bastante grandes, o que é bom para os surfers! Ainda pensei em alugar uma prancha para melhorar a minha arte, mas no dia anterior tinha aleijado um pouco o pé direito (na cascata, coisas de turista estúpido hehe) e decidi que era melhor recuperar para fazer uma entrada em grande!

Voltei mais cedo da praia para uma coisa que aposto que vocês, meus amigos e família, nunca me imaginaram fazer: andar na rua a (literalmente) oferecer abraços grautuitos às pessoas! Pois é, a Anca (a couchsurfer romena que tinha estado nas montanhas) organizou um sessão de Free Hugs, que como o nome indica, não é mais do que juntar um grupo de pessoas (umas 20, no nosso caso) e andar nas ruas (de preferência numa zona bastante movimentada) a oferecer abraços às pessoas que passam!

Pois é, imagino agora a reacção do leitor: "O Daniel a abraçar estranhos?!". Abracei sim, e não foram poucos! Abracei velhos e novos, bonitos e feios, magros e gordos, de todas as raças, idades, sexos e cores. Devo ter abraçado uns 50 estranhos em 2 horas. E posso dizer que adorei a experiência! Algumas das pessoas diziam que não, outras ignoravam, outras estranhavam e depois aceitavam, outras corriam para receber um abraço. Mas posso dizer que recebi alguns dos melhores sorrisos da minha vida! Especialmente de senhoras idosas que me abraçavam como se fosse o neto que nunca liga, ou de gente normal que abraçava com tanta força que parecia que eu era um amigo de infância perdido. As pessoas perguntavam qual era a ocasião e nós respondíamos apenas que estávamos a tentar espalhar alguma alegria do mundo. E posso dizer que atingimos o objectivo em grande. Fizemo-lo e fizemo-lo bem, bastava olhar para as caras das pessoas. Felicidade gratuita!

Deu também para rir bastante com alguns dos acontecimentos ao longo dos abraços gratuitos, como algumas das respostas que recebemos: desde o típico "preferia ser abraçado por ela" para alguém que disse (a uma rapariga bastante atraente, até), que não gostava de ser tocado, aos que diziam que não dão abraços a ninguém. O que mais deu para rir, no entanto, foi quando nos cruzámos com grupos de estudantes universitários! Eles estavam na semana das praxes e estavam todos vestidos com cores berrantes, perucas, coisas do género, vinham sempre em grupos grandes e estavam todos a ir para uma festa qualquer, sendo que tinham que passar pelo nosso grupo para lá chegar... E que abraços!! Esta gente (provavelmente um pouco intoxicada) mal nos via à distância começava a gritar e a correr, sendo que nós respondíamos do mesmo modo. Para um observador externo, parecia uma batalha medieval, com os peões a correrem e a gritarem uns contra os outros, estilo filme. Mas não se viam espadas e, quando os lados opostos se encontravam, em vez de murros e pessoas a morrer, abraçávamo-nos todos com uma intensidade igual à das batalhas de espadas. Éramos por vezes literalmente abalroados por gente que queria abraços! Deu mesmo para rir bastante! Enfim, como disse, um dia que os sydneysiders não irão esquecer tão breve! Há que fazer mais disto :)

E pronto, por agora deixo-vos! Têm aqui de facto muito para ler, muita aventura, diversão e felicidade, e espero que se sintam tão felizes por mim como eu próprio me senti ao fazer estas coisas!!

Cheers,
Daniel

ps: numa nota à parte, os australianos não sabem fazer semáforos. Ao contrário de todos os outros países onde estive até agora, aqui acontece muita vez que está verde para os carros num sentido e vermelho para os peões no mesmo sentido. Calculo que seja para deixar o trânsito automóvel fluir melhor (especialmente no centro), mas acho que merece que me queixe.

pps: qual não foi o meu espanto quando fui a uma bottle shop comprar cerveja e a mais barata que tinham era Cintra?! Pois é, tive que vir para o outro lado do mundo para provar uma cerveja das nossas... E não é que se bebe bem?!

ppps: vocês sabiam que a frase "com um kilo de carne de vaca não se morre de fome" é praticamente idêntica em português e romena?! Pois é, a próxima vez que forem ver o Conde Drácula já podem partilhar este facto com os habitantes locais. As coisas engraçadas que se aprendem quando se viaja! :)
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Comments

Carla Salgado on

Oi filhotinho,
Estou a adorar!
E essa dos abraços, quando chegares, vais só ver!!!
Beijinhos da mamã

Nokas on

Também acho que ele já desmistificou o "abraço"

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