Mudanca de humor e templos budistas

Trip Start Oct 01, 2007
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Trip End Ongoing


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Flag of India  , Uttar Pradesh,
Friday, March 12, 2010




A mudanca de humor demorou, mas veio. Talvez tenha sido pelas boas noticias ou eventos, talvez pelo simples fato de que o tempo traz alivio para muitas de nossas perdas, desde que tenhamos paciencia. Mas vou me ater a sequencia dos fatos.

Apos um dia de recuperacao fisica e mental, onde fiquei o tempo todo na pousada, eu estava me sentidno consideravelmente melhor. Tenho certeza que um dos fatores que mais influenciou a minha paz de espirito foi o livro que eu estava lendo. Sim, passei o dia na pousada, mas nao fiquei o tempo todo sem fazer nada, mas sim lendo um livro escrito sobre o Dalai Lama (com co-autoria do proprio), chamado "A sabedoria do perdao". Incrivel como apesar de viver toda a vida como um monge, isso eh, consideravelmente isolado da "nossa sociedade", o Dalai Lama pode ter tanto para ensinar sobre nos mesmos. Ou talvez seja o contrario? Talvez por ter passado todo esse tempo em isolamento e meditacao ele tenha chegado a tantas conclusoes sobre nos, seres humanos. De uma forma ou de outra, as palavras deste homem me trouxeram muito da tranquilidade que eu estava procurando.

O mais interessante pra mim foi que muitas historias que se passavam no livro eram em lugares que estavam ao meu redor, como a cidade de Bodh Gaya que eu havia visitado apenas alguns dias atras. O fato de ter visitado e visto um lugar onde se passa uma historia torna, para mim, uma leitura muito mais interessante, muito mais real ou "palpavel". Foi interessante ler que a estatua do Buda, coberta em ouro, que tanto me impressionou ha alguns dias, havia sido recoberta de ouro apenas alguns anos atras a pedido do (em com a doacao feita pelo) Dalai Lama, que havia ficado triste com uma rachadura visivel na estatua do criador da sua religiao.

Me sentindo mais animado resolvi seguir para outro destino que ja estava nos meus planos ainda antes de ter lido sobre ele nas historias do lider espiritual Tibetano, chamdo Sarnath.

As noticias boas chegaram ainda no caminho para esta cidade, quando, de passagem pela estacao de trem, consegui trocar meu bilhete de trem. No ticket anterior eu estava em "lista de espera", o que significa que eu poderia viajar, mas teria que passar as 17 horas contando com a sorte para ter um lugar para sentar, uma possobilidade que nem de longe me agradava.

A verdade eh que se fosse para escrever todos os pensamentos que tive sobre os trens na India, seriam escritos muitos mais capitulos para esta minha historia. No momento, digo, naquele momento, enquanto eu estava, de passagem, na estacao de trem, e quando consegui trocar meu bilhete na "lista de espera", por um com um numero de uma cama reservada para mim, fiquei contente em saber que teria uma historia a menos sobre "como eh dificil viajar nos trens indianos". Essa foi uma das poucas situacoes que me lembro de ter ficado feliz por ter uma historia a menos pra contar.

Seguindo a "sorte", ou talvez melhor dizer, seguindo meu caminho de forma mais "leve" e aproveitando o animo trazido pela "vitoria" da troca da passagem, consegui chegar facilmente na cidade de Sarnath e, o que foi ainda mais incrivel, pagando o mesmo preco que um indiano comum pagaria. Qualquer viajante sabe que vida de turista, em muitos lugares, nao eh facil. Ha sempre pessoas tentando tirar um pouco mais de dinheiro do "turista rico". Mas naquele dia, em que tudo parecia funcionar melhor, eu consegui pagar o preco justo, tendo inclusive a impressao de ter sido ajudado por alguns indianos nesse caminho. Infelizmente, como nao entendo a lingua que eles estavam falando, percebi apenas algumas palavras e numeros soltos, tendo a impressao de que no caminho algumas pessoas estavam defendendo o meu direito de pagar menos. Fiquei agradecido por aquelas pessoas estarem, apesar de nem se quer me conhecer, me ajudando.

