Primeira semana de ensaios
Trip Start
Oct 01, 2007
1
37
159
Trip End
Ongoing
Sabiamos que tinhamos que preparar para fazer a apresentacao. Mas, de algum modo, sempre o inicio dos ensaios estava sendo adiado. Finalmente, comecamos a ensaiar. Foi a primeira semana que tivemos para nos dedicar totalmente a isso. Talvez fosse mais preciso dizer que foi a primeira semana que tivemos para tentar nos dedicar. Mas dedicacao eh uma palavra que tem diferentes interpretacoes para diferentes pessoas. Creio que foi dai que surgiu grande parte dos problemas desta semana.
No comeco cada grupo estava tentando passar individualmente suas partes. Ao menos essa era a ideia. Mas aparentemente algumas pessoas nao estavam muito preocupadas. No lugar de sentar para ler o roteiro e tentar entender melhor o que estavamos fazendo, no lugar de tentar memorizar as falas dos personagens, muita gente preferiu dormir, sair para caminhar ou fazer outras atividades pouco relacionadas ao teatro.
Nos primeiros dias isso nao criou problemas, mas entao chegamos em um ponto onde uma parte estava se dedicando e outra nao. As vezes uns tinham que ficar procurando os outros "desaparecidos" para tentar se juntar e praticar. Mesmo quando os grupos estavam juntos, era comum acontecer de que algumas pessoas estivessem "desligadas", o que tornava os ensaios um pouco dificeis.
Entao fomos tentar a primeira passagem completa, do comeco ao fim, todas as cenas. Os profissionais que assistimos no teatro levaram uma hora e cinquenta minutos ao todo... nos levamos ums 5 horas.
Foi nesse momento que deu para perceber qual era o trabalho. O ponto nao era simplesmente a peca, mas sim o grupo. A parte dificil nao era memorizar as linhas, mas sim conseguir lidar com 16 pessoas com ideias e vontades diferentes.
Essas cinco horas de ensaio onde tentamos decidir quem saia ou entrava por onde, o que mudava ou continuava, foram consideravelmente estressantes. Pra mim o mais dificil foi olhar o nivel em que estavamos, como um todo, e imaginar que em alguns dias iriamos apresentar o trabalho pela primeira vez. Nunca gostei de fazer parte de algo que eu nao considerasse aceitavel. Digo, nao qhe que precise ser perfeito, mas que ao menos nao seja ruim. Mas era esse o ponto em que estavamos. Estava ruim, muito ruim. Todas as partes tinham defeitos e, alem do mais, era improvavel que alguem que nao leu o roteiro entendesse algo do que estava acontecendo.
Foi preciso que uma das meninas do grupo, que por sinal tinha o maior papel e estava dedicando todo o tempo possivel para isso, fizesse um "sermao" para o resto do grupo. Apos esse primeiro ensaio ela mobilizou todo mundo para mostrar o que se a intencao era realmente fazer aquilo, todos tinham que fazer parte. "todos temos que parar, memorizar as falas, ensaiar os textos. Nao temos tempo de ficar sentados descansando, dormindo ou fazendo que nao seja relacionado ao teatro. Se nao for feito em conjunto nao vai funcionar. Se todos nao fizerem suas partes, nao vai dar certo", disse ela. E tinha toda razao de pensar assim. De que adiantava ela perder os dias sabendo tudo sobre a personagem dela, enquanto uma das pessoas que contracenava com ela nao conseguia acompanhar a cena nem lendo do roteiro?
Dirferencas na dedicacao, dificuldades com o ingles, falta de experiencia, pouco tempo para se organizar, tudo isso levou a um clima consideravelmente tenso no grupo. A pressao foi muita. E nesse clima fizemos o ultimo ensaio antes da primeira apresentacao. Comecamos na noite do sabado, mas so terminamos nas primeiras horas do domingo. O ensaio nao tinha sido dos mais produtivos e os erros eram numerosos. Todos voltaram para os seus quartos sem trocar muitas palavras.
Pra mim era tudo muito estranho. O mais dificil era fazer parte daquilo. Eu nao queria subir no palco. Nao achava "justo", na falta de uma palavra melhor, com as pessoas que iam nos assistir, ter que ver algo inclompleto e mau feito. Mas, no final das contas, eu nao tinha outra opcao. Querendo ou nao, eu teria que subir no palco e fazer a minha parte.
Tentei olhar para o outro lado. Esquecer as pessoas que eu achava que pouco tinham ajudado e olhar para aqueles que estavam fazendo um otimo trabalho. Algumas pessoas estavam muito bem nos seus papeis. Finalmente algumas partes, que antes mal faziam sentido, passaram a funcionar e ser, inclusive, divertidas. Umas das melhores surpresas para mim foi Tomoyo, que estava muito bem em seu papel. Outros personagens tambem ficaram muito engracados (porque tinham que ser engracados mesmo, nao porque estavam mau feitos). Tentando pensar neles e no esforco que eles tiveram, segui para a nossa primeira apresentacao.
Apesar do nervosismo, das dezenas de erros, dos esquecimentos de texto e do fato de que a maioria das pessoas na plateia nao entendeu quase nada... fizemos a apresentacao.
A experiencia foi muito forte, apesar de eu nao saber bem explicar por que. Talvez por causa dos conflitos. Talvez por causa das dificuldades. Talvez por estar em um palco tentando interpretar algo em uma lingua extrangeira. Talvez por enfrentar o fato de que eu posso fazer parte de coisas "imperfeitas". Talvez pelo alivio no final da apresentacao. Talvez por ver pessoas se esforcando tanto por um trabalho... ou, o que eh mais provavel, por todos esses fatores juntos.
