Dinamarca - A escola e o trabalho

Trip Start Oct 01, 2007
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Flag of Denmark  , Zealand,
Thursday, May 29, 2008

Chegamos a noite onde iriamos passar os proximos dias. A escola tem dois predios, consideravelmente grandes de quatro andares, que no passado abrigava um hospital e fica no meio de uma floresta proximo ao fiorde...

o que eh um firode?

"Fiorde é uma grande entrada do mar envolta de altas montanhas rochosas. Os fiordes situam-se principalmente na costa oeste da península escandinava onde são um dos elementos geológicos mais emblemáticos da paisagem, e têm origem na erosão das montanhas devido ao gelo."
(definicao da wikipedia)

... proximo a um firode. Muitas eram as diferencas entre essa escola e a nossa, mas a primeira que me chamou a atencao foi o quanto ela pareceu deserta. Das duas uma, ou nao havia muita gente quando estavamos por la, ou a area eh tao grande que nos permitiu passar a maior parte do tempo sem contato com os alunos de la.

Sao duas as escolas que funcionam em conjunto neste lugar. Uma para treinamento de voluntarios, nos mesmo moldes da escola que estou. Outra parte eh uma escola para "alunos com necessidades especiais", ou "alunos problematicos" como eles chamam. Criancas e adolescentes que por um motivo ou outro nao se encaixam nas escolas tradicionais. Segundo eles os alunos de la tem ou tiveram problemas com violencia, drogas, abandono dos pais, depressao ou coisas do genero. Esse grupo de escolas eh bem grande na Dinamarca e tem uma grande ligacao com a historia desse grupo. Mas nao vou me alongar nesse topico, se nao essa historia nao vai acabar nunca.

Fomos ali para trabalhar e foi isso que fizemos a maior parte do dia. Tinhamos que esvaziar um dos andares do predio e limpar tudo, do piso ao teto. Esvaziar leiase mover todos os moveis dois andares pra baixo. Sim, "pra baixo todo santo ajuda", eu sei, mas voce pensa isso porque nao era voce quem estava carregando tudo. Alem disso os santos ate podiam estar ajudando a descer, mas depois tinhamos que subir para pegar o proximo sofa, armario ou o-quer-que-seja, e nessa subida nao tinhamos ajuda de santo algum. Foram dez horas de trabalho no primeiro dia (iriamos ganhar por horas trabalhadas).

O segundo dia tambem foi de trabalho, mas tivemos um almoco prolongado para descansar um pouco. Fomos a praia proxima e tivemos a surpresa de ser recebidos por um dinamarques desinibido e desnudo no meio do caminho, pacificamente tomando banho de sol. Uma das meninas do meu grupo ficou tao surpresa que, literalmente, saiu correndo. Parece que eh algo tradicional do lugar, ja que em outras vezes que fomos a praia encontramos mais pessoas seguindo o mesmo estilo.

Depois dos dias de trabalho e somente trabalho, comecamos a voltar ao "clima teatro". Depois de cerca de duas semanas sem nos encontrar (cada um estava em uma parte da inglaterra trabalhando para juntar dinheiro), ja era tempo de comecarmos de novo os ensaios, e tivemos um estimulo extra: o professor que eh um dos responsaveis pelo evento iria passar por la para nos assistir. Ja tinhamos ouvido essa historias tantas vezes desde do comeco desse assunto do teatro que ja chamavamos esse tal professor de "the legend". Toda semana ouviamos uma noticia nova sobre ele, e sobre o novo motivo pelo qual ele nao ia aparecer e uma nova data para a visita. Mas, dessa vez, parecia que era verdade. E mesmo que nao fosse, tinhamos que praticar de todo jeito.

Entao o dia ficou dividido. Na pausa para o almoco aproveitavamos para repetiar as falas e ensair com os grupos menores (parte de cada uma das cenas da peca). A noite tentavamos passar a peca toda e organizar os detalhes do conjunto. Nada facil depois de um dia de um dia carregando moveis de um lado para o outro tentar concentrar em falas, caras, bocas e papeis. Mais complicado ainda quando a tarefa envolve nao somente o trabalho e o desgaste fisico, mas tambem os problemas pessoais de alguns. Um dos casais do grupo estavam brigados e resolveram "terminar" durante esses dias. Da para imaginar o "climao" que ficou no grupo?

