Dong Hoi
Trip Start
Jan 06, 2010
1
37
78
Trip End
Sep 01, 2010
E foi então que chegamos a Dong Hoi, última cidade ( no sentido Norte-Sul) antes da antiga zona desmilitarizada que separava o Vietnam em dois, a exemplo das Coréias.
A viagem de trem a partir de Ha Noi, cerca de 9hs de duração, não foi exatamente um prazer celestial; pegamos um vagão-dormitório com 4 camas e uma viagem dessas depende muito dos seus companheiros de compartimento. Os nossos até que foram tranquilos, um senhor reservado e roncante e uma vietnamita em seus 40 anos, casada com um austríaco e repleta de Botox.
As instalações eram bem modestas, as roupas de cama sujas e os corredores idem, mas dormimos umas boas 3 ou 4 horas e a experiência com certeza foi menos traumática que pegar um trem desses na China, por exemplo. Chegamos em Dong Hoi por volta das 8hs e pouco depois estávamos instalados no hotel Nam Long, uma espécie de pensão familiar. Cientes da nossa estadia de apenas 1 dia, partimos logo pra andança habitual pra sentir a atmosfera da cidade.
Mal viramos a esquina e recebemos um sorridente "Hello!" de alguém numa motoca. Retribuímos, surpresos. A surpresa, na verdade, veio do fato de - ao contrário de Ha Noi - Dong Hoi ser muito pouco turística e não tem ninguém querendo te vender quinquilharias mil e nem passeios de tuk-tuk em cada esquina. O sujeito da motoca simplesmente nos cumprimentou e passou batido, sem parar pra vender nada.
Alguns metros adiante passamos por uma escola, as crianças todas no pátio no horário de recreio, dezenas vieram até a grade e lançaram uma algazarra de "Hello!" e acenos de mão pra gente! Um coro infante, caloroso e ingênuo; retribuímos, esfuziantes, tentando estar à altura daquela onda de simpatia.
Quando chegamos à altura das ruínas da igreja Tam Toa, bombardeada em 1965, muitas pessoas já haviam nos cumprimentado, a maioria crianças e adolescentes, sempre rindo entre si quando nos viam, de longe, e lançando o mais hospitaleiro dos sorrisos e dos "Hellos!" de que eram capazes, ao cruzar conosco. Já estava me sentindo meio messiânico, uma espécie de Emissário da Boa Nova, acenando pras pessoas e recebendo seu afeto quase religioso !
Atravessamos a ponte sobre o rio Nhat Le, em direção à praia, refletindo sobre o caráter interiorano e ingênuo das pessoas daqui, sua simpatia e simplicidade.
A praia, com toda franqueza, não nos impressionou; o dia estava lusco-fusco, havia um grupo de 4 garotas adolescentes, além de outros 2 rapazes. Por um momento, não sem uma pontinha de cinismo, a praia me pareceu a Praia dos Cavaleiros, em Macaé.
Resolvemos estender a canga e sentar um pouco, descansar da viagem, respirar e pensar nos próximos passos da jornada; há já alguns dias tenho quebrado a cuca pra descobrir a melhor (e mais econômica) maneira de percorrer o trecho Ho Chi Minh City (Vietnam) - Phnom Penh (Cambodia).
Tomamos um pouco de chá frio e comemos algumas castanhas. As meninas, à beira da água, acenaram pra gente e disseram "Hi! Hello!", retribuímos; continuamos nosso papo de viagem, daqui a pouco uma das meninas vem vindo devagarinho, após confabulações com suas amiguinhas, com algo na mão. Por um momento achei que ela não viria até a gente, ela veio dligeira, deu a volta por trás e apareceu do meu lado esquerdo - " Do you wan´ some ca´?"
"Ela nos ofereceu bolo, é isso mesmo?" eu e a Lígia devemos ter pensado ao mesmo tempo, rejeitando o bolo mas agradecendo da maneira mais humilde e carinhosa que conseguimos; sacamos uma barra de chocolate pela metade e oferecemos a ela, ela aceitou e rapidamente as amigas vieram pra ver e saber o que era; trocamos alguns sorrisos, impossibilitados de conversar mais devido à barreira do idioma. Antes de irmos embora elas voltaram e, modernosas, pediram pra tirar foto nossa com o celular de uma delas; a "líder" tirou uma foto da gente com as outras meninas, em seguida pediu pra uma delas tirar dela conosco e com as outras. Tirei uma foto da Lígia com as meninas.
Atravessamos a ponte de volta, enternecidos pela curiosa interação.
Ainda andamos mais pela pequena cidade, vimos uma estátua de Me Suot, uma senhora que morreu bombardeada pelos americanos, enquanto transportava soldados norte-vietnamitas pelo rio.
Voltamos pro hotel; jantamos um arroz frito barato, numa casa-restaurante local, bem em frente ao hotel.