Ainda tinha o sentimento de que ainda nao tinha acabado. De que ainda tinhamos que treinar mais para podermos apresentar a peca na Dinamarca... mas, no momento, depois daquela semana de estresse, todos preferiram esquecer o teatro por um tempo.
Mais um treino para mim, deixar para me preocupar com algo somente quando for necessario.
No comeco cada grupo estava tentando passar individualmente suas partes. Ao menos essa era a ideia. Mas aparentemente algumas pessoas nao estavam muito preocupadas. No lugar de sentar para ler o roteiro e tentar entender melhor o que estavamos fazendo, no lugar de tentar memorizar as falas dos personagens, muita gente preferiu dormir, sair para caminhar ou fazer outras atividades pouco relacionadas ao teatro.
Nos primeiros dias isso nao criou problemas, mas entao chegamos em um ponto onde uma parte estava se dedicando e outra nao. As vezes uns tinham que ficar procurando os outros "desaparecidos" para tentar se juntar e praticar. Mesmo quando os grupos estavam juntos, era comum acontecer de que algumas pessoas estivessem "desligadas", o que tornava os ensaios um pouco dificeis.
Entao fomos tentar a primeira passagem completa, do comeco ao fim, todas as cenas. Os profissionais que assistimos no teatro levaram uma hora e cinquenta minutos ao todo... nos levamos ums 5 horas.
Foi nesse momento que deu para perceber qual era o trabalho. O ponto nao era simplesmente a peca, mas sim o grupo. A parte dificil nao era memorizar as linhas, mas sim conseguir lidar com 16 pessoas com ideias e vontades diferentes.
Essas cinco horas de ensaio onde tentamos decidir quem saia ou entrava por onde, o que mudava ou continuava, foram consideravelmente estressantes. Pra mim o mais dificil foi olhar o nivel em que estavamos, como um todo, e imaginar que em alguns dias iriamos apresentar o trabalho pela primeira vez. Nunca gostei de fazer parte de algo que eu nao considerasse aceitavel. Digo, nao qhe que precise ser perfeito, mas que ao menos nao seja ruim. Mas era esse o ponto em que estavamos. Estava ruim, muito ruim. Todas as partes tinham defeitos e, alem do mais, era improvavel que alguem que nao leu o roteiro entendesse algo do que estava acontecendo.
Foi preciso que uma das meninas do grupo, que por sinal tinha o maior papel e estava dedicando todo o tempo possivel para isso, fizesse um "sermao" para o resto do grupo. Apos esse primeiro ensaio ela mobilizou todo mundo para mostrar o que se a intencao era realmente fazer aquilo, todos tinham que fazer parte. "todos temos que parar, memorizar as falas, ensaiar os textos. Nao temos tempo de ficar sentados descansando, dormindo ou fazendo que nao seja relacionado ao teatro. Se nao for feito em conjunto nao vai funcionar. Se todos nao fizerem suas partes, nao vai dar certo", disse ela. E tinha toda razao de pensar assim. De que adiantava ela perder os dias sabendo tudo sobre a personagem dela, enquanto uma das pessoas que contracenava com ela nao conseguia acompanhar a cena nem lendo do roteiro?
Dirferencas na dedicacao, dificuldades com o ingles, falta de experiencia, pouco tempo para se organizar, tudo isso levou a um clima consideravelmente tenso no grupo. A pressao foi muita. E nesse clima fizemos o ultimo ensaio antes da primeira apresentacao. Comecamos na noite do sabado, mas so terminamos nas primeiras horas do domingo. O ensaio nao tinha sido dos mais produtivos e os erros eram numerosos. Todos voltaram para os seus quartos sem trocar muitas palavras.
Pra mim era tudo muito estranho. O mais dificil era fazer parte daquilo. Eu nao queria subir no palco. Nao achava "justo", na falta de uma palavra melhor, com as pessoas que iam nos assistir, ter que ver algo inclompleto e mau feito. Mas, no final das contas, eu nao tinha outra opcao. Querendo ou nao, eu teria que subir no palco e fazer a minha parte.
Tentei olhar para o outro lado. Esquecer as pessoas que eu achava que pouco tinham ajudado e olhar para aqueles que estavam fazendo um otimo trabalho. Algumas pessoas estavam muito bem nos seus papeis. Finalmente algumas partes, que antes mal faziam sentido, passaram a funcionar e ser, inclusive, divertidas. Umas das melhores surpresas para mim foi Tomoyo, que estava muito bem em seu papel. Outros personagens tambem ficaram muito engracados (porque tinham que ser engracados mesmo, nao porque estavam mau feitos). Tentando pensar neles e no esforco que eles tiveram, segui para a nossa primeira apresentacao.
Apesar do nervosismo, das dezenas de erros, dos esquecimentos de texto e do fato de que a maioria das pessoas na plateia nao entendeu quase nada... fizemos a apresentacao.
A experiencia foi muito forte, apesar de eu nao saber bem explicar por que. Talvez por causa dos conflitos. Talvez por causa das dificuldades. Talvez por estar em um palco tentando interpretar algo em uma lingua extrangeira. Talvez por enfrentar o fato de que eu posso fazer parte de coisas "imperfeitas". Talvez pelo alivio no final da apresentacao. Talvez por ver pessoas se esforcando tanto por um trabalho... ou, o que eh mais provavel, por todos esses fatores juntos.
Ainda tinha o sentimento de que ainda nao tinha acabado. De que ainda tinhamos que treinar mais para podermos apresentar a peca na Dinamarca... mas, no momento, depois daquela semana de estresse, todos preferiram esquecer o teatro por um tempo.
Mais um treino para mim, deixar para me preocupar com algo somente quando for necessario.