A melhor parte dos dias era deitar na grama ao sol logo depois do almoco. Inclusive um dos dias a responsavel por fazer a vistoria do nossos trabalhos nos passou a dificil tarefa de ficar 30 minutos ao sol (contando como tempo de servico). O sol de la nao parecia tao forte quanto o do Brasil. Bem mais agradavel deitar no sol em uma temperatura agradavel. Creio que ficou ainda melhor por conta dos extensos meses de inverno da Inglaterra e seu ceu quase que permanentemente cinza.

Assim seguimos por mais dois dias, creio eu... mas eh dificil contar os dias quando o sol nasce antes das quatro da manha e se poe as 23 horas. Mais ainda quando o dia tem tantos detalhes e coisas para fazer como tinhamos. Independente de quantos dias foram, assim seguimos. Ate o momento da apresentacao para "o the legend", que desta vez apareceu, mas ainda fez um suspense chegando uns 30 minutos atrasado.

Fizemos nossa apresentacao para "a lenda" e mais outras duas professoras da escola. Como sempre, fiquei extremamente nervoso, mas a nossa plateia, apesar de pequena, foi bem participativa, rindo bastante nos momentos iniciais da peca, o que ajudou a diminuir um pouco a tensao. Olhando agora me parece bem estranho esse sentimento, de me sentir nervoso diante de algo que estavamos apresentando para apenas tres pessoas. Mas nervosimo eh uma dessas coisas que, muitas vezes, nao precisa obedecer a logica.

Apos a apresentacao e um merecido descanso, voltamos a "cena do crime" onde o diretor conversou um pouco conosco. Falou da impressao geral dele e de coisas que ele achava que estavam "funcionando" ou nao. Depois ele passou, com cada um dos grupos algumas cenas e deu conselhos mais direcionados. Minha impressao eh que, se tivessemos esse tipo de suporte desde o comeco, o nivel geral estaria bem melhor. Mas que, faltando menos de uma semana, nao iria mais mudar tanta coisa.

Aproveitamos o ultimo dia antes de seguirmos para a cidade do encontro, para visitarmos a capital, Copenhagen. Depois de tantos dias de emocao, trabalho e ensaios juntos, cada grupo acabou seguindo o seu proprio caminho pelas ruas desta cidade.

Fazia mais um dia ensolarado enquanto aproveitavamos o domingo. Muito bom caminhar pelas ruas e deitar um pouco nos parques gramados da cidade. Copenhagen me lembrou Amsterdam, com canais, barcos, bicicletas e casas antigas. Mas, infelizmente, nao da para comparar um lugar que eu estive por mais de vinte dias com outro onde passei apenas algumas horas.

Antes que me esqueca, tenho que falar da melhor parte do trabalho. Alguns dos moveis que estavamos retirando iam para o lixo. Entao ja no ultimo dia de trabalho tinhamos que mover varios moveis que estavam no quarto e coloca-los no lixo. Iria dar muito trabalho... mas para que iriamos descer as escadas carregando os moveis? Pra mim foi quase um sonho realisado arremassar moveis pela janela do quarto andar. Colocamos uma pessoa para fiscalizar a passagem e ficamos, la de cima, arremessando tudo. Uma pena que ninguem tenha tirado fotos do evento. Seria uma boa lembranca. Quem nunca teve, por um momento que seja, vontade de sair distruindo as coisas?

Na volta para a escola, voltando ao fluxo normal dos eventos, paramos para ver o final do por do sol em um museu de barcos vickings. Ja era quase meia noite, mas o ceu ainda apresnetava a coloracao do por do sol.

Mesmo tendo estado ali a trabalho (e nao tendo sido nada facil) e termos tido pouco tempo livre por conta dos ensaios, a semana foi das melhores possiveis. Talvez pelo sol constante, pelas caminhadas ate a praia, pelos minutos deitados na grama, pelas muitas gargalhadas e momentos divertidos durante os ensaios ou, simplesmente, pela mudanca de endereco depois de 7 meses no interior do Reino Unido.
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