Tallin

Trip Start Aug 01, 2010
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Trip End Aug 19, 2010


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Where I stayed

Flag of Estonia  ,
Friday, August 6, 2010

Nunca estive em uma cidade onde me senti tão analfabeto quanto em Tallin, capital da Estonia. Nem mesmo em Pequim, ou na Rússia. Não pense, querido leitor, que eu passe perto de me virar em chinês ou em russo (de jeito nenhum!), mas é que dessas línguas, como a gente não espera nada, qualquer coisa que a gente aprende (e a gente sempre aprende alguma coisa) já serve pra dar uma animada. De estoniano, parente complicado do finlandês, eu não aprendi xongas. O bom desses lugares é que, ao menos, os nativos são conscientes de que é necessário falar um mínimo de inglês.

A chegada em Tallin me fez até considerar que o 'determinismo geográfico' seja uma forma válida de avaliar países... Ou pelo menos ajudou a perdoar os manés que caem no erro de sustentar essa 'tese científica'. Foi só o clima dar uma esquentadinha de leve que, pronto, as pessoas em Tallin já subiram um degrau na escala da avacalhação, comparando com Helsinki, ainda que sigam abaixo de SPb (onde, coerentemente, estava mais quente do que em ambas). Logo na chegada ao porto já tinha neguinho jogando lixo no chão, cantando pneu, não parando o carro na faixa de pedestre (com você em cima ou não), bêbado mexendo com mulher na rua. 

A cidade é mais moderna do que eu esperava, ainda que tenha permanecido tanto tempo atrás da cortina de ferro. A sensação de estar em um país ex-comunista é muito maior em Brasília, nossa Varsóvia do cerrado, do que em Tallin. A cidade conservou seu centro medieval quase intacto, mesmo que dentro dos muros medievais haja um samba-do-criolo-doido de épocas e arquiteturas. Tallin foi também a cidade em que percebi a maior fidelidade entre o mapa e realidade: a cidade era quase do tamanho do desenho! Tudo era mais perto do que a gente imaginava olhando o mapa. Isso resultou que eu cruzei todas as ruas da cidade no mínimo quatro vezes em uma tarde, pelo menos na parte antiga.

A cidade antiga é cheia de restaurantes, bares e galerias de arte. Gostei bastante do primeiro museu em que estive, o mínusculo, mas muito bem cuidado, Museu Estoniano de Arte Aplicada e Design. Havia uma exposição de uma artista local de tapetes, com os croquis e depois os tapetes reais ao lado, mais umas coisas de arte moderna em cristal e âmbar. Minha irmã, aniversariante do dia, ganhou um brinco estiloso da designer preferida da primeira-dama estoniana. A maior parte do artesanato da Estônia é de lã, linho, madeira e âmbar. Apesar de todo a inovação nas artes plásticas, o estilo das roupas de lá não é modernoso. Aliás, lembra um estilo meio andino, o que me deixou com a suspeita de que a Estônia e a Bolívia são primas distantes.

Outro museu de que gostei bastante foi o Museu dos Anos de Ocupação. A Estônia foi ocupada pela URSS em 1940, pelos Nazistas entre 1941 e 1944 e depois pela URSS de novo até 1991. O museu tinha objetos e depoimentos em vídeo sobre esses períodos. Destaque para as enormes estátuas de Lenin e Stalin que, após a queda do comunismo, foram tiradas das praças e ruas principais e postas no museu. No subsolo. Entre o bebedouro e o banheiro. Rancor?

O centro antigo é também o lugar mais "quente" da vida noturna de Tallin, que nos foi descrita como muito animada, mas não sei se eu animei muito, não. Chegamos à noite, André e eu, preparados para ficar em algum lugar até de manhã, tendo rolado até uma descansada preliminar antes. Mas, no auge do verão, em pleno sábado, estava tudo bem meia-boca. Musiquinhas europop, ou R&B (ruim & barulhento) em suadouros com fragrâncias de goiabas podres do campo. Em resumo: gostei da night lá, não. A cidade de dia é mil vezes mais interessante.

Uma das coisas interessantes, mas da qual não fiz parte (infelizmente!) foi o "Pedal Pub". Esse negócio era um tipo de carro alegórico, onde todo mundo pedalava pela cidade tomando chopp sem parar. Bastava o pedestre estar tranquilo numa viela daquelas, que lá vinha uma gritaria e você tinha que se colar no muro correndo pra não ser atropelado pelo pub ambulante, cheio de gente louca dentro. Adorei.

Voltando da cidade velha para o hotel, na zona portuária (sim, meu hotel era uma espelunca),  entramos em uma parte do porto onde os antigos armazéns foram remodelados e viraram um shopping center. As lojas (e o cassino) eram os de sempre, sem menção especial, mas os prédios ficaram belíssimos, misturando a antiguidade das construções com uns “puxadinhos” mais modernosos. Ficou muito bom, na minha amadora opinião. Vejam o slide-show e julguem por si mesmos.

Falando um pouco mais da espelunca onde fiquei: de lá eu não tinha acesso à internet wi-fi. “Grandes merdas”, dirão os mais apressados. Grandes merdas sim, porque a Estônia é o primeiro país do mundo inteiramente coberto por internet banda-larga pública. Tinha internet em posto de gasolina, na rua e até no ônibus internacional que pegamos para a Letônia. Só não tinha no meu quarto de “hotel”. Isso me ofereceu a chance de ficar sentado no corredor pescando a internet onde fosse possível, e testemunhar cenas tragicômicas que só poderiam ser contadas em um blog com acesso restrito e idade mínima. Pelo menos o pessoal do Cerimonial do "hotel" sabia fazer umas dobraduras maneiríssimas (se liga aí João Francisco!). Com a minha toalha fizeram um elefantinho, acho que pode ter sido uma indireta.

Comentário final que eu ia omitir, é que, passeando pela cidade, avistei uma outra peladinha sendo jogada. Fui lá dar aquele confere, com meu ar nojento de superioridade de nativo de superpotência futebolística, quando avisto uma camisa de time de futebol do Brasil. Era do Grêmio. Eu não ia falar nada, pra não colocar azeitona na empada dos outros, mas como à noite vi mais uma camisa do Mengão na rua, posso quebrar esse galho pros gaúchos, afinal tá 2x1. Mengo!! 
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Comments

Luiz Fellipe on

É Pullitzer!

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