A sair de Samarkand...

Trip Start Aug 01, 2010
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Trip End Aug 19, 2010


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Flag of Uzbekistan  ,
Saturday, August 14, 2010

... zum de besouro, um imã.

A saída de Samarkand vale um post rápido de relato, que cubra os estranhos costumes uzbeques relativos a aeroportos e tributação.

Escolados pelos imprevistos ocorridos em Riga, fomos bastante cedo para o aeroporto de Samarkanda, onde apanharíamos nosso vôo para Moscou. Infelizmente, não deu outra, lá veio confusão.

A prática aeroportuária uzbeque é esquisitíssima, conforme já haviamos visto tanto em Tashkent quanto em Urgench: as pessoas são proibidas de entrarem no prédio! Fica todo mundo barrado do lado de fora. Só entra no aeroporto quem vai viajar. As despedidas chorosas e os tchauzinhos pelo vidro são todos feitos no meio da rua! A própria chegada ao aeroporto é bizarra. O carro vai até a entrada do terreno, e pára. Dali pra frente você que ande, subindo aquela viaduto que leva à área de embarque (geralmente no segundo andar dos aeroportos). Como o negócio era assim, assim fizemos.

Tava tudo seguindo nos conformes. Comparecemos à muvuca acotovelante para despachar nossa bagagem (onde deveria ser uma simples fila), passamos pela muvuca que se acotovela para pegar o cartão de embarque. Tranquilamente, nos acotovelamos na muvuca que vai fazer o primeiro dos próximos trezentos controles de bagagem, passaporte, esquadrão anti-bomba (seria útil um esquadrão anti-suvaco fedido também, mas deixa pra lá). Aí começa a treta (TRETA, mano!). Enfiei minha mochila e a sacola de tapete no raio-X e o Seu Poliça começa a falar pra mim: "jdkjgsk soiun uytur ouyrtiu!!" Já mandei logo o Speak english? O ofendido Dotô Otoridade (ou seria Uztoridade?) responde: I speak uzbek. Quase dei os parabéns pra ele, já que quase ninguém no país fala essa língua (Uau, mandou bem, hem!). Ao custo de muita mímica e da  interferência de outros Uzteridades que dominavam o He-She-It-is entendi que eles queriam um certificado de propriedade do meu tapete, tipo um "Renavam" tecelão, pra eu poder sair do país com ele. A essa altura, o leitor mais esperto já se tocou que é óbvio que eu nunca tinha ouvido falar dessa porcaria, que dirá ter o tal do certificado.

Lá fui eu e mais cinco meganhas para a salinha, pra eles me explicarem isso em uzbeque. Nisso, resolveram que eu tinha que preencher uma guia sei-lá-de-quê lá no meio do saguão acotovelante do aeroporto. Durante esse processo, encosta-se um guardinha ao meu lado, com um intérprete, pra perguntar onde eu tinha comprado o tapete, quanto tinha custado, etc. O cara resolveu que eu podia embarcar, se eu voltasse na loja pra pegar esse papel. Dali a 25 minutos o avião decolaria, respondi que a loja era a 4 horas de carro do aeroporto, em Bukhara, não em Samarkand. Foi nessa hora que acho que ele deu o all-in dele: "Então você vai ter que deixar o tapete aí". Em resposta ao all-in dele eu deu o meu all-vai-se-fewder: "O tapete é meu! Eu paguei e não vou deixar ele aqui nem que o camelo morra de tuberculose". 

Nesse momento, caro leitor, simultaneamente as andorinhas no pantanal levantaram vôo, os elefantes na savana berraram, o céu se abriu, desceu um raio de luz lá do infinito e deu-se o grande milagre de Allah (o qual, inclusive, eu até agora ainda não entendi direito como aconteceu): meu ataque de pelanca ridículo (ao qual qualquer guardinha do Brasil ia responder com um “ah é, santa? então vamos ver”) colou!! Eu não sei se foi a água do poço de Jó, a escadaria do Mausoléu de Samarkand, a pistacheira do Patriarca, a voltinha no túmulo do Daniel da Cova dos Leões, mas o sujeito enfiou o galho dentro! Disse que eu era um convidado do governo uzbeque (!!) e que ia poder sair com os tapetes sem o papel. Na nova revista de emigração um guarda quis abrir a minha bagagem e o outro falou que não precisava, que era pra eu entrar logo! Miracolo!

A mensagem útil desse relato, caro leitor, é a que se segue: caso compre um tapete no Uzbequistão, pergunte sobre o tal certificado, ou peça ajuda superior quando for fazer suas mandingas. No mínimo pra ter mais certeza na hora de dar o seu piti com o guardinha. Menos mal que a coisa se resolveu de um jeito meio inesperado e inexplicável, mas isso não apaga a meia-hora de pentelhação e lenga-lenga a que me sujeitaram. Enfim, coisas do Uzbequistão.
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