Novamente na ilha

Trip Start Oct 01, 2007
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Trip End Ongoing


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Flag of Mozambique  ,
Monday, December 29, 2008

Apos a festa de Natal nos organizamos para ir a Ilha de Mocambique para passar os ultimos dias de 2008. Ja haviamos combinado com uma pousada simples para acomodar as cerca de 20 pessoas que iam. Ate mesmo esse arranjo deu trabalho de ser feito de antecedencia. Nao sabiamos exatamente quantas pessoas viriam a Nacala, o que tornava ainda mais dificil de saber quantos desses que viriam, iriam querer ir para a Ilha e por quanto tempo.

Tinhamos um caminhao reservado para nos levar ate la. Pode parecer desconfortavel, mas para os padroes mocambicanos, essa foi uma viagem de primeira classe.

Os dias na ilha foram dos mais calmos possiveis. O lugar nao eh muito grande e nao tem tanto para se ver. Passamos uns 6 dias la, que pare mim me pareceram uns 15. Creio que daria para conhecer e caminhar por todos os pontos da ilha em, no maximo, uns 3 dias.

Para quem esta andando sem limites financeiros a ilha oference alguns bons lugares. Hoteis e restaurantes requintados a beira do mar ou com uma piscina no jardim. Mas como eramos um grupo de voluntarios tentando viver com a ajuda de custo que recebemos da organizacao, o nosso roteiro nao foi tao turistico assim.

Muitas das refeicoes fizemos em um mesmo bar, indicado pelo dono da pousada que ficamos. A "tia" do bar, a meu ver, merecia os parabens pela honestidade. Mesmo vendo um grupo que comia la variando de 10 a 20 "cunha", ainda manteve todos os precos justos. Na hora de pagar as primeiras contas eu fiquei positivamente surpreso. Camarao, lula, peixe, chamusas (uma especie de pastelzinho tipico daqui) e tudo mais na mesa. Todos mais que bem alimentados e a conta deu 35 meticais por pessoa (pouco mais de 3,00 R$), bebidas nao inclusas nesse valor. Foi concenso na mesa que deveriamos pagar mais, e todos deram a mais na medida dos seus bolsos. A "tia" nao so cobrava o preco que ela fazia normalmente, como ainda reduzia porque estavamos em um numero grande de pessoas. Depois de 4 meses aqui, me acostumando a ouvir um preco que vai para mais que o dobro ou o triplo do justo simplesmente por ser branco, essa foi uma grande surpresra mim.

Sobre a Ilha ja comentei antes quando estive por la em outubro. Tive a oportunidade de ver um pouco mais dessa vez, mas nada que tenha mudado minha impressao inicial sobre ela. Mas me chamou a antencao o fato de que a maioria das pessoas que chegam la realmente gostam muito. Ouvi muitas opinioes encantadas sobre o lugar e sua beleza. Enquanto aos meus olhos nada passava uma impressao diferente de "destruicao"e "abandono". Nao consiguia ver naqueles lugares, que me pareciam destruidos por uma guerra, a beleza do passado colonial.

A sensacao mais diferente que tive desta vez, foi ao entrar no museu onde, antigamente, era a residencia do governador. Este lugar ainda esta consideravelmente conservado e possui alguns moveis e comodos muito interessantes. Mas nada teve tanto importancia para mim quanto o sentimento que eu tive ao entrar na capela do museu. Eu me senti em casa. Como se houvesse sido transportado no tempo e no espaco para a Olinda onde cresci. A Olinda das igrejas coloniais antigas. Senti a ligacao entre a nossa historia a de mocambique, atravez do mesmo explorador, digo, colonizador. Como a aparencia de um lugar pode trazer um sentimento tao forte quanto o de "casa"?

Tambem fizemos o passeio de barco mais estranho que ja fiz na vida. Na verdade o passeio de barco, em si, nao era estranho, mas a minha expectativa sobre o passeio eh que era um pouco difenrente de como as coisas aconteceram. Negociamos com o dono da pousada um "passeio de barco". O que eu entendo por passeio de barco? Que iriamos pegar um pagar, navegar por algum tempo ate chegar em algum lugar onde o barco ancoraria, tomariamos um banho e mergulhariamos por um tempo ate a hora de voltar ou de seguir para outro lugar onde o barco pararia novamente. Essa era a minha ideia, mas nao foi bem assim que aconteceu.

No comeco tudo ocorreu parecido com eu esperava. Tirando o fato de que dos dois "marinheiros" um tinha que estar, de tempos em tempos, tirando a agua que entrava no barco por defeitos no casco. As pessoas do grupo que nao se sentiam muito confiantes com a sua capacidade de nadar nao ficaram muito contentes quando notaram isso. Para mim nao seria tao mal, enquanto a quantidade de agua que ele tirasse fosse maior do que a que entrasse, para mim estaria tudo bem.

Foi depois de mais de uma hora no barco que encalhamos em um banco de areia. O pescador disse que teriamos que descer. Todos pensavamos que teriamos que empurrar o barco para desencalhar. Mas o pescador insistiu para que descecemos todos (algumas meninas haviam permanecido no barco) e que deveriamos seguir o outro, que ja estava caminhando, na agua, para algum lugar. Fiquei sem saber o que pensar quando, depois de alcancar o que estava caminhando, perguntei para onde estavamos indo. Ele apontou para uns coqueiros que estavam muito longe.

Minha surpresa e desapontamento com a noticia e o "passeio de barco" foi tanto, que levei alguns minutos ate poder apreciar a beleza do lugar onde estavamos. A medida que caminhavamos a agua ia ficando mais rasa. Depois voltamos a caminhar na agua, mais ou menos no meio da canela. Muito estranho perceber que havia algo como uma "trilha" mesmo dentro da agua. As algas de uma detreminada parte nao cresciam, creio eu, de tanto as pessoas passarem.

A parte caminhada do nosso "passeio de barco" se mostrou muito mais longa do que a parte velejando. Primeiro caminhamos com pe na agua. Depois caminhamos na lama de um mangue. Nunca havia visto tantos chies (aqueles carrangueijos pequenos) juntos. Quando iamos caminhando parecia que a propria lama estava se movendo. Para completar chegamos em uma parte de terra seca, onde caminhamos em baixo do sol por uma estrada por mais nao-sei-quantos minutos. Isso tudo carregando umas comidas que haviamos levado por ter pensado que o roteiro seria um pouco diferente.

Finalmente, chegamos a praia de novo. Areias brancas e aguas azuis. Muito bonita, sem duvida. Mas a quantidade de tempo que passei caminhando me fez admirar um pouco menos a beleza do lugar. Tambem nao fiquei tao surpreso com a vista pelo fato de ja haver passado naquela praia antes. Ha um mes atras eu ja havia passado um domingo neste mesmo lugar, incluindo no mesmo restaurante que acabou sendo o destino final da caminhada.

Ao final foi um passei interessante. Mesmo apos o meu "desentendimento" com o que seria o passeio. Tambem serviu de licao para as proximas vezes. Para que quando fossemos negociar algo, perguntar, com detalhes, de que consistia o trato. Afinal, eu teria aceitado ir no passeio mesmo que soubesse, com antecedencia, que seria daquela forma. Mas creio que eu poderia ter aproveitado mais se houvesse me preparado para tal.
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