Carimbador maluco

Trip Start Oct 01, 2007
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Trip End Ongoing


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Flag of United Kingdom  , England,
Wednesday, September 9, 2009


Faltano menos de duas semanas, uma vez mais, a India ficou mais longe. A mais ou menos um ano atras o mesmo aconteceu, quando eu mesmo decidi mudar a rota. Mas desta vez a historia foi diferente, nao foi uma decisao minha, mas sim algo inesperado.
Eu tinha tudo preparado para fazer o pedido de visto para entrada no pais de Gandhi. Carta convite da organizacao de la, carta da escola daqui, documentos copiados, formularios preenchidos e taxas pagas. Caminhei uma hora, apos ter pego um trem ate Manchester. Mas ja haviam indicios de que algo poderia dar errado. 
A data agendada pelo site era um feriado nacional no Reino Unido. Os professores me disseram que eu nao devia ir, mas eu confiei no site e fui. Ate encontrar o escritorio da empresa que organiza o visto, que, seguindo a tendencia mundial, eh terceirizada e nao controlado peo governo indiano, eu estava receoso. Nao iria ser divertido andar por tanto tempo, sem falar em ter ido ate uma cidade distante, para "quebrar a cara" e encontrar o lugar fechado. O cansaco nao seria nada comparado com o que me esperaria na volta. Era facil de imaginar a chuva de "eu te disse" que iria me esperar. 
Ao encontrar o lugar, estranhamente vazio, achei que a "oposicao" estava com a razao. Mas aconteceu de estar aberto. Otimo, pensei eu, e como ainda estava vazio eu fui prontamente atendido. Mas a alegria foi temporaria. Antes mesmo de ver os papeis que eu havia trazido o responsavel do escritorio me explicou, pacificamente, que nao poderia se quer aceitar o meu pedido de visto. Por lei - no Reino Unido - uma pessoa tem que ter seis meses de visto no pais da Rainha para poder dar entrada no processo. Com isso nao havia o que discutir, ele simplesmente fez uma ligacao para confirmar e me devolveu os documentos dizendo que nao havia nada que ele pudesse fazer. Talvez em Londres voce consiga algo, disse-me ele. Nao entendi exatamente como eu conseguiria algo em londres, ja que o escritorio la era simplesmente um outro posto da mesma organizacao. Na falta de opcao, comecei meu caminho de volta a escola.
No caminho de volta me veio a cabeca a musica de Raul Seixas. Do fundo da memoria me lembrei dos tempos de "plunct plact zoon", ou algo parecido, onde o "Maluco Beleza" dizia que "tem que ser selado, carimbado, avaliado se quiser voar...". Apesar das decadas de diferenca entre esse programa infantil e o que estava me acontecendo, a musica parecia a mais que adequada a minha situacao. A maior diferenca eh que Raul se comoveu com a historia das criancas que queriam conhecer o universo, enquanto o tecnico da empresa terceirizada pouco se importou com quem eu era ou o que eu queria fazer. As leis costumam nao deixar espaco para questoes sentimentais.
Eh sempre dificil aceitar que outras pessoas tem o poder de alterar o meu proprio destino. Nesse caso um camarada que nunca me viu na vida tinha "o poder" (em termos claro, ja que ele estava apenas fazendo o trabalho para o qual eh pago) de me negar a ida para o pais do Buda. 
A unica solucao do problema, ou melhor, a unica possibilidade, ja que ainda nao eh certo que seja uma solucao, caiu de paraquedas. A professora da escola entrou em contato com outras escolas da organizacao e descobriu que na Noruega os estudantes conseguiram vistos para a India sem maiores problemas indo direto na embaixada da India en Oslo (capital da Noruega). Dai surgiu a ideia de eu ir para la para tentar fazer o mesmo. 
Um dos motivos para a uma mudanca drastica como esta era que meu visto de estudante no Reino Unido estava acabando e eu precisava sair do pais em pouco mais de uma semana. 
Foi assim que no lugar de ter uma passagem para a India eu ganhei uma passagem para Noruega. No lugar de conhecer um pais de "terceiro mundo" eu vou cair de paraquedas em um dos paises mais ricos do mundo.
Na falta de muitas oportunidades me resta ficar feliz com a que eu tenho e aproveitar o possivel... alem de ter fe que, de um jeito ou de outro, meus passos futuros me levem a onde eu inicialmente tinha intencao de chegar. 
... e mais ainda, ter fe de que mesmo que os meus passos nao me levem para onde eu inicialmente quis, que eu saiba aproveitar as novas oportunidades que sem duvida surgiram junto com as mudancas.
Alem do mais... nada mau passar umas semanas conhecendo um pouco de um novo lugar, nao eh mesmo?
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