Já chegamos a Hué, antiga capital da colônia; crônicas do próximo capítulo...
Abraços !
A viagem de trem a partir de Ha Noi, cerca de 9hs de duração, não foi exatamente um prazer celestial; pegamos um vagão-dormitório com 4 camas e uma viagem dessas depende muito dos seus companheiros de compartimento. Os nossos até que foram tranquilos, um senhor reservado e roncante e uma vietnamita em seus 40 anos, casada com um austríaco e repleta de Botox.
As instalações eram bem modestas, as roupas de cama sujas e os corredores idem, mas dormimos umas boas 3 ou 4 horas e a experiência com certeza foi menos traumática que pegar um trem desses na China, por exemplo. Chegamos em Dong Hoi por volta das 8hs e pouco depois estávamos instalados no hotel Nam Long, uma espécie de pensão familiar. Cientes da nossa estadia de apenas 1 dia, partimos logo pra andança habitual pra sentir a atmosfera da cidade.
Mal viramos a esquina e recebemos um sorridente "Hello!" de alguém numa motoca. Retribuímos, surpresos. A surpresa, na verdade, veio do fato de - ao contrário de Ha Noi - Dong Hoi ser muito pouco turística e não tem ninguém querendo te vender quinquilharias mil e nem passeios de tuk-tuk em cada esquina. O sujeito da motoca simplesmente nos cumprimentou e passou batido, sem parar pra vender nada.
Alguns metros adiante passamos por uma escola, as crianças todas no pátio no horário de recreio, dezenas vieram até a grade e lançaram uma algazarra de "Hello!" e acenos de mão pra gente! Um coro infante, caloroso e ingênuo; retribuímos, esfuziantes, tentando estar à altura daquela onda de simpatia.
Quando chegamos à altura das ruínas da igreja Tam Toa, bombardeada em 1965, muitas pessoas já haviam nos cumprimentado, a maioria crianças e adolescentes, sempre rindo entre si quando nos viam, de longe, e lançando o mais hospitaleiro dos sorrisos e dos "Hellos!" de que eram capazes, ao cruzar conosco. Já estava me sentindo meio messiânico, uma espécie de Emissário da Boa Nova, acenando pras pessoas e recebendo seu afeto quase religioso !
Atravessamos a ponte sobre o rio Nhat Le, em direção à praia, refletindo sobre o caráter interiorano e ingênuo das pessoas daqui, sua simpatia e simplicidade.
A praia, com toda franqueza, não nos impressionou; o dia estava lusco-fusco, havia um grupo de 4 garotas adolescentes, além de outros 2 rapazes. Por um momento, não sem uma pontinha de cinismo, a praia me pareceu a Praia dos Cavaleiros, em Macaé.
Resolvemos estender a canga e sentar um pouco, descansar da viagem, respirar e pensar nos próximos passos da jornada; há já alguns dias tenho quebrado a cuca pra descobrir a melhor (e mais econômica) maneira de percorrer o trecho Ho Chi Minh City (Vietnam) - Phnom Penh (Cambodia).
Tomamos um pouco de chá frio e comemos algumas castanhas. As meninas, à beira da água, acenaram pra gente e disseram "Hi! Hello!", retribuímos; continuamos nosso papo de viagem, daqui a pouco uma das meninas vem vindo devagarinho, após confabulações com suas amiguinhas, com algo na mão. Por um momento achei que ela não viria até a gente, ela veio dligeira, deu a volta por trás e apareceu do meu lado esquerdo - " Do you wan´ some ca´?"
"Ela nos ofereceu bolo, é isso mesmo?" eu e a Lígia devemos ter pensado ao mesmo tempo, rejeitando o bolo mas agradecendo da maneira mais humilde e carinhosa que conseguimos; sacamos uma barra de chocolate pela metade e oferecemos a ela, ela aceitou e rapidamente as amigas vieram pra ver e saber o que era; trocamos alguns sorrisos, impossibilitados de conversar mais devido à barreira do idioma. Antes de irmos embora elas voltaram e, modernosas, pediram pra tirar foto nossa com o celular de uma delas; a "líder" tirou uma foto da gente com as outras meninas, em seguida pediu pra uma delas tirar dela conosco e com as outras. Tirei uma foto da Lígia com as meninas.
Atravessamos a ponte de volta, enternecidos pela curiosa interação.
Ainda andamos mais pela pequena cidade, vimos uma estátua de Me Suot, uma senhora que morreu bombardeada pelos americanos, enquanto transportava soldados norte-vietnamitas pelo rio.
Voltamos pro hotel; jantamos um arroz frito barato, numa casa-restaurante local, bem em frente ao hotel.
Já chegamos a Hué, antiga capital da colônia; crônicas do próximo capítulo...
Abraços !



Comments
Oi lindos!
Que encontro curioso na praia de Dong Hoi!
Estou achando o Vietnam bastante interessante!
Até Hué!
Beijos