Familia indiana

Trip Start Oct 01, 2007
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Flag of India  , Orissa,
Thursday, October 29, 2009

As familias aqui sao grande, digo, o que eh considerdo como familia aqui eh um grupo maior do que consideramos no Brasil.

A diferenca eh tanta que a propria lingua falada acomoda algumas dessas diferencas. Nos temos em portugues, e tambem nas outras linguas que tive oportunidade de aprender algo como Ingles e Espanhol, a palavra "tio", que significa "irmao do pai" (ou da mae). Aqui eles tem varias palavras para explicar esse relacionamento, tratando de modo muito mais especifico. Eles tem palavras para "irmao mais velho do pai", "irmao mais novo do pai", "irmao 'do meio' do pai" e ainda outras palavras para os mesmos relacionamentos pelo lado da mae.

Essa abundancia de palavras que nos resumimos a um simples "tio" (ou "tia" para mulheres) eh, creio, um reflexo da forma como eles se relacionam com estas pessoas. As pessoas da familia, incluindo os varios "tipos de tios" sao tao mais proximos que ate a lingua falada mostra essa proximidade, dando nomes diferentes aos relacionamentos.

Outra forma que mostra a proximidade da familia eh que eh incomum, segundo muitos ja me afirmaram, sair de casa quando o objetivo eh simplesmente morar so. Uma mulher sai de casa somente quando se casa, o que nao vem a ser tao diferente do que acontece no interior do Brasil. Mas um homem, na maioria dos casos, nunca sai de casa. Quando se casa a mulher dele vem morar com ele, e pronto.

Os casos que ouvi falar de pessoas que vao viver em outras cidades sao, normalmente, por causa de falta de trabalho nas suas regioes ou para terem acesso a um nivel superior de estudo ausente em sua regiao. Muitos deses que deixam os lares sao pessoas que vao para as grandes cidades em busca de melhores condicoes de vida. Fato que eh uma caracteristica marcante em todos os paises pobres. Enquanto nos "paises ricos" a palavra "suburbio" normalmente esta associada com um lugar com boas casas e boa vizinhanca, nos "paises pobres" a mesma palavra eh associada ao oposto. Uma vez mais o significado das palavras mostra-se muito significativo para entender as diferencas. Em paises do "primeiro mundo" morar afastado das grandes cidades nao significa morar sem conforto, o que eh uma grande diferenca para a realidade do "resto do mundo".

A forma que vim a entrar em contato com essa realidade foi a quantidade de vezes que as pessoas me perguntavam quanto tempo estou longe de casa. Quando eu os respondia que ja fazem 2 anos que nao "coloco os pes" no pais onde nasci eles parecem impressionados. Alguns refaziam a pergunta, achando que houve um problema na comunicacao. Muitos nao conseguem se quer entender como uma pessoa pode sair de casa por um tempo longo. Simplesmente nao faz sentido para eles.

Um dos trabalhadores aqui da escola disse que ele tinha um projeto de fazer uma especializacao, de continuar nos estudos, mas que era muito caro. Entao ele disse que a organizacao ofereceu para ele ir fazer uma especie de especializacao, um treinamento para "gerentes" ou algo do genero, em um centro de treinamento que a organizacao tem no Mexico. Ele disse que ficou muito tentado a ir mas, que quando soube que teria que passar 3 anos longe da familia e do pais, desistiu.

Nao somente as familias vivem mais proximas, mas os vizinhos tambem. Ja na experiencia que tive na vila que descansei antes de chegar aqui pude perceber isso. O meu guia, aquele de uma outra historia, me fez entrar em varias casas dos seus vizinhos e outras nao tao proximas a dele. Em todas ele dizia a mesma coisa "essa eh sua casa", e tambem "voce pode fazer o que quiser aqui, eh so dizer".

Em mocambique a situacao me pareceu muito similar em relacao as familias. Infelizmente minhas experiencias por la nao me levaram a conhecer mais dessa realidade. Mas pelo que pude perceber, em relacao a familia e aos vizinhos, Mocambique e India sao muito parecidos.

Nesta questao me parece que "nossa sociedade", nosso "estilo de vida", aquele que com orgulho copiamos dos europeus e chamamos de "nosso", caminha no sentido totalmente contrario. Caminhamos no sentido da individualizacao. Estamos cada vez mais nos preocupando com menos pessoas. Me parece que com o passar do tempo pensamos assim:

"Meus problemas se resumem aos problemas que acontecem dentro dessas quatro paredes, com essas pessoas que vivem aqui comigo. Qualquer coisa que aconteca fora daqui, eu ignoro."

E ainda por cima nos damos o titulo de "desenvolvidos" e a eles o de "sub-desenvolvidos".


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