A visita na pequena cidade de Sarnath foi otima. O lugar eh consideravelmente mais tranquilo do que uma "tipica cidade indiana". Percebam que quando eu digo "tipica", quero dizer tipica seguindo a ideia que agora tenho formada em minha mente, apos esses 5 meses aqui. Entao isso nao eh exatamente um preconceito, ja que a opiniao eh baseada na minha propria experiencia, certo?

De qualquer forma, adequando meu texto para possiveis sensibilidade de alguns leitores e cirticos, Sarnath tinha pouca relacao com a minha atual imagem de uma "cidade indiana". A principal atracao da cidade eh um parque chamado "Parque Veados", apesar de que ali nao vi nem veados de 4 patas nem outras especies. O tal parque dos veados eh considerado importante para os budistas porque se acredita que ali, naquele gramado e entre aquelas arvores, o Buda, apos ter atingido a iluminacao, fez o seu primeiro sermao, para os seus primeiros seguidores. Ali surgiu o Budismo.

Seculos depois do Buda ter caminhado por aquelas bandas, Ashok, um dos conquistadores mais venerados da historia da India, construiu um templo e uma Stupa (algo comparavel a uma catedral para os catolicos, so que budista). Apesar de hoje so serem visiveis as ruinas do templo, a Stupa continua, sem duvida com uma parte fracionaria da beleza que tinha no passado, impressionante e inspiradora. Foi nas ruinas desse templo que encontraram uma estatua feita a mais de dois mil anos atras (se eu nao estiver enganado) de quatro leoes, cada um olhando para um ponto cardeal oposto. A estatua ainda pode ser vista no museu da cidada e eu fiquei consideravelmente impressionado com a qualidade e o tamanho desse trabalho em pedra polida.

Somente quando vi a escultura entendi porque ela foi escolhida como simbolo da india e, hoje em dia, pode ser vista em muitos lugares do pais, alem de estar presente em todas as cedulas da moeda local.

Houveram dois pontos altos da viagem para Sarnath. O primeiro foi que encontrei um Chileno muito gente boa e pude ter uma agradavel companhia durante o dia. Depois de tantos meses estando "sozinho" aqui, ter uma companhia para conversar e dividir opinioes e impressoes faz uma grande diferenca. As vezes faz falta alguem do lado nem que seja para poder dizer "que bonito este lugar". Me pareceu que o fato de poder mencionar o sentimento em palavras para alguem, tornava o sentimento um pouco mais real.

O segundo ponto alto do dia foi a visita a um templo tibetano. Fantastico o lugar. O nivel e a quantidade de detalhes de todos os tamanhos e formas era incrivel. A imagem do buda aparecia desde a gigante escultura sentada no centro do altar a pequenas imagens de nao mais de dois ou tres dedos de altura dentro de pequenos cubos nas quinas de uma das paredes. Fiquei pensando como seria interessante poder visitar os tantos outros templos budistas do Tibet.

Para completar o dia tranquilo, ainda consegui uma carona com o chileno, que ja havia reservado um daqueles triciculos locais para servir como guia e transporte durante todo o dia. Entao nao so eu tive companhia, como tive veiculo para visitar todos os templos da cidade e ainda para voltar tranquilamente para Varanasi. Digo, tranquilamente na medida do possivel, ja que o transito por aqui certamente nao pode ser descrito como tranquilo.

Uma vez mais, durante a volta, era visivel pra mim a importancia de manter a paz de espirito. Enquanto eu estava saboreando um dia agradavel e tranquilo, sentindo o vento bater no meu rosto para aliviar o calor do dia, o chileno, no mesmo veiculo que eu, estava sofrende com cada busina e barbeiragem do motorista. Em outros dias eu tambem tive meus momentos de revolta com a poluicao sonora da India, mas naquele dia, minha paz era maior do que barulho das ruas.

Pena que, pra mim, na maioria das vezes, ainda seja tao dificil colocar essa teoria em pratica e poder ter varios dias como aquele. Mas, com o tempo, assim espero, vou aprendendo.